LouzaRock por José Carlos Carvalheiras
Chama-se SPITGOD a mais recente banda com edição nova na região. São de Paços de Ferreira mas costumam ensaiar em Lousada, na sala da LSD Bookings. Dos SPITGOD faz parte o já experiente, mas ainda jovem lousadense, Carlos Sousa, mais conhecido por Cafi, que também faz parte dos Sun Mammuth.
Além de Cafi (viola-baixo), a banda pacense é composta pelos irmãos Telmo (guitarra e voz) e Beatriz Cruz (bateria), e Kiko Rurelas (guitarra).
O tema de estreia dos PITGOD chama-se Black wine glass e convidamos três avalizados especialistas em rock progressivo para uma análise crítica.
RUI LOBO (CRÍTICO MUSICAL):
Potencial de crescimento
Tive que ouvir três vezes a musica para tentar ter uma precessão onde podia encaixar este estilo de música Tem alturas que estou a ouvir hardcore depois Thrash Metal, tem solos de guitarra do Speed Metal. Na minha opinião pode-se catalogar assim: baixo e bateria são Thrash Metal (gosto), guitarra é Speed e Heavy Metal (gosto) e a voz a puxar para Dead Metal (também gosto).
Na minha modesta opinião, acho que deviam dedicar-se a um único estilo de música, pois em tempos os Sepultura tentaram fazer o mesmo no álbum Roots e depois no Against e na minha opinião começou aí a decadência do grupo.
Spitgod tem bons elementos e, sublinho novamente, acredito que se optassem, nem que fosse um tema, só tocar dentro de um único estilo talvez obtivessem um resultado muito bom, pois acho que tem bons músicos e com potencial de crescimento. Só tem que encontrar onde se encaixam melhor e desejo que tenham um futuro brilhante. Na música resulta encontrar o caminho certo e não misturar todos os estilos e ver o que vai sair.
DEODATO BARBOSA (GUITARRISTA):
Atitude bem vincada
Os SPITGOD para mim são desde logo tudo aquilo que uma banda necessita ter e fazer para crescer e ir longe. O seu poderoso som, faz-nos viajar pelo universo num misto de adrenalina e a vontade louca de entrar num “Wall of death”.
É, sem dúvida alguma, uma banda com uma atitude bem vincada e uma inconfundível identidade quer visual, quer sonora. O tema “Black Wine Glass” revela-nos todas essas características, que na minha opinião, mostra a maturidade de uma banda que, embora jovem, promete. As frases, os motivos, os licks e a forma como se harmonizam, são exemplo disso e não nos deixam de todo indiferentes.
Este tema revela-nos como os SPITGOD conseguem beber inspiração em bandas como Sodom ou Sepultura e serem originais, numa atualidade em que dá a impressão que tudo já foi inventado, mas “Black Wine Glass”, prova-nos o contrário. Gostei muito e aconselho a seguirem esta banda.
CARLOS A. RICHTER (COMPOSITOR):
Cocktails metálicos
Começo esta minha análise com um grande aplauso para a baterista, Beatriz Cruz. Já tinha ouvido falar dela, mas nunca tive oportunidade de ouvir. Gosto da sua técnica, tem punch e kick, como dizem os mais novos. Mas seria injusto não salientar o virtuosismo desenfreado dos homens das cordas, autênticos cavaleiros do som ultra metálico, que me parece uma simbiose entre o Thrash e o Speed Metal. Até aqui eu vou, ou seja, ouço. Mas quando se trata de Dead Metal, com licença, é demais e acho que é por isso que esta banda não me satisfaz plenamente. São gostos, pronto.
Mas, atenção, estes Spitgod, que o Carvalheiras me dá a conhecer, são claramente (mesmo não os conhecendo) aquele tipo de executantes, que já sabem tanto, mas tanto, que misturam tudo e querem fazer cocktails metálicos, talvez à procura de uma marca própria, de uma sonoridade que os identifique e com a qual eles próprios se identifiquem. Misturar estilos oriundos do Heavy Metal, como aqueles que referi atrás, é típico de quem está a trilhar caminhos virgens ou a garimpar ouro. Este tema, Black Wine Glass, é poderoso e acima de tudo tem muita promessa e uma mensagem de que vem aí mais. É aguardar. Bem hajam!












Comentários