por | 30 Jun, 2021 | Cultura

“Como é que o Rock entrou na sua vida?”

LouzaRock – Por José Carlos Carvalheiras

Um dos conteúdos do livro LOUZAROCK – História do Rock em Lousada, que está no prelo, diz respeito a um inquérito a dezenas de figuras sociais, desportivas, políticas e culturais lousadenses. O inquérito consiste tão-somente numa questão: COMO É QUE O ROCK ENTROU NA SUA VIDA?

Quase todos tivemos, de uma forma ou de outra, um contacto marcante com a música em geral e com o rock em especial. Muitas vezes isso serviu de mote para a entrada da música nas nossas vidas: o tema forte de um filme na infância ou adolescência, um concerto inesquecível, um instrumento musical, um disco ou um CD que nos ofereceram num aniversário, etc. Aqui ficam alguns dos testemunhos recolhidos.

CARLOS SOUSA (músico e gestor de empresas)

A memória que tenho em que o rock entrou definitivamente em mim foi quando um professor de Geografia do 11.º ano me emprestou para gravar uma cassete dos Helloween (“Keeper of The Seven Keys II”). Fiquei fascinado com a banda e o álbum, as guitarradas os solos. Passei a chatear os meus pais para comprarem uma guitarra, que recebi no meu aniversário do ano seguinte. Esse álbum ainda hoje me acompanha para todo o lado no meu carro não canso de ouvir juntamente com o “Appetite for Destruction”, dos Guns ‘n’ Roses.

RUI DÂMASO GOMES (músico e empresário)

O bicho do Rock pegou-me quando ainda era novo, por influência do meu irmão. Recordo-me perfeitamente de ouvir com ele na rádio o Live Aid em 1985 e de ele gravar todo o concerto num gravador de fitas. A confirmação de que o bicho tinha ferrado foi em 1988, com o primeiro concerto que vi: Motorhead, Girlschool e Destruction, no Infante Sagres, Porto.

NUNO HENRIQUES (músico e arquiteto)

O primeiro álbum de rock que me lembro de ouvir foi o “The Fire Inside” do Bob Seger, tinha uns 4 anos talvez. Um grande álbum que me levou pelos caminhos do rock foi o SM dos Metallica. O meu primeiro grande concerto foi no super bock 2007, com Mastodon, Satriani, Metallica, um pé partido e duas muletas. Já numa fase mais madura conheci o stoner rock, com os Kyuss no álbum “Welcome to the Sky Valley”. Com o stoner rock veio o bichinho de formar uma banda e desde aí foi sempre a andar.

FILIPA PINTO (professora)

O rock faz parte da minha vida desde sempre, desde os tempo em que, ainda criança, em casa da minha avó materna ouvia os discos de vinil dos meus tios e depois nos tempos de faculdade não perdia um concerto na semana académica. O meu primeiro concerto de uma banda internacional foi mesmo quando era estudante universitária: Manic Street Preachers, no ano de lançamento do mega sucesso Motorcycle Emptiness. Recordei-os recentemente em Vilar de Mouros em 2019. Contudo, o primeiro grande concerto num estádio com milhares de pessoas foi em 1995, no Estádio de Alvalade. A minha paixão eram os Bon Jovi, mas adorei os Van Halen e Ugly Kid Joe.

CARLA RAFAEL (estilista)

O rock entrou na minha vida quando aos 13 anos descobri os Led Zeppelin. Tal como na moda, na arquitetura, no cinema, gosto de construções elaboradas, bem pensadas, nada feitas ao acaso, por isso a música para me encher a alma passa pelo rock. Tem que ter guitarra, baixo, bateria e de preferência uma bela voz masculina. Dizem que na adolescência o nosso cérebro cristaliza um determinado estilo de música com o qual nos identificamos até ao fim da vida, acredito que assim seja porque ainda hoje quando ouço um bom rock sou plenamente feliz.

NELSON OLIVEIRA (vereador da CM Lousada)

O Rock entrou na minha vida ao som de Queen. Decorria talvez os anos de 1992 e tenho a memória de me oferecerem o CD duplo “Live at Wembley 86”. Depois de o ouvir fiquei admirador da sonoridade, do estilo Rock e da voz inconfundível de Freddie Mercury. Ainda hoje é dos concertos que mais gosto e contribuiu decisivamente para eu ser um fã incondicional de Queen, levando-me a comprar, ao longo dos anos, todos os CDs lançados pela banda britânica, inclusive alguns DVDs raros.

EUGÉNIO LEAL FERNANDES (advogado)

Era criança de tenra idade, vivia no lugar de S Domingos, Cristelos, e a família Almeida, (pai do Nuno e da Ziza) foi morar para uma casa mesmo em frente. À sexta- feira O Baco ensaiava na garagem dessa casa, e eu mesmo sem querer ouvia as suas músicas. Também me recordo, pela mesma altura, de ouvir os Pink Floyd num cartucho que introduzia no carro do meu pai (era enorme, mas ouvia-se bem).

CARLOS MANUEL NUNES (vice-presidente Coop. InovLousada)

O rock entrou na minha vida por volta dos 15 anos. Na altura, era comum ouvir música, entre colegas, numa sala dedicada à associação de estudantes, da qual fazia parte. A memória (boa) leva-me aos temas “Don’t Cry”, “November Rain”, “Knockin’ On Heaven’s Door”, entre outros, da banda Guns N’ Roses, muito impulsionados pelo lançamento dos álbuns Use Your Illusion I e II. Outras bandas também marcaram a minha juventude. Vou apenas referir The Doors, com o “saudoso” James Morrison, mais conhecido por “Jim”. Aqueles tempos da associação de estudantes foram fantásticos, em diversos domínios, mas o evento que porventura mais marcou o meu contacto com o rock foi o festival de música “Vilar de Mouros”, em 1996, numa edição de regresso do festival àquela vila minhota após a última edição ter acontecido em 1982. Foi um festival “mítico”, por isso marcante.

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