Os direitos LGBTQIA+ foram o tema da conversa de dia 19 de Junho, na Livraria Puroflow. Inserida no âmbito da série de debates temáticos Bloco de ideias, organizada pelo Bloco de Esquerda de Lousada, a iniciativa Lousada de todas as cores contou com a moderação do aderente do BE Lousada Edgar Gonçalves e a participação da deputada do Bloco Maria Manuel Rola, do defensor dos direitos LGBTQ+ Gerson Moura, da ativista Patrícia Martins, da investigadora e ativista feminista Liliana Rodrigues e do ator Gonçalo Oliveira.
A conversa começou pela abordagem pessoal da temática da autoaceitação, de como esse processo é influenciado pelo meio social e, por sua vez, molda e afeta a autoconfiança e o reconhecimento das pessoas da sua própria identidade. Daqui se partiu para discutir o peso da discriminação no percurso de autodescoberta e nas experiências sociais das pessoas LGBTQ+, que muitas vezes tem um efeito destrutivo da autoestima de jovens LGBTQ+ que potencia a exclusão social. E foi a falar das experiências de se assumir – coming out – para a família, amigues e pessoas de diversos meios sociais e do contraste entre esses meios – das famílias que cortam relações a amigues que se revelam como grande suporte – que se conclui uma primeira parte focada nas experiências pessoais do painel.

Seguindo-se a perspetiva académica e a experiência legislativa, foram sublinhadas questões como a importância da representatividade no espaço público da comunidade LGBTQ+ no processo de autoaceitação das pessoas LGBTQ+ e na normalização social de diversas identidades de género ou sexuais; o contraste entre a evolução no reconhecimento de direitos LGBTQ+ na lei e a evolução da aceitação e reconhecimento sociais das pessoas LGBTQ+, que se concluiu ser muito significativo pela violência e exclusão ainda sentidas; a problemática das terapias de conversão e a necessidade de as proibir; a importância da educação como meio para formar para a igualdade, para antidiscriminação e para o reconhecimento dos jovens da sua própria realidade identitária.
Atingindo-se a temática da interseccionalidade, discutiu-se em particular como o capitalismo em geral e muitas empresas em particular têm procurado apropriar-se da causa LGBTQ+, no sentido de mercantilizar uma luta por direitos humanos fundamentais que é demasiado fundamental para ser objeto de exploração para ganho económico de quem tantas vezes no passado ignorou as dificuldades das pessoas LGBTQ+.
Terminou a sessão com uma declaração da agenda próxima de iniciativas do Bloco sobre direitos LGBTQ+, com ações ou sessões a decorrerem entre os dias 25 e 27 de Junho em vários concelhos do distrito do Porto.
“Do tanto que ainda há por fazer, fica a ideia: é com estas iniciativas que se vai aproximando o progresso social das conquistas legais já conseguidas. Assim, a conversa e a luta continuam!”, termina o partido.











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