por | 24 Jun, 2021 | Opinião, Pedro Amaral

“Os municípios representam a variedade contra a unidade e a irradiação da vida política contra a centralização.” Alexandre Herculano

Opinião de Pedro Amaral

Em 15 dias, a vida política portuguesa passou do absoluto marasmo a uma total efervescência mediática. No entanto, cada vez mais se sente a tendência para as notícias relativas a questões da política autárquica. Nos últimos dias, Lisboa, Medina e os candidatos socialistas à Câmara do Porto fizeram as delícias da comunicação social. 

Como tive oportunidade de escrever na edição anterior sente-se o país em piloto-automático em direcção às autárquicas… uma espécie de velocidade cruzeiro rumo aos diversos embates que localmente se farão sentir este Outono. 

Embates que, não só vão marcar a vida de cada um de nós enquanto munícipes e fregueses (nos respectivos municípios e freguesias), mas vão também naturalmente influenciar o status quo político nacional que actualmente se perpetua nos corredores dos Palácio e Palacete de S. Bento. 

Quanto a mim, tal como Alexandre Herculano, continuo a considerar o poder local, corporizado na tradição municipalista portuguesa, a mais bela manifestação da democracia popular que podemos encontrar. 

Essa tradição autárquica permite-nos participar, discutir, influenciar e decidir directamente o essencial da nossa vida cívica e social, contrastando não só com centralismo estadual, mas também com o seu extremo oposto, a fragmentação federativa/regional, modelos opostos que ultimamente tão próximos parecem estar do pensamento da esquerda. 

Esta fórmula de governo local torna-se tão mais importante no caso de Concelhos como Lousada. Que, pese embora a proximidade de grandes centros urbanos como sejam (no nosso caso) o Porto, Guimarães ou Braga, vive e reconhece muitos dos problemas de um país bicéfalo, focado sobretudo no peso demográfico, social e cultural das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. No combate a essa centralização, releva imenso o papel de municípios como o nosso.

Nesse seguimento, importa mais do que nunca, para os municípios como Lousada, ter visão estratégica e, sobretudo, rasgo de futuro relativamente ao papel, preponderância e projecção do concelho a nível nacional.

Lousada já o soube fazer, por intermédio de ilustres personalidades lousadenses do passado, mas é hora de acreditar que é possível voltar a fazê-lo!

Numa nota mais actual, porque a política local se faz, no nosso caso, da experiência da nossa querida Lousada, denoto com especial orgulho, a forma entusiástica como decorreu, na passada semana, a apresentação pública dos 14 candidatos a presidentes de junta, da mandatária da coligação e do candidato à Câmara Municipal da Coligação PSD/CDS para o embate autárquico que se aproxima. Um excelente começo para ajudar a marcar o ritmo do futuro próximo.

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