por | 30 Mar, 2022 | Cultura, LouzaRock

Homenagem a músicos que já partiram

Em qualquer área da vida, seja pública ou privada, quando um falecimento ocorre de forma dramática e prematura, é sentido com um impacto pungente,  chocante e perturbador. Quando isso acontece no mundo da música ou das artes em geral há uma comiseração mais alargada, pois extravasa as áreas da família e dos amigos devido ao impacto nos admiradores. Muitos falecimentos prematuros de músicos mundiais foram marcantes: Jim Morrison (The Doors), Bon Scott (AC/DC), John Lennon (The Beatles), Freddie Mercury (The Queen), Kurt Cobain (Nirvana), Amy Winehouse e muitos outros. Embora sem a dimensão e idolatração de músicos consagrados a nível mundial ou nacional, o rock em Lousada já viu partir prematuramente vários músicos. Alguns de forma trágica.

Pedro Martins, mais conhecido por Pedro “Branca” (por alusão ao nome próprio da sua mãe, Branca Ribeiro) foi um virtuoso guitarrista, que  cursou no Conservatório de Música de Lousada e fez parte da Oficina de Teatro e Coral de Lousada. Com os seus amigos Vítor Caldas, Zé Diogo Novais, Vítor Caldas (bateria), Zé Diogo Novais (guitarra), Rómulo Meireles (baixo) e Ana Rita Barreto e Rómulo Meireles, fez parte da banda Broken Strings.  Em 9 de julho de 2020, com 27 anos de idade, Pedro Martins faleceu de forma inesperada no hospital de Penafiel, vítima de um enfarte agudo do miocárdio.

Natural de Cristelos, Raimundo Gomes, também tratado por «Ray», nasceu em 10 de Setembro de 1980 e faleceu em 14 de Maio de 2018.  Tocava alguns instrumentos mas essencialmente guitarra, que aprendeu sozinho e com o irmão Sérgio. O rock, a música clássica e o jazz eram os seus estilos musicais preferidos. Foi um dos mentores da banda lousadense Zero Positivo. Esta foi uma banda formada em 1998, em Cristelos, por rapazes que faziam parte do “grupo de jovens” da paróquia. Os Zero Positivo tiveram uma carreira curta (dois anos), mas suficiente para fazer dezenas de concertos em festivais, concursos, romarias e bares. O ponto alto da sua existência foi a vitória no concurso de bandas rock de Gondomar de 1999. 

Ricardo Tripa não era lousadense mas criou laços e raízes musicais muito fortes em Lousada. Ficou conhecido entre os amigos pela alcunha de “Tripa”, mas o seu nome era Ricardo Miguel Pereira Silva. Nasceu em 4 de Maio de 1975 e faleceu num acidente de viação em 20 de Fevereiro de 2005.

Iniciou os  estudos musicais na Banda Marcial de Paços de Ferreira, onde aprendeu trompete, mas também tocava bateria, instrumento em que evoluiu autodidaticamente. Explorou diversos caminhos, nomeadamente jazísticos, tendo sido músico fundador da Big Band Swing Machine, entre outros projetos no campo da música moderna portuguesa, em parceria com diversas bandas do género, como por exemplo, as bandas de Paços,  Sloppy Joe e Porta 48 e as bandas Murky Hidden e Trademark, de Lousada.  

Formou-se em Ensino e foi professor de Educação Musical em diversas escolas públicas e privadas.

Era de Nevogilde e chamavam-lhe Carlitos. Ainda a formar-se como músico, Carlos Alberto da Silva Pacheco, filho do antigo presidente da Junta de Freguesia de Nevogilde, José Luís Pacheco, faleceu em 2 de junho de 1996, com 17 anos. Os pais cedo o inscreveram na escola de música, porque queria ser professor de música e desde sempre mostrou interesse no piano. Os Guns N’ Roses eram a sua banda preferida e ainda hoje aquele que foi o seu quarto está repleto de posters de Axel Rose e companhia. Para além de manifestar interesse no ensino da música, Carlitos, como era conhecido pelos amigos, estava a ponderar candidatar-se ao curso de Direito. Além disso, pretendia continuar o seu percurso na política, encontrando-se já membro da JSD Lousada na altura do seu falecimento num acidente de trânsito, em Beire.

Com raízes familiares em Salamanca, José António de Lemos Herrero Gomes, nasceu em Moimenta da Beira, 16 janeiro de 1962. Viveu em Lousada a maior parte da sua vida, tendo ficado conhecido por Tó Herrero e fez parte do início da década de 1980 da banda Baco, onde tocava viola-baixo. Nessa época, faziam parte do conjunto o seu fundador e eterna referência, Manuel Almeida, o guitarrista Luís Gomes (Ginja), o teclista Albino Dores (Bibi), entre outros. José António Herrero faleceu, com 34 anos, em 1 dezembro de 1996.

Rui Flash foi o que se pode chamar de “one man show”. Na guitarra, no baixo e, sobretudo, como compositor, vocalista e líder, marcou várias gerações do rock lousadense. Todos lhe reconheciam um carisma invulgar e uma capacidade de mobilizar o público ao nível dos melhores em Portugal. Fez parte dos Foco (anos 70), dos Flash (anos 80), dos Alcatrão e Boca Mansa (anos 90). Chamava-se Rui Mário Silva e faleceu em 25 de Fevereiro de 2003, com 41 anos.

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