por | 3 Mai, 2022 | + Literacia, Educação

+ literacia: A coruja-das-torres que vive nos jardins da escola

Esta é a história de duas corujas-das-torres encontradas na Escola Básica de Lousada Centro. Tudo começou quando os trabalhadores envolvidos nas obras de requalificação da escola procediam ao levantamento da cobertura e começaram a ouvir barulhos estranhos, repetitivos e algo assustadores. Preocupados, chamaram ao local os professores que foram ver o que se passava e descobriram que se tratava de duas crias de corujas-das-torres. Todos ficaram felizes com esta descoberta e de imediato batizaram as duas aves, respetivamente, de: Tito e Alba. Nomes, que derivam do nome científico da espécie, Tyto alba.

As corujas no momento em que foram encontradas

Era urgente salvar as duas corujinhas e garantir a sua sobrevivência. Para tal, foi solicitada a colaboração dos biólogos do projeto BioEscola e de imediato se decidiu construir uma caixa ninho e fixá-la junto do local de nidificação. Esta equipa de professores e biólogos acompanharam o desenvolvimento das crias e até assistiram aos primeiros voos noturnos, garantido assim que este processo de transição tinha corrido bem. Mais tarde foi feita a anilhagem científica por parte de um biólogo credenciado.

As corujas na caixa ninho
A anilhagem das corujas

Durante o processo de salvamento foram recolhidas muitas plumadas que utilizámos este ano letivo para realizar atividades experimentais nas aulas de Ciências Naturais. As plumadas são bolas de regurgitação que contêm ossos e pelo dos micromamíferos que a coruja ingeriu e que depois expele pela boca. A primeira parte da experiência consistiu na dissecação das plumadas, ou seja, separar os vários elementos orgânicos que as constituíam.

Material encontrado nas plumadas
Organização do material encontrado nas plumadas

Na segunda parte da atividade experimental, identificámos os micromamíferos presentes nas plumadas através da observação dos seus crânios e dentição. Nesta tarefa, utilizámos chaves de identificação e contámos com a ajuda dos professores de Ciências Naturais e do biólogo Luís Guilherme Sousa do programa BioEscolas. Encontrámos musaranhos, ratinho-de-casa, rato-do-campo e o rato-cego.

Identificação dos micromamíferos que originaram a plumada
Identificação dos micromamíferos que originaram a plumada

Com este trabalho tivemos a possibilidade de estudar e compreender o tipo de dieta alimentar das corujas-das-torres, conhecer a biodiversidade que nos rodeia e reconhecer a importância nas corujas-das-torres no controlo de espécies que se podem tornar pragas. 

Este trabalho contou com a colaboração das disciplinas de Ciências Naturais, Cidadania e Desenvolvimento e Educação Visual e envolveu todos os alunos de 5º e 6º ano que realizaram também um trabalho escrito sobre as aves de rapina noturnas de Lousada e a sua ilustração.

Ilustração em tela das aves de rapina

Eu acho que o Tito e a Alba tiveram muita sorte em crescer na nossa escola. Mas nós também, porque agora podemos observar estas crias maravilhosas. Para mim, que sonho ser bióloga, as aves noturnas são muito especiais e acho que dão sorte, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Adorei mesmo muito poder participar neste projeto sobre as corujas e espero que todos as tratem bem.

Joana Manuel Carneiro, 5ºD, nº10

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