por | 30 Set, 2022 | Espaço Cidadania, Sociedade

Rui Martins: A poesia medieval na fotografia

O habitante de Nogueira, freguesia portuguesa do concelho de Lousada, revela um pensamento singular operando uma síntese do tempo e do espaço nos cliques que dá. Começou a fotografar o desporto automóvel, porém, as vivências dos nossos antepassados são a sua preferência. Conheça o fotógrafo que faz da fotografia o seu hobbie. 

Nasceu no Porto, mas rapidamente se mudou para Lousada. Inicialmente, quando questionado dos momentos mais importantes afirma: “o casamento e o nascimento dos meus filhos”. Resposta habitual e uniforme em todos os cidadãos, no entanto a semelhança é algo que não aprecia. Bonita antítese desta personalidade que se rege pela diferença. 

Com o 12º ano de escolaridade, encontra-se como rececionista das consultas externas no Hospital da Misericórdia de Lousada. Contudo, gostaria de fazer da fotografia a sua atividade profissional. Já lá vamos. 

“Não tenho muitas recordações da minha infância em comparação às da adolescência”, declara. Rui confessa que a fase da juventude foi caracterizada pela dessemelhança com os demais, pois começou a interessar-se pelas músicas de  rock e metal. Cabelo comprido, brincos, casaco de cabedal, t-shirts com dizeres de bandas… constituíam a sua aparência. Além do estilo, possuía ideologias próprias e pouco habituais. 

A vida seguiu e quando começou a trabalhar mudou de aparência, mas os ideais perduraram. Ideais esses que aplica na fotografia. E como começou a sua paixão por esta arte? Segundo o próprio, foi através do seu pai que tirava e revelava as fotografias a preto e branco em casa. 

Com 10 anos, Rui tirou as suas primeiras fotografias numa prova em Vila Real de carros e motas. E, assim como começou, também continuou durante longos anos. “Numa altura da minha vida vim trabalhar para o jornal de Lousada como fotógrafo”, conta. Nesta função cobria sobretudo eventos relacionados com o desporto automóvel.  

Após ter se casado e ter sido pai de um casal, colocou de lado a máquina. “Começou a existir um certo monopólio de fotógrafos que apenas tiravam fotografias para venda”, sublinha. Apesar de ser legítimo, a paixão que Rui carrega não permite que faça esta atividade por esse motivo. 

“Eu faço por gosto e conhecimento”, confessa. Todavia, se as duas vertentes se alinharem, ainda melhor. O fotógrafo revela que é necessário conhecer muito bem os movimentos dos carros que, por conseguinte, encaminha a observações constantes. 

Um salto para o desconhecido o fascínio pelo desporto motorizado

Além disso, tirou muitas fotografias a cavalos derivado da sua filha ter andado na equitação. “É extremamente difícil e complicado apanhar os melhores momentos”, salienta. Contudo, fotografar pessoas é o que mais o aborrece. Muitas vezes é convidado para fotografar batizados ou comunhões e só aceita caso seja de pessoas conhecidas. “Eu sou muito chato a tirar fotografias porque para mim uma fotografia só está boa quando olho e gosto do que vejo”, conta. 

Posto isto, só fotografa desporto automóvel ou paisagens. Esta última é a sua verdadeira paixão nesta arte pois concede-lhe todo o tempo do mundo, além dos passeios que dá e das coisas que conhece. “Estou a olhar para a paisagem e já sei onde vou pôr a máquina, a fotografia que vou fazer e a história que lhe vou dar”, afirma. 

Para Rui, as fotografias têm história. E estas incidem sobre as suas preferências: vikings, templários, lendas nórdicas, fadas, elfos, gnomos, entre outras. “Muitas das minhas fotografias são em vales que me reportam para esse mundo”, confidencia. Posto isto, fotos a monumentos que remetem para a história antiga estão bastante presentes no seu portefólio. 

Um vale com arvores milenares que viram legiões Romanas a passar em direção a Bracara Augusta

O fotógrafo não possui nenhum site, porém, as suas fotografias estão acessíveis a toda a gente através do seu Facebook pessoal. Além disso, é usuário da 500px, uma plataforma de fotógrafos, e de vários grupos no Facebook onde as fotografias são avaliadas por especialistas da área. Nestes já ganhou alguns prémios de reconhecimento. “É satisfatório”, confessa. E, por último, também tem algumas fotografias no site aberto da National Geographic que ultrapassam os 1000 gostos. 

“Demoro muito tempo a trabalhar numa fotografia”, relata. Esta característica retira do seu pai que também aplicava todo o cuidado e perfeccionismo na mesma. Por norma, fotografa e faz a edição, mas algumas são mais instantâneas e não requerem este trabalho. “Adoro fotografar flores e objetos”, afirma.  

Tão pequena é e é a fonte da vida na terra

Rui prefere o mau tempo ao invés do bom tempo pois este transporta-o para a onda medieval que privilegia. “O nevoeiro para mim é um mistério e lembra-me o D. Sebastião”, declara. O fotógrafo faz diversos roteiros durante o ano com a sua esposa. Estes encontram-se bem definidos, mas nunca sabe se as ideias pré-concebidas se realizarão pois a natureza é instável. De acordo com o próprio, vale sempre o passeio. 

Quando o cenário se conjuga com a fé de um povo

“O fotógrafo tem a capacidade de ver mais além e eu vejo as coisas de outra maneira”, afirma Rui Martins. As ideologias no momento de fotografar irão acompanhar sempre o trabalho deste fotógrafo que almeja fazer desta vida a sua atividade profissional. Enquanto não consegue, continuará a mostrar às pessoas o que de bonito Portugal tem. 

Quantos cavalos e cavaleiros terão saído destas portas para mais uma conquista e defesa de um povo

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