by | Set 3, 2022 | Opinião, Pedro Amaral | 1 comment

“O Levantar da festa é sempre o mais penoso.” in Equador de Miguel Sousa Tavares

Por estes dias Lousada retoma, preguiçosamente, a normalidade do seu Verão quente e pachorrento depois de cinco dias de uma Festa que todos os dias desafiou os raios da alvorada.

A pandemia do COVID-19, que nos dois últimos anos fez com que os Lousadenses e o resto do mundo abdicassem da normalidade que davam por adquirida, continua, mais de dois anos depois, a dar-nos importantes lições.

Ao longo desse período de anormalidade, reaprendemos a importância da liberdade, do contacto com o outro e da solidariedade… Este ano acabamos por compreender também a falta que nos fazia a vivência comunitária e a experiência social espelhada na relevância de uma sociedade civil vibrante, sobretudo, no que a nós diz respeito, na nossa comunidade Lousadense.

2022 ficará, por isso, marcado para sempre nas nossas memórias. Não apenas como um Verão quente (politiquices à parte) mas, em especial, como o ano que marcou o regresso de uma das experiências sociais mais marcantes do Concelho de Lousada, as Festas Grandes em honra do Sr. dos Aflitos.

E se o calor e a ânsia de Festa anunciavam um evento concorrido, certo é, também, que a organização lógica e execução rigorosa da Festa pela sua Comissão acrescentou ao sucesso e à verdadeira enchente que se fez sentir na Vila ao longo de 5 dias e 5 noites.

Sei que seguramente nem todos terão a mesma opinião, afinal, Cristo que foi Cristo não agradou a todos, mas por isso mesmo Camões escreveu: “Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança: Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades.”

Como tive oportunidade de referir a um amigo que visitou Lousada por esses dias “Uma coisa é o poder ou uma instituição pública conseguir mobilizar multidões, outra é a sociedade civil dar de si e conseguir um evento desta magnitude e este mar de gente”.

Lousada é um Concelho complexo, dinâmico e ecléctico, terra de gente orgulhosa do seu gentílico, das suas tradições e da sua história. Lousada está longe de se caracterizar apenas pelas suas Festas, mas estas são a manifestação pública mais pura do seu bairrismo e espelho de um sentimento de pertença pela terra que nenhum de nós consegue explicar por meras palavras.

Por agora, Lousada recupera lentamente do estado de Festa a que se entregou, resta-nos esperar com saudade as próximas Festas de 2023. Como costuma dizer quem vive cada Festa como a melhor: “Das que ainda não passaram serão seguramente as melhores”

1 Comment

  1. Manuela videira

    Sim sem dúvida as melhores desde sempre.Parabens

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