por | 10 Mar, 2023 | Grande Entrevista

Filipe Costa: O Cartaz No Esplêndido e A Religião No Âmago

De 27 de julho a 1 de agosto, decorre a Festa Grande de Lousada em Honra do Senhor dos Aflitos. A 5 meses de o momento mais ansiado pelos lousadenses chegar, Filipe Costa, o presidente da comissão de festas, concedeu uma entrevista onde abordou vários temas do interesse da população. São algumas as mudanças e inovações significativas e, garantidamente, estas prometem cumprir com tudo aquilo que é habitual – muita alegria e diversão. 

Exerce a responsabilidade de Presidente da Comissão das Festas Grandes de Lousada em Honra do Senhor dos Aflitos 2023. Como ocorreu a eleição?

Eu fiz parte da Comissão de Festas em Honra do Senhor dos Aflitos de 2020 no cargo de Vice-Presidente que, dadas as circunstâncias pandêmicas, ocorreram no ano transato. Atendendo ao trabalho que foi desenvolvido e na iminência de melhorar certas coisas, disponibilizei-me para liderar uma equipa este ano. No entanto, em 2022, em conversa com alguns membros eu demonstrava que não estava disponível porque dá muito trabalho e a minha vida profissional é agitada. Contudo, como adoro um bom desafio, e sou um cidadão que gosta de estar disponível para a causa pública, decidi agarrar este projeto, assim como o fiz em Figueiras,  em 2011, no qual fui presidente das Festas em Honra da Nossa Senhora da Misericórdia.

Era uma vontade sua ou surgiu de forma natural?

Jamais pensei que um dia viria a ser Presidente das Festas Grandes de Lousada em Honra do Senhor dos Aflitos, mas alguns elementos colocaram-me o desafio e decidi aceitar com todo o agrado. 

Quais as principais diferenças entre o cargo de membro e o de presidente?

A principal grande diferença é que enquanto membro não tinha de estar presente em todos os grupos de trabalho. Sim, existem vários grupos destinados a diferentes áreas da festa. Neste momento, estou presente em todos estes e tenho a responsabilidade de sugerir as demais atividades ao longo do ano. 

O que irá mudar na programação face ao ano passado?

A festa irá ocorrer de 27 de julho a 1 de agosto, ou seja, de quinta-feira a terça-feira. Em termos de programação, a comissão tentou que o cartaz fosse o mais abrangente possível de forma a atingir todas as faixas etárias, dos mais novos aos mais velhos. Posso adiantar, desde já, que a Praça dos anos 80/90 irá manter-se e na mesma localização, dado o seu sucesso. Contudo, a Praça da Juventude irá manter-se, mas noutro local. Esta irá transitar para a zona entre a Praça das Pocinhas e a Central de Autocarros. Além do mais, temos em perspetiva criar uma terceira praça com um estilo de música diferente, mas precisamos ainda de encontrar um parceiro para a concretizar. O objetivo da mesma é expandir a festa. 

Fora o que referiu, irá haver alguma inovação significativa este ano, comparativamente ao ano anterior?

Este ano vamos tentar ser mais ecológicos, isto é, fazer tudo de forma digital pois uma das nossas finalidades é pensar no meio ambiente. Portanto, a publicidade será em ecrãs e só irá existir lonas junto ao palco principal. De resto, os horários serão iguais aos do ano passado e os concertos irão começar cedo e o rigor do horário é uma prioridade. A sede da comissão mantém-se no mesmo local. 

Como funciona a organização desta festa? Aliás, quantos meses leva de preparação?

São precisos muitos meses de trabalho árduo. Estamos a encontrar uma dificuldade, na medida em que os preços em todos os setores estão superiores face aos anos anteriores. Por exemplo, o cartaz vai custar mais dinheiro porque todos os artistas aumentaram o cachê em 20% e, ainda, os patrocinadores estão reticentes dada a crise económica que se assiste. Em termos organizativos, as coisas estão a correr bem, mas, claro, há sempre coisas a melhorar durante os próprios dias da festa. 

Sendo assim, inevitavelmente, os valores da parte da comissão irão também aumentar?

Como referido, a maior dificuldade é conseguir negociar os valores nas várias áreas que compõem uma festa. Desta forma, vamos ter que gerir e provavelmente o valor das barracas irá subir. Não queremos exagerar, mas vamos ter que proceder a alguns aumentos porque o retorno tem de acontecer. O nosso objetivo é também diminuir em determinadas zonas o número de bares.

Que atividades gostaria de salientar que, no fundo, ajudam a colmatar as dificuldades?

Exatamente. No sentido de colmatar estas dificuldades, temos programadas uma série de atividades que não realizamos o ano passado para angariar mais fundos. No dia 24 de fevereiro fizemos o jantar de apresentação do cartaz que correu super bem. No dia 2 de março vamos marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) para apresentar as festas a convite do Município de Lousada e, no dia 15 de abril, será realizado um espetáculo do Quim Roscas e Zeca Estacionâncio no Pavilhão Municipal. No dia 7 de maio uma caminhada pelos trilhos de Sousela e nos dias 2, 3 e 4 de junho iremos estar no mercado histórico de Lousada. Ainda neste mês, dia 16, vamos fazer uma caminhada noturna em Caíde de Rei com o apoio do Cais Cultural de Caíde de Rei. Naturalmente, outras atividades estão a ser pensadas. 

São vários os nomes de grande referência que vão marcar presença. Fale-nos do cartaz. 

Nós fizemos o cartaz de forma a ser o mais abrangente possível em termos de gostos da população. Para quinta-feira, o artista Deejay Telio. Para sexta-feira, o músico Tony Carreira. Para sábado, o trio Melim. Para domingo, a cantora Nena. Para segunda-feira, as tradicionais marchas. Por último, terça-feira, o cantor Toy. Sem dúvida, é um cartaz envolvente e que ocupa todos os públicos-alvo. Este contém o maior artista português de todos os tempos (Tony Carreira), uma artista em ascensão que é a única em Portugal com 4 músicas suas a tocar na rádio (Nena), o cabeça de cartaz é internacional (Melim) e um músico popular que é extremamente conhecido (Toy). 

Cartaz

A nível de orçamento, o que nos pode adiantar?

Ainda não temos orçamento fechado, mas, provavelmente, irá ser igual ou superior ao do ano passado devido à questão dos aumentos. Tudo está mais caro, desde a iluminação até à pirotecnia. Nós somos cerca de 40 membros e, independente desta adversidade, estamos de corpo e alma a trabalhar para o considerado maior cartão de visita do concelho. Aliás, de ressalvar, que a maior parte transitou o que é bastante importante dada a experiência adquirida. 

Este ano as festas prometem cumprir com o quê?

Iremos manter as marchas num segmento diferenciador e bem organizadas, aliás, ainda não decidimos o tema mas estamos a ponderar ser uma homenagem às principais instituições do concelho. Para mais, garantimos que a parte religiosa não será descurada de forma alguma pois sem esta não havia festejos. É extremamente importante dar o máximo de dignidade à procissão e o nosso propósito é que os santos de todas as freguesias estejam representados nesta, para tal, em conjunto com o Padre Paulo Godinho vamos enviar um convite mais incisivo e antecipado para tentar que todos estejam presentes. Esperamos que as festas fiquem na memória de toda a gente. 

Que particularidades tem esta festa em relação às outras?

São as festas grandes do concelho onde todas as freguesias se reúnem, os amigos encontram-se, ou seja, é um ponto de encontro almejado o ano inteiro onde se vê pessoas que não se via há muito  tempo. No fundo, são 6 dias de uma inteira animação com uma série de momentos a acontecer ao mesmo tempo.

Quais as suas expectativas a nível de visitas e não só?

A nível de afluência, vamos ter sempre bastante porque as festas por si só chamam, mas uma boa programação ajuda. Nós temos uma expectativa muito grande, especialmente, pelo cartaz que apresentamos e sabemos que irá haver imensas excursões de várias zonas do país para assistir a certos artistas. Naturalmente, há um fator que pode ou não condicionar:  as condições climatéricas. Por exemplo, se chover não vai haver tanta gente. No ano transato, houve uma série de fatores que se conjugaram favoravelmente e desejamos que o mesmo aconteça neste. 

Por último, que mensagem deseja deixar aos lousadenses?

Quero pedir a colaboração de todos os lousadenses porque todas as ajudas são bem-vindas. Entretanto iremos começar os peditórios nas freguesias e apelo à boa vontade de todos, inclusive, dos patrocinadores pois de outra forma não é possível fazer as festas do concelho. Aliás, a nossa proposta para as empresas é recheada de novidades que serão uma mais valia para os empresários.

Filipe Costa

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