É um nome inconfundível da sociedade e da política lousadense. José Santalha nasceu em Ponte de Sor, Portalegre, em 1955, e com cinco anos mudou-se para Lousada, tornando-se um lousadense de coração até hoje. Foi professor, desempenhou diversas funções na política lousadense e nas diversas associações e, atualmente, é o Presidente da Concelhia do Partido Socialista de Lousada.
Pessoa afável e disponível, como se define, José Santalha acredita que está “sempre disponível para os outros” e para aquela que há muito considera ser a sua terra: Lousada. De Norte a Sul, fruto de ser filho de um membro da Guarda Nacional Republicana (GNR), nasceu em Ponte de Sor, seguiu para Bragança, e, com cinco anos, firmou-se em Lousada.
“Sou um lousadense de coração há 61 anos”, orgulha-se. “Fiz o 1.º ciclo em Lousada, o 2.º ciclo na Gomes Teixeira, no Porto e, depois, ingressei no 3.º ciclo na Escola Industrial de Penafiel, no curso de Formação de Eletromecânico, que era um curso importantíssimo em termos de qualidade de formação e em termos de mercado de trabalho”, conta.
Seguiu estudos na Secção Preparatória para Institutos Industriais (SPI), o equivalente ao atual Ensino Secundário. Terminado esse curso, ingressou no Instituto Superior de Engenharia do Porto, no Curso de Eletrotecnia.
Professor e dirigente escolar
Em 1978, dá-se a sua entrada no ensino quando foi convidado para ser professor de desenho no Colégio Eça de Queirós “Foi uma experiência muito enriquecedora e apaixonei-me completamente pela profissão”, reflete.
“Em Lousada não existia a Escola Secundária, tinha apenas o Eça de Queirós, um colégio particular. Na altura discutia-se e reivindicava-se uma Escola Secundária. O Ministério da Educação entendeu que haveria condições para avançar com uma escola desde que o colégio estivesse disponível para encerrar. Não foi simples, mas decidiu-se encerrar”, conta.
Foi aí que começou a concorrer a diversas escolas, tendo passado por Lordelo (Paredes), Felgueiras e Lousada, onde ingressou no conselho diretivo. “Fui-me mantendo por Lousada e acabei por fazer a profissionalização em Educação Visual e Tecnológica, onde fui professor até sair para ingressar no município como vereador, em 1999”, refere.
“Aceitei ingressar as listas com a condição de ser vereador a meio tempo, para não abandonar o ensino, mas efetivamente vi que não tinha tempo para tudo.”
Exercer as duas funções nem sempre foi fácil e José Santalha acabou mesmo por abandonar o ensino. “Custou-me bastante. Aceitei ingressar as listas com a condição de ser vereador a meio tempo, para não abandonar o ensino, mas efetivamente vi que não tinha tempo para tudo”, lamenta.
“Há uma história, enquanto elemento do conselho diretivo e enquanto professor, que esteve relacionada com a criação da Escola EB 2,3 de Caíde de Rei, onde me foi prometido um processo disciplinar, mas que depois acabou por não ocorrer: No último mandato do Sr. Amílcar Neto, o Sr. professor Trigo negociou com o Ministério da Educação a localização de mais uma escola. Tínhamos apenas a Escola Preparatória de Lousada, que já era insuficiente para a população jovem que Lousada tinha”, conta.
E acrescenta: “A EB2,3 tinha capacidade para cerca de 500 alunos e na altura tínhamos o dobro. Ocupávamos tudo com salas de aula. Então, um dia, os diretores de turma convocaram toda a gente para uma reunião com os pais, para o mesmo dia e para a mesma hora. Na sequência disso, a comunicação social também apareceu. O conselho diretivo, ao qual eu fazia parte, deixou-os entrar. Fui chamado ao Porto, pela Coordenação da Área Educativa, e a ‘prenda’ pelo ato foi um processo disciplinar, que depois acabou por não avançar”.
“O que é certo é que o processo da escola acelerou e com a ajuda do município resolveu-se o problema da construção da Escola de Caíde”, confirma.
Acredita que deixou boas marcas naquilo que foi a sua vida no ensino e “meço-as pela relação com que fiquei com os meus alunos e que mantenho: uma relação de amizade e de parceria. Em termos pedagógicos, acho que fiz um trabalho interessante, embora a partir de determinada altura tivesse poucas turmas, porque tinha o meu tempo direcionado para o conselho diretivo. Acho que as marcas que deixei foram de uma pessoa empenhada, disponível e aberta”, reflete.
Entrega à política
Sempre envolvido nas causas sociais, a política foi entrando na sua vida naturalmente. “Lembro-me do 25 de abril de 1974 como se fosse hoje. As questões sociais preocupavam-me bastante e era uma coisa que já mexia um bocadinho comigo. Quando soube a notícia foi delicioso, foi uma notícia muito agradável. Ainda não sabíamos o que vinha aí, mas fizemos uma festa”, lembra.
“Como filho de um militar da GNR tinha regras muito rígidas. Em 1972/73, houve um famoso comício/debate promovido pelo PC e que, aproveitando as minhas deslocações para Penafiel, andei a distribuir uns manifestos desse comício e, no dia, fui impedido de sair de casa pelo meu pai, porque ele previa e imaginava que aquilo ia dar para torto. E em boa hora o fez, porque de facto aquilo correu muito mal”, conta.
“Tentei ver onde cabia, onde as minhas ideias se encaixavam e, de facto, ainda hoje reconheço que soube escolher.”
Não se tornou militante do Partido Socialista em 1974, mas acabou por fazê-lo mais tarde. “Tinha-se formado o Partido em Lousada recentemente e acabei naturalmente por o integrar. Tentei ver onde cabia, onde as minhas ideias se encaixavam e, de facto, ainda hoje reconheço que soube escolher”, assevera.
“Estive sempre muito direcionado para a política local. Estive, estou e estarei”, assegura, acrescentando que “o Partido Socialista é muito mais do que os militantes. Aliás, a militância do Partido Socialista é uma coisa que nunca me preocupou. Prefiro os simpatizantes com qualidade que maus militantes. A militância é importante, porque não há partido sem militância, mas, de facto, é muito importante e tem muito peso dentro do partido e na postura do partido as pessoas que se identificam com a linha programática do PS, e são muitos em Lousada”.
Atualmente, assume o cargo de Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Lousada, que chega este ano ao seu limite de mandatos.

“É o último mandato que faço. Fui sempre direcionado para a política local, mas acho que não sou só eu, toda a gente no Partido Socialista foi sempre direcionada para a nossa terra, para Lousada, e empenhados na nossa terra. Nunca fomos uma concelhia submissa às diretivas nacionais. É evidente que temos regras e temos de as cumprir, mas a nossa primeira prioridade foi sempre Lousada”, testemunha.
Eleito vereador da Câmara Municipal de Lousada em 1993, acompanhou Jorge Magalhães nos sucessivos mandatos à frente da autarquia lousadense, sendo também seu chefe de gabinete até 2013. Cumpriu, ainda, um mandato como assessor de Pedro Machado, de 2013 a 2017.
Os desafios foram “vários” e, particularmente, “nos primeiros anos”. “Desafios interessantes, porque tínhamos muito para fazer, muito para crescer, muito para desenvolver, muito para pensar. Foram distribuídos os pelouros e a mim, entre outros, competiu-me o pelouro dos armazéns e oficinas. Um dia, o diretor do departamento convidou-me para ir ver as instalações que tínhamos. Entrei, olhei e a minha primeira reação foi dizer ‘vou-me demitir, amanhã já não venho’, porque tínhamos umas instalações miseráveis, estávamos no ponto zero”, conta.
“A partir daí foi sempre a trabalhar, sempre a pensar em Lousada e nos lousadenses, a colaborar com o crescimento da nossa terra, a criar infraestruturas importantes e, neste momento, sinto-me realizado, satisfeito, porque acho que Lousada é uma terra com qualidade de vida, uma terra moderna, uma terra onde se vive bem e uma terra onde é agradável estar”, comenta.
Por fazer, acredita que ficaram apenas dois projetos. “Ainda sinto isso e hoje está a ser resolvido de uma forma diferente daquela que eu tinha projetado, até porque os tempos são outros, que foi a central de camionagem. Correu tudo muito bem, o terreno foi definido, o que não correu bem foi garantir financiamento para prosseguir. Esse projeto não consegui concluí-lo”, lamenta.
“E houve outro, que não era um projeto meu, inicialmente, mas tentei ajudar a implementar, que foi um Centro de Exames de Condução. Lousada decidiu candidatar-se e ganhamos. Foi selecionado o terreno, foi aberto concurso, foi adjudicado, mas, entretanto, houve uma mudança de governo e morreu o projeto”, revela.
Comprometido com as associações
Sempre disponível para as associações, começou por ser atleta da Associação Desportiva de Lousada, como lateral direito “muito fraco”, brinca, acrescentando “o titular do lugar era o meu grande amigo Dr. Mário Fonseca”.
A par disso, é sócio de muitas outras associações e pertenceu aos órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada, onde já exerceu o cargo de diretor, vice-presidente da assembleia e, atualmente, presidente da assembleia, da Associação Desportiva de Lousada e da Associação de Cultura Musical de Lousada.
Admite que gostou de estar em todas as associações, “porque sempre que estou a trabalhar para Lousada estou feliz”, mas nutre um sentimento especial pelos Bombeiros Voluntários, “porque é uma associação humanitária e entrei numa altura em que estávamos muito mal, não havia dinheiro, o parque de viaturas era curto, as viaturas já tinham uns anos, o quartel estava em obras e não havia financiamento. Felizmente correu bem e conseguiu-se que a CCDR nos financiasse. Havia muito para fazer e conseguimos”, orgulha-se.

“Todas as associações são importantes, todas nos trazem motivações, mas os bombeiros trazem-nos claramente uma motivação extra, porque é um sítio em que as pessoas estão a prestar um serviço à comunidade de forma gratuita, pondo em risco permanentemente a vida deles. É muito aliciante trabalhar nesta associação”, refere.
Na Associação Desportiva de Lousada, esteve ligado ao departamento juvenil, às equipas de iniciados e juvenis. “Fui atleta e diretor das camadas jovens e pertenci ao conselho fiscal durante um mandato”, lembra. Na Associação de Cultura Musical de Lousada, cumpriu um mandato como diretor.
“Só vou parar quando for obrigado, porque acho que temos obrigação e somos intervenientes da sociedade em que vivemos.”
Garante que continuará a estar envolvido com as associações e com a sociedade lousadense e que só irá parar “quando for obrigado a parar, porque acho que temos obrigação e somos intervenientes da sociedade em que vivemos. Acho que todos temos obrigação de participar ativamente na sociedade”.
Questionado sobre se cumpriu a sua missão, acredita que na política “nunca se cumpre a missão, porque há sempre alguma coisa para fazer, mas atingimos a maioria dos objetivos. Não é objetivo primordial ganhar eleições, mas a medição é feita por aí e, é um facto, que enquanto presidente da concelhia, vencemos sempre as eleições autárquicas”.
“Mas é evidente que não vale a pena dizer que o mérito é do Presidente da Concelhia, pelo contrário, o presidente faz parte da equipa e o mérito é dos candidatos que apresentamos. Em todas as eleições, e por isso é que defendo muito a sociedade, todas as nossas candidaturas emergem da sociedade civil, sempre candidaturas de projeto e não de partido. Portanto, o mérito não é meu. O mérito é dos nossos candidatos”, esclarece.
A longo prazo, e enquanto a vida o permitir, só sonha em acompanhar o percurso dos seus netos, “o mais fundamental que tenho na minha vida”, termina.












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