Hugo Santos nasceu em 1979 e passou a sua infância e adolescência na terra que ama, Lousada. É apaixonado pelo hóquei e tem pautado a sua vida pela entrega à modalidade. Para além da ligação ao clube da sua terra, foi Diretor Técnico da Federação Portuguesa de Hóquei, função que cessou recentemente.
A sua primeira casa foi no Loreto, onde esteve cerca de 11 anos, tendo-se mudado para a Boavista posteriormente. Nasceu no seio de uma família numerosa, “os Carvalheiras e os Severa”, e, por isso, cresceu com a companhia dos primos, “a jogar hóquei e futebol, a nossa infância foi fazer brincadeiras e asneiras”, conta.
Recorda que teve uma infância “muito boa” e leva consigo “recordações felizes”, expressa. Ao ingressar na faculdade licenciou-se em Educação Física, Saúde e Desporto, “porque desde muito novo que comecei a ter o gosto pelo desporto, mas também tive sempre uma paixão para ser professor, talvez por ter muitos primos e ser dos mais velhos”, explana.
“Desde muito novo que comecei a ter o gosto pelo desporto, mas também tive sempre uma paixão para ser professor.” TT
A paixão pelo hóquei já vem da geração anterior, uma vez que “todos os meus tios jogaram hóquei e o meu pai também teve uma passagem rápida pelo hóquei”, comenta. Começou aos oito anos e nunca mais parou.
“O gosto começou a aumentar quando começamos a ganhar mais títulos e quando comecei a ser chamado à seleção nacional”, lembra. Hugo Santos acredita que ganhou muita coisa com hóquei: “conheci muitos sítios e muitas pessoas, viajei muito e trouxe-me a minha família desportiva que é fantástica”.
Carreira marcada por diversas experiências
Ao acabar o curso, Hugo Santos realizou um estágio profissional. “Tinha duas turmas, era pago como um professor normal, tive logo uma visão do que realmente era ser professor”, explana.
Após concluir o estágio, o professor esteve um ano parado e depois surgiu a oportunidade de ingressar nas Atividades de Enriquecimento Curricular (AECS), onde esteve seis anos a trabalhar. Sem oportunidade para continuar, Hugo Santos teve de optar por outros caminhos.
Desde muito cedo ajudou os pais no restaurante, passou por barman e fez “um bocado de tudo”. Quando saiu das AECS, Hugo começou a explorar o Bar do Conservatório de Música do Vale de Sousa, onde esteve dois anos até transitar para a área da confeção. Após este longo caminho, Hugo Santos decidiu emigrar durante um ano.
A sua experiência em Inglaterra foi “fantástica” e acredita que foi das poucas em que “senti que as pessoas ficaram agradecidas pelo meu trabalho”. As coisas pela sua nova casa começaram a correr bem e acabaram por lhe oferecer um lugar efetivo. Porém, depois de receber a proposta, Hugo e a família voltaram para a terra natal.
Apesar de pouco tempo, marcou pela diferença e construiu um caminho cheio de novas experiências. “Enquanto estive lá também trabalhei com pessoas com deficiência, o que me deu um empurrão para trabalhar em Portugal com uma equipa de pessoas com deficiência intelectual”, conta.
A experiência permitiu-lhe sentir-se “gratificado e orgulhoso por ser português, porque nós temos um poder de trabalho e de sacrifício impressionante. Os meus chefes chegaram-me a dizer que eram incapazes de fazer o que nós, portugueses, fazemos. Sair do nosso país e ir para um sítio completamente diferente”.
Ainda na Inglaterra, jogou e treinou numa equipa de hóquei, que apesar de ser uma equipa de quarta divisão, lembra-a com muito carinho e como uma equipa muito familiar. “Comecei a jogar e, aos poucos, a treinar. A minha mulher começou também a jogar e começou a ter sucesso”, o que fez com que fossem bem recebidos e, “quando viemos embora, as pessoas não queriam e disseram-nos que se alguma coisa corresse mal podíamos voltar que as portas estavam sempre abertas para nos receber”, conta.
Entrega ao Hóquei
De regresso a Portugal, ingressou na Federação Portuguesa de Hóquei, onde permaneceu durante sete anos. “Comecei como secretário técnico, durante quatro anos, e passei para Diretor Técnico Nacional, durante três anos”. Durante este período, Hugo deixou por completo o Hóquei de Lousada.
“Organizei europeus, conheci pessoas de todos os cantos do mundo. Fez-me crescer como profissional e também como lidar com pessoas”, afirma Hugo. Recebeu um convite por parte do Diretor Técnico, que na altura estava a exercer funções, “para começar uma equipa de para-hóquei”. Ao aceitar este novo desafio, “consegui dois títulos europeus e, mais do que isso, consegui o respeito europeu perante uma equipa portuguesa de hóquei”, lembra com orgulho.
Pela equipa de Lousada, o jogador já deu muito. “Quando estava a estudar no Porto, recebi muitos convites para ir jogar para outros clubes, mas não aceitei nenhum, porque quando temos um Ferrari, não o devemos abandonar”, conta. O professor considera que o campo sintético que foi dado pela Câmara a este clube “é um luxo e a melhor resposta, em forma de agradecimento, que poderíamos dar era produzir atletas e dar títulos ao clube e à vila”, afirma.
Enquanto jogador, tem oito títulos de hóquei em campo, 10 de hóquei de sala, “alguns títulos nas camadas mais jovens e já fui considerado o melhor atleta do ano”, enumera. Enquanto treinador da equipa feminina, o professor conseguiu dois campeonatos nacionais, venceram taças de Portugal e jogaram na liga dos campeões.
“Trabalhei muito por amor à camisola, tenho uma paixão enorme por este clube e nunca consegui esconder.”
“Trabalhei muito por amor à camisola, tenho uma paixão enorme por este clube e nunca consegui esconder”, revela. Dentro do clube, já passou por todas as funções: “jogador, treinador e diretor. Quando era miúdo, ia ajudar a marcar o campo, onde agora é o parque urbano. E também já arbitrei”, deixando para trás um caminho longo e com marcas importantes para este clube que tanto se orgulha.
Ao deixar a Federação, o professor não perdeu tempo e voltou ao clube que o viu nascer. “Vim com umas saudades enormes de jogar, mesmo que as pessoas me digam que já está na hora de deixar outros jogarem, o gosto de me sentir útil e de poder estar em campo, nem que seja durante 15 minutos, fez com que voltasse a jogar”, revela.
Atualmente está a treinar a equipa sénior, “a convite do diretor e, ao mesmo tempo, juntamente com Sónia Oliveira e Pedro Valinhas, montarmos uma organização dentro do Lousada para realizarmos um projeto que é irmos às escolas captar miúdos”, realça, referindo que este será um dos grandes objetivos e um dos maiores desafios.
Com uma vida ligada ao desporto, “gostaria de ajudar a população de Lousada a ser mais saudável. É um dos objetivos e sei que vou conseguir”, ressalva. O professor acredita que com as infraestruturas existentes, Lousada consegue ter atletas de sucesso, “não só no hóquei, mas nas modalidades que temos, as escolas deviam ter esse papel, tendo em foco principal as modalidades que aqui estão envolvidas”.
“Está na hora de começarmos a produzir talento, quer a nível de desporto regular, quer a nível de desporto adaptado, temos tudo para termos sucesso”, termina.












Muitos parabéns, Hugo Santos!
Um Currículo com um amor ao desporto amador muito especial.
Pessoa certa no lugar certo.pena ser tao tarde.mas ainda vai a tempo.
Pessoa certa