por | 10 Nov, 2021 | Louzadense com Alma

José Casanova Peixoto Ribeiro de Queirós: o último monárquico na Assembleia Municipal

Aparentado com ilustres famílias deste concelho, José Casanova Peixoto Ribeiro de Queirós era filho de um dos mais destacados médicos louzadenses da primeira metade do século XX, Dr. José Felisberto Ribeiro Peixoto de Queirós, e de D. Carmen Casanova. Pessoa afável e de fino trato, era conhecido da generalidade da sociedade local, onde as pessoas das suas relações mais próximas o tratavam carinhosamente por Zezé Queirós. Era dotado de um nobilíssimo carácter onde a simpatia e a cordialidade se destacavam sobremaneira. Também os íntegros princípios ideológicos e religiosos sobressaiam na sua forma de estar, tornando-o numa das figuras públicas mais estimadas nos meios da urbe e da plebe louzadenses.

Zezé Queirós nasceu em 3 de julho de 1934, na rua visconde de Alentém, na vila de Lousada. Ficou órfão de mãe aos 6 anos e de pai aos 21. O médico José Felisberto Ribeiro Peixoto de Queirós faleceu em 28 de Março de 1956 na sua residência, à Rua Visconde e Alentem, desta vila, contando apenas 56 anos de idade, altura em que exercia o cargo de Delegado de Saúde de Lousada.

Seguindo-lhe as pisadas nas instituições locais, também o seu filho foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Desportiva de Lousada e Mesário da Santa Casa da Misericórdia, assim como dirigente da Assembleia Louzadense e dos Bombeiros Voluntários de Lousada.

Na sua juventude, Zezé Queirós patenteou excelentes dotes de automobilista e de motociclista tendo feito furor na sua época com uma lambreta que em Lousada foi uma referência.

Estudou no Liceu de Guimarães, no Colégio Eça de Queirós (em Lousada) e no Liceu D. Manuel II (Porto), tendo neste último convivido com Francisco de Sá Carneiro, que viria a ser primeiro ministro de Portugal, e com Miguel da Veiga, figura prestigiada do PPD. Frequentou a Faculdade de Economia do Porto, onde a lacuna de vocação o fez debandar da atividade académica.

Era sua esposa a Prof.ª Lígia Maria de Andrade Alves Ribeiro, distinta ex-vereadora da Câmara Municipal de Lousada, com quem casou na igreja do Carvalhido, no Porto, em 25 de março de 1960. 

Era pai extremoso do advogado Dr. José Paulo Ribeiro Peixoto de Queirós, da investigadora científica Doutora Maria João Ribeiro Peixoto de Queirós, e da herdeira da Casa de Vilar, Maria do Rosário Ribeiro Peixoto de Queirós.

Era um monárquico convicto e indefectível, tendo ocupado vários lugares dirigentes da secção do Porto do Partido Popular Monárquico, no qual se filiou após o 25 de Abril. 

Na qualidade de primeiro-secretário da Assembleia Municipal de Lousada (AML) patenteou uma inexorável postura «municipalista» que honrou aquele órgão nas respetivas sessões, assim como nos atos e eventos em que foi representante municipal.  Mário Sérgio Teixeira da Cunha, que o substituiu na bancada presidencial da AML afere que “o Zezé era de uma postura e de um trato formidáveis” reiterando que “em representação da Assembleia Municipal, marcou presença em inúmeros atos públicos, com a maior mestria e zelo pelas suas funções”. Exemplo disso foi a sua última aparição pública poucos dias antes do seu falecimento, na inauguração da sede da Junta de Freguesia de Figueiras.

A sua esposa, Lígia Maria de Andrade Alves Ribeiro, destaca nele “a lealdade, a sociabilidade e os dotes de oratória”. Enaltece também “o sentido crítico e impoluto com que abordava questões sociais e institucionais, nomeadamente insurgindo-se contra o que ele chamava de secretismo e atitudes pouco ortodoxas na Santa Casa da Misericórdia onde foi irmão muito participativo e interessado”.

“Dois dos seus maiores ídolos foram o arquiteto Ribeiro Teles, que o Zezé considerava um exemplar defensor do monarquismo, e o primeiro-ministro Eng.º António Guterres”, revela Lígia Ribeiro.

Zezé Queirós faleceu, no decurso da campanha eleitoral, com 67 anos de idade, em 16 de novembro de 2001, na Casa de Vilar, freguesia de Lodares, do concelho de Lousada. 

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