Sócios há mais de 50 anos foram homenageados

No mês em que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada comemora o seu 95.º aniversário, os sócios há mais de 50 anos, ininterruptamente, foram homenageados de uma forma simbólica pela dedicação e contributos para a associação. 

Pela dedicação e contributos que fazem há mais de 50 anos, os sócios inscritos na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada (AHBVL) foram homenageados com uma medalha. A cerimónia aconteceu no passado sábado, dia 29 de maio, inaugurando assim as festividades do 95.º aniversário. No total, foram cerca de 40 sócios homenageados. 

Na cerimónia, o presidente da AHBVL, Antero Correia, aproveitou para dirigir algumas palavras de agradecimento a todos os sócios pela colaboração, referindo que todos os dias procuram tomar as melhores decisões e que os desafios que os esperam “eram e são muitos”. 

No próximo dia 13 de junho, dia em que acontece a Sessão Solene de aniversário, Antero Correia garante que o quadro do comando ficará completo. A curto prazo, pretendem, ainda, proteger cada vez mais todos os bombeiros e proporcionar melhores instalações ao corpo ativo. 

Agostinho Cunha, 68 anos, Silvares

Agostinho Cunha

Agostinho Cunha é sócio há 51 anos e inscreveu-se quando tinha 17. “Tornei-me sócio por vontade própria, porque na minha altura a juventude era passada aqui, vínhamos para aqui jogar e brincar. Era o único sítio onde tínhamos com que nos divertir”, revela. 

“Aqui, nos bombeiros, foi dos primeiros sítios a ter televisão, então grande parte dos meus amigos, e pessoas com a minha idade, vinham para aqui. Era o nosso ponto de encontro. Nunca fui bombeiro, nem pertenci a nenhuma direção, nem nunca o pensei ser”, recorda. 

Para Agostinho, receber esta placa, como memória dos 50 anos, “é uma sensação muito boa. Tem sempre o seu significado, mesmo sendo uma pequena lembrança, é meio século. É bom estar aqui a celebrar esta data tão importante e especial”. 

António Campos, 72 anos, Aveleda 

António Campos

António Campos tornou-se sócio em 1968, “por brincadeira” e para jogar snooker com os amigos. “Só quem era associado a esta associação é que podia vir jogar, então um amigo meu inscreveu-me e, a partir daí, nunca mais deixei de ser sócio”, afirma. 

“Nunca fiz parte da direção, mas vários amigos meus, que infelizmente já morreram, fizeram. Também já fui convidado várias vezes, mas não tinha grande vida para isto, andava entre Lisboa e Porto. Ainda assim, nunca deixei de pagar as quotas, nem de marcar presença”, recorda. 

E uma brincadeira, tornou-se numa fidelidade de mais de 50 anos. “Receber esta lembrança é muito gratificante, faz parte de nós. Poder celebrar estes 95 anos é muito importante, porque não podemos viver sem eles. São fundamentais para a nossa vida”, alerta. 

António Marques, 70 anos, Cristelos

António Marques

António Marques é sócio há cerca de 56 anos, altura em que o seu pai o inscreveu. Apesar de ser natural de Lousada, viveu em Trás-os-Montes muitos anos. Saiu de Lousada com cerca de cinco anos e regressou quando tinha 16. 

“Vim estudar para o colégio e, como gostava de jogar ping-pong, e o único sítio onde tinha essa possibilidade era aqui, o meu pai veio inscrever-me. A partir daí, fui para o Ultramar e mantive sempre as quotas em dia”, recorda. 

Nunca foi bombeiro, mas “faço parte dos órgãos sociais e já vou no segundo mandato. Nesta altura sou o tesoureiro. Apesar das críticas que muitas vezes recebemos, o gosto por esta casa prevalecerá para sempre. Ninguém pode recusar um convite para pertencer a esta casa”, garante. 

“Receber esta lembrança é muito importante, sou meio centenário. Não tenho família nesta cooperação, mas gostava bastante e é um gosto que estou a tentar incutir aos meus filhos. Esta associação merece esta celebração, apesar das contingências devido a esta pandemia, acho que é uma data marcante no percurso desta casa”, termina. 

Manuel Esteves, 70 anos, Pias

Manuel Esteves

Tornou-se sócio na altura em que frequentava o Externato Eça de Queirós, quando teria 12 anos. Manuel Esteves sempre admirou quem luta pelo bem-estar do outro e, por isso, é sócio da AHBVL até então. 

“Sempre admirei quem luta em prol dos outros e sei que sem eles o mundo estaria muito pior. Respeito quem coloca a sua vida em perigo e por isso mesmo é que são os soldados da paz”, afirma. 

Ao receber esta lembrança, “fiquei muito agradecido, porque é sempre uma data que se deve comemorar. E é um orgulho poder celebrar estes 95 anos e poder pertencer a esta coletividade de mulheres e de homens. Sinto-me honrado”, garante. 

Manuel Ferreira, 76 anos, Boim 

Manuel Gomes Ferreira

Manuel Gomes Ferreira é sócio há 54 anos, altura em que se mudou para Lousada. “Tornei-me sócio no ano em que vim para aqui morar, sendo o senhor Joaquim Fernandes a propor-me esta oportunidade de me tornar sócio”, confirma. 

“A partir daí, nunca mais o deixei de ser. Esta é uma instituição que tem interesse para todos nós, qualquer que seja o problema que tenhamos, são sempre os bombeiros que nos vão socorrer”, explica. 

Apesar de ser sócio, “nunca prestei nenhum serviço nesta casa, tinha o tempo muito escasso”, lamenta. 

“Esta homenagem que nos foi prestada hoje é muito simbólica, nunca aconteceu, é a primeira vez, e foi bom terem-se lembrado dos sócios mais antigos. Poder estar a celebrar estes 95 anos, com saúde, é um sentimento extraordinário”, refere. 

Rodrigo Fernandes, 67 anos, Silvares

Rodrigo Fernandes

Sócio há 52 anos, Rodrigo Fernandes tornou-se sócio dos bombeiros muito cedo. “Antigamente havia aqui um salão de jogos e só podiam entrar os associados. Como eu gostava muito de jogar ping-pong, tive de me tornar sócio. Apesar de já não haver este tipo de jogos, eu continuo como sócio na mesma”, afirma. 

Foi bombeiro, mas bombeiro sapador, no Porto, durante 28 anos. “Decidi ir para o Porto, mas não sou contra o voluntariado, defendo o voluntariado, daí ter-me mantido como sócio. Sempre defendi causas, nunca virei costas aos bombeiros voluntários e estarei sempre presente, continuarei aqui associado”, garante. 

“Receber esta medalha é uma sensação incrível. Nunca esperei que uma direção o fizesse, deixa um sócio feliz e agradecido por se lembrarem de nós. Quando recebi a carta para estar presente senti-me muito feliz, nunca imaginei que ia receber uma lembrança. Vai ficar para a vida”, assevera. 

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