Louzadenses com alma – por José Carlos Carvalheiras
No dia 3 de novembro, com 32 anos, foi ceifado da vida o político e ativista Gerson Micael de Sousa Moura. Era agente imobiliário e assistente de call center, mas a política era a sua paixão. Por isso se licenciou em Relações Internacionais, foi cronista em jornais e ativista em eventos e atos públicos, defendendo a justiça, a igualdade e a liberdade em causas ligadas à cultura, ao ambiente, aos direitos humanos e em especial ao direito à autodeterminação sexual.
Gerson Moura nasceu em Nevogilde, concelho de Lousada, em 15 de outubro de 1989, filho do empresário António da Cunha Soares de Moura e de Maria Fernanda de Sousa Gomes e irmão de Adriana Moura.
Familiares e amigos de sempre declaram que ainda jovem Gerson denotava qualidades para os princípios democráticos, para as artes e criatividade. Na vida escolar e académica revelou outras apetências, nomeadamente para o debate de ideias políticas.
Disso tive a oportunidade de constatar diretamente, dado que tive o prazer de trabalhar com o Gerson como formando da Ocupação de Tempos Livres e mais tarde como estagiário profissional, ambas as vezes na Câmara Municipal de Lousada.
Os nossos caminhos haveriam de se cruzar novamente. Em 2017 entrou para a direção a que eu presidia na associação sociocultural Vidas em Cena. À data da sua morte era o presidente da Assembleia Geral desta coletividade lousadense. Era um cargo de supervisão, mas o Gerson não se limitava a tal. Era demasiado ativista, interventivo e interessado para ficar distante da ação executiva. Por isso, propunha estratégias de ação social e cultural e estávamos prestes a reunir para tratar dos detalhes de um projeto que lhe era muito caro e que íamos incluir no plano de atividades e orçamento e candidatar ao Orçamento Participativo Jovem, mecanismo que ele muito apreciava pois era um exemplo de ativismo cívico, que tanto defendia.
Apaixonado pelos ideais de Esquerda
Tudo o que denotasse alegria era querido por Gerson. Como tal, a música era uma habitual presença na sua vida. Chegou a fazer parte como teclista da banda Gobb, formada por Cristiano Alves, segundo o qual o tema preferido de Gerson era “Nas asas de um anjo”, que a banda costumava tocar. Uma das atuações dos Gobb em público aconteceu no Festival da Juventude de Lousada, em 2009, na praça das Pocinhas.
Gerson Moura era alegre e irradiava energia contagiante em seu redor. Positivismo e resiliência eram outros dos seus inúmeros atributos. Mas, sem dúvida, o espírito democrático que emanava era a sua imagem de marca, que estava bem espelhada nos princípios e valores que defendia. Politicamente, era um acérrimo opositor do liberalismo selvagem e do conservadorismo ideológico e social. Gerson Moura defendia o progressismo aliado à intervenção do Estado para regular os mercados e minorar desigualdades económicas e fortalecer os grupos sociais e as instituições cívicas para as dotar de meios na luta contra todo o tipo de injustiças sociais. Fez carreira na Juventude Socialista de Lousada, onde foi membro do secretariado e delegado a congressos nacionais e distritais. Mas, os seus ideais eram mais consentâneos com a Esquerda progressista ou radical e, em 2020, aceitou de bom grado o convite para ser candidato às eleições autárquicas de 2021, em Lousada, pelo Bloco de Esquerda.
Era um bloquista convicto, embora nunca se tivesse filiado. Não eram declarações ou formalismos que o moviam ou compeliam a ser o que era. Ficou desgostoso com o partido, por causa do chumbo do Orçamento de Estado na Assembleia da República, mas ainda assim manteve-se firme no Núcleo de Lousada do Bloco de Esquerda.
Majestosa manifestação de pesar
A sua morte inesperada num acidente de viação ao meio dia de 3 de novembro corrente lançou na amargura e desalento não só os mais próximos como a maioria da sociedade que dele tinham conhecimento à distância. “Foi um desfecho trágico para o Gerson que era um ser inacreditável e tinha um coração de ouro como ninguém. O Gerson para além de companheiro, namorado era também o meu melhor amigo, o meu confidente e o meu porto de abrigo. Dele só posso destacar a marca que ele deixava por onde passava”, afirma o seu companheiro Ricardo Mendes, com quem tinha planos para a vida a curto, médio e longo prazo e disso dava conta amiúde com uma alegria e esperança inolvidáveis.
O funeral, extremamente concorrido, realizou-se no final da tarde de sexta-feira da semana passada e constituiu uma majestosa manifestação de solidariedade para com a família e de pesar pelo falecimento de alguém que era querido nos mais vastos quadrantes da vida social, cultural e política de Lousada.












Foi sem dúvida uma tragédia. Uma pessoa boa , simpática e com o coração maior de sempre. Tive o gosto de o conhecer e de poder privar com ele. Vai deixar saudades a todos, principalmente aos seus familiares. Que descanse em paz🙏🤍