Opinião de Maria Neto
A alimentação e o ato de nos alimentarmos são imbuídas de significados culturais. A noção coletiva sobre a alimentação vegetariana tem vindo a ser ajustada, no decorrer dos últimos anos. Oriunda, em parte, à crescente preocupação centrada na saúde, na ecologia e nos direitos dos animais, bem como, devido ao aumento da diversificação da oferta e da evidência cientifica.
Os termos desporto e vegetarianismo foram considerados incompatíveis, durante um longo período de tempo. Porém, adequar a alimentação à prática desportiva requer planeamento e conhecimentos sobre nutrição.
Em voga, na alimentação de base vegetal e na consciencialização para a necessidade da atividade física, promotores de saúde, bem-estar físico e mental, urge a necessidade de compreender a evidência científica sobre tal. Para a alimentação vegetariana ser nutricionalmente adequada, é premente o aporte suficiente e biodisponibilidade de alguns nutrientes, como a proteína, ácidos gordos ómega-3, vitamina B12, cálcio, ferro, zinco, iodo e vitamina D, bem como, o valor energético. Deste modo, é preponderante assegurar a prevenção de carências nutricionais e, consequentemente, a otimização do estado nutricional e do rendimento desportivo, garantindo o aporte energético adequado às necessidades/objetivo do atleta. Para os praticantes de atividade física que seguem este padrão alimentar, adita a relevância da adequação da ingestão de hidratos de carbono e, também, de fluídos.
Apesar de, se asseverarem benefícios da alimentação vegetariana na saúde, os estudos realizados até ao momento, no que concerne à performance em atletas com uma alimentação vegetariana, comparativamente com a alimentação omnívora, parece não haver superioridade referente à alimentação vegetariana.
Escolher uma alimentação vegetariana ou de base vegetal é um passo que implica uma mudança consciente, dos benefícios e riscos que acarreta, se não for efetuada da melhor forma, ou seja, ajustada e adequada. A alimentação vegetariana é uma opção válida para e na prática desportiva. Porém, tal como uma alimentação omnívora, deve ser adequada ao atleta e monitorizada por um profissional da área da nutrição, sendo crucial o planeamento e precaução na sua adoção, por forma a não conduzir a carências nutricionais e, consequentemente afetar negativamente a performance desportiva.












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