Casa de Vila Verde

Casa de Vila Verde – Fachada Oeste. Fonte: FREITAS, Eugéneo de Andrea da Cunha e – Carvalhos de Basto. A descendência de Martim Pires Carvalho, Cavaleiro de Basto. Porto: Edição Carvalho de Basto, vol. II, 1982, p. 53.

Acede-se a esta casa pelo Norte, através de um caminho de terra batida – após sair da estrada municipal – e a Oeste por uma alameda em arcaria, igualmente de terra batida, que tem no seu início um obelisco e termina num terreiro fronteiro à fachada principal da casa. Esta alameda é, aliás, o acesso principal.

Nos finais do século XVI, a Quinta de Vila Verde pertencia a Martim Gonçalves de Sousa, e em 1636 sucedeu-lhe o seu filho António da Cruz e Sousa. D. Maria Barbosa e Sousa, casou com Simeão Pinto de Mesquita, que foi Capitão-Mor, Fidalgo da Casa Real e Capitão de Cavalos na Guerra da Independência, comandante de uma unidade de cavalaria de Trás-os-Montes na batalha de Montes Claros; seu filho, António Pinto Mesquita foi Cavaleiro Professo na Ordem de Cristo, Capitão de Auxiliares, que por sua vez casou a 20/4/1662, com D. Ângela de Seixas Pinheiro, senhora do Paço de Carvalhosa.

Em 1697 o Dr. Bernardo Pinto de Mesquita Barbosa foi batizado em Caíde de Rei; mais tarde Bacharel pela Universidade de Coimbra e Capitão de Auxiliares do Terço do Porto, foi proprietário das casas do Paço da Carvalhosa. O seu filho Bernardo de Mesquita Pinto de Sousa de Magalhães Coelho, sucedeu-lhe na titularidade do Paço da Carvalhosa; nasceu a 16/11/1742, em Caíde e foi Capitão de Auxiliares. Fez grandes obras nesta casa, mandou construir a capela, e todo o corpo principal da casa.  Em 1776 nasceu nesta casa Frei António de Mesquita, que viria a ser monge de S. Bernardo, Abade de Cister e Procurador-Geral da sua Ordem, primeiro em Lisboa e depois no Porto até 1834. O Capitão de Granadeiros no regimento de Milícias de Basto e Cadete de cavalaria em Chaves, Francisco de Sousa Pinto Mesquita e Magalhães, nasceu em 1770 e faleceu corria o ano de 1842; foi senhor desta e da casa de Diagares (Baião). Sucedeu-lhe o Dr. Simeão Pinto de Mesquita Carvalho de Magalhães, que nasceu em 1816 e faleceu em 1882; bacharel, formado em direito, foi Fidalgo da Casa Real, Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Presidente da Câmara Municipal de Baião e senhor das casas Diagares, Paço de Carvalhosa e da Chieira que vendeu a seu primo e coirmão António Pinto de Mesquita para comprar a quinta de Vale de Cunha, em Ancede (Baião).

O Dr. António Pinto de Mesquita Carvalho de Magalhães, que nasceu em 1860, foi senhor da casa de Vila Verde por compra que fez a seu irmão Alexandre Pinto de Mesquita Carvalho de Magalhães, bacharel pela Universidade de Coimbra, advogado, Procurador à Junta Geral do Distrito do Porto, Vereador da Câmara do Porto e Governador Civil do Porto, e senhor da casa de Diagares. Seguiu-se-lhe o Dr. Simeão Pinto de Mesquita Carvalho de Magalhães, nascido em 1889, bacharel formado pela Universidade de Coimbra, do Partido Regenerador, advogado e deputado da Nação; foi vereador da Câmara Municipal do Porto e presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados deste distrito. Uma das figuras mais importantes do concelho de Lousada, e que pertenceu a esta casa, foi o general Luís Pinto de Mesquita Carvalho, falecido em 1913. Formou-se em matemática pela universidade de Coimbra, e foi um estratego militar, tendo em abril de 1851 acompanhado o marechal Saldanha na revolta militar desse ano. Era um liberal. 393

Casa de Vila Verde – Fachada Principal

Tipologicamente é uma casa quadrangular com capela destacada, que, da primitiva edificação quinhentista, aumentada em épocas posteriores, mantém a ala esquerda da residência, todo o lado Sul do alçado posterior e umas gárgulas.A fachada principal, virada a Oeste, está dividida em três corpos. No corpo à esquerda, no rés-do-chão, há duas aberturas molduradas e gradeadas; no corpo central, setecentista,duas portadas com lintel curvilíneo, duas janelas de verga, e uma escadaria de dois lanços opostos, com balaústres.

Casa de Vila Verde – Portal em ferro forjado

O terceiro corpo, à direita, no torreão de três pisos, duas janelas de verga ladeiam uma portada. O corpo à esquerda, do andar nobre, mostra duas janelas de peitoril, e no corpo principal, ao centro, existe uma portada com lintel curvilíneo, ladeada por quatro janelas de verga; à face do beiral, há uma pequena mansarda com uma janela de peitoril em forma de trifólio. No corpo da direita, vê-se uma arcada tripla que abre para uma varanda recuada e larga, e o segundo andar, do torreão, apresenta duas janelas de verga.

No rés-do-chão, da fachada Sul, duas janelas de peitoril flanqueiam uma portada; no primeiro andar, no torreão, abre-se um arco de volta perfeita, e à direita, três janelas de verga. E o segundo andar é rasgado por duas janelas de verga. 

A fachada Norte, possui, no rés-do-chão, uma portada, e no primeiro andar duas janelas de peitoril. O rés-do-chão, da fachada Este, evidencia uma janela de peitoril curvilíneo e uma portada moldurada, e no pano principal, no primeiro andar, duas janelas de peitoril, e duas portadas molduradas, enquanto o primeiro andar, à direita, conta com cinco janelas de sacada, encontrando-se três delas numa só sacada, e duas janelas de peitoril, à esquerda. No torreão, no rés-do-chão, há duas janelas de verga, vendo-se no primeiro andar, duas janelas de sacada sobrepujando cachorrada, e no segundo andar, duas janelas de verga.

Desenho de Carolina Ribeiro
Capela (S. Sebastião) – Fachada principal  e pormenor da sacristia

A capela foi edificada na parte nascente do terreiro, defronte da casa, e uma escadaria leva-nos ao seu arco sineiro. Ao centro da fachada principal, ressalta um portal arquitravado com cornija e painel, ladeado por dois óculos moldurados, em forma de losango, encimado pela pedra de armas dos “Fonseca, Carvalho, Pinto e Monteiro,”que por sua vez é ladeada por dois óculos moldurados. O frontão é triangular e sobrepuja-o uma cruz trilobada, que coroa uma base octogonal; as pilastras são coroadas por urnas fechadas.A fachada Oeste apresenta uma única abertura com lintel curvilíneo, enquanto a única fachada rusticada se situa a Norte.Na fachada Este, interior do terreiro fronteiro à casa, deparamos com uma pequena sacristia, que apresenta umas escadas de um só lanço, com uma pia batismal, do seu lado esquerdo, com portal moldurado e lintel curvilíneo, flanqueado por dois óculos moldurados. As pilastras são sobrelevadas por urnas fechadas. E a fachada Sul tem duas aberturas molduradas e gradeadas. No pano da fachada Este, vê-se uma portada e uma abertura com lintel curvilíneo.   

Consultar: I. A. N. /T. T. Diccionario Geográfico.1758, vol. 8, fl. 208; AZEREDO, Francisco de – o. c., p. 85;  FREITAS, Eugéneo de Andrea da Cunha e – o. c., p. 53;  SILVA, António Lambert Pereira da – Nobres Casas de Portugal. Porto: Livraria Tavares Martins, [s/d], vol. II, 1986; NÓBREGA, Artur Vaz-Osório – A Heráldica De Família No Concelho De Lousada Aditamento a “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959). Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1999, p. 137.

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