por | 14 Abr, 2023 | Cultura, LouzaRock

Professora de matemática fundou a Rock School na Escola Secundária

Uma excelente guitarrista, natural de Baltar (Paredes) dá aulas de matemática na escola secundária de Lousada. Paralelamente mantém em funcionamento numa sala de aulas a Rock School, onde alunos daquele estabelecimento de ensino podem aprender e desenvolver os conhecimentos de guitarra. É uma feliz iniciativa que já tinha desenvolvido na escola EB2,3 de Nevogilde, na Escola Secundária de Baltar e na Escola EB2,3 Mário de Sá Carneiro (Camarate – Lisboa).

Nasceu e cresceu numa família de artistas, mas Cristina Pacheco é docente de matemática na escola secundária de Lousada. “O meu pai possuía um talento fora do comum para o desenho. Foi arquiteto, perspetivista notável e professor de desenho, dono de uma memória visual incrível, interessado por história e grande amante de música clássica. Em relação ao ouvido musical, tanto o meu pai como a minha mãe beneficiavam dessa capacidade, e tinham um gosto musical exigente e requintado. Quanto a mim, na altura de decidir que área de estudos seguir, foi a engenharia que me atraiu particularmente, porque considero a matemática uma disciplina fácil e extremamente útil quando aplicada à resolução de problemas do mundo físico. O meu lado racional é notório, mas o lado emocional não fica abaixo”, explica a docente, que é também uma exímia guitarrista.

O gosto pela música surgiu muito cedo na vida de Cristina Pacheco: “Em pequena, gostava de cantar as músicas que iam fazendo sucesso na rádio. Sempre fui bastante atraída pela música cantada em inglês, em particular pela música britânica. A banda que depressa me conquistou e eu apreciava de tal modo que, parecia que tudo o resto era imitação, foi The Beatles. Lembro-me de, em criança e adolescente, descer muitas vezes em autêntico voo as escadas na casa dos meus pais, no Porto, para ver alguma curta exibição dos Beatles na televisão. Só bastante tarde tive acesso a um gravador de cassetes, e só por volta dos 18 anos tive uma aparelhagem hifi para ouvir discos de vinil. Entretanto, passei anos a colecionar discos, que comprava e não podia ouvir, mas esperava pacientemente pelo dia em que pudesse pô-los a tocar vezes sem conta… O primeiro disco que comprei foi “With The Beatles”, após passar uma tarde inteira, numa cabine de uma loja da baixa do Porto, deliciada, a ouvir vários álbuns dos Beatles. A música deles era eletrizante, repleta de harmonias e linhas de baixo divinais, e de um humor contagiante. Para mim, continua a não haver melhor “antidepressivo” do que ouvir uma playlist dos Beatles, de preferência com uma guitarra nas mãos”.

Aos 13 anos teve acesso a uma guitarra espanhola e resolveu aprender na Escola Ruvina, no Porto. “Passados alguns meses, desisti, porque o som daquela guitarra não me satisfazia… 3 anos depois, tentei o piano, pois um dos velhos pianos da família acabou por ir para a casa dos meus pais, mas estava muito desafinado… Mesmo assim, estudei um ano nele, com orientação de professores das Escolas Castanheira e Caius. Depois, voltei à guitarra, desta vez num instrumento emprestado, e comecei a tocar, de ouvido, músicas dos Beatles. Tornei a ganhar o gosto e resolvi, então, ter aulas de guitarra na Escola de Jazz do Porto, a qual frequentei cerca de um ano e meio, e depois desisti novamente, por causa de ter pouco tempo para praticar, devido à intensidade do estudo na universidade. A partir daí, continuei como autodidata e fui evoluindo mais na guitarra e no baixo, e não tanto no piano. Também fiz questão de comprar uma bateria, e consegui tocar alguns ritmos básicos, que permitiam acompanhar um bom leque de músicas não muito complexas”, revela Cristina Pacheco.

A vastíssima carreira musical que já contabiliza no seu currículo tem como um dos pontos mais altos a participação na banda portuense Mundo 13: “foi um ponto alto, sem dúvida, porque tive oportunidade de tocar músicas originais de influência modern rock/grunge para um público mais numeroso e chegar a mais pessoas através do YouTube e do concurso Rock Rendez Worten”.

Dá igualmente destaque a “uma fase bastante gratificante foi a passagem, em finais dos anos 90, por uma banda com grande história, o Bando do Rei Pescador, de originais folk/country/bluegrass em português, que teve origem em finais dos anos 70, com o nome King Fisher’s Band, na altura uma banda de covers. Com o Rei Pescador, cheguei a tocar um original meu (música minha e letra de Jaime Froufe Andrade) e fizemos concertos em muitos locais emblemáticos e também nas fnacs em Lisboa e no Porto”.

Além disto, acrescenta que “foi também um orgulho quando formei, com amigos, uma banda de covers, de nome Entropia, que fez atuações em festas e jantares, sendo uma oportunidade de tocar, no formato de banda, temas conhecidos e/ou preferidos, em inglês ou português”.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Núcleo de Imprensa de Lousada – Balanço de seis anos

O Núcleo de Imprensa de Lousada (NIL) completou seis anos de atividade regular, consolidando-se...

Antero Correia aponta divergências sobre gestão financeira nos Bombeiros de Lousada

Depois do anúncio da sua demissão, que surpreendeu a sociedade lousadense, Antero Correia falou a...

AMBIENTE & PATRIMÓNIO, POR ERNESTO GONÇALVES: OURIÇO-CACHEIRO — Um pequeno vizinho que ajuda mais do que incomoda. Façamos as pazes.

Há animais que, só por aparecerem no nosso jardim ou na nossa horta, são imediatamente vistos como...

JSD Lousada lança projeto “Contas à Vida” para promover a literacia financeira e o empreendedorismo jovem

NOTA DE IMPRENSA DA JSD A Juventude Social Democrata (JSD) de Lousada lançou o “Contas à Vida”, um...

Carta de demissão do Presidente dos Bombeiros de Lousada

Antero Correia, Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Lousada apresentou a sua...

De forma cada vez mais frequente, o ex-Primeiro-Ministro e ex-líder do PSD, Pedro Passos Coelho,...

Em tempos, Luís Montenegro disse: «A vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito...

PSD Lousada volta a denunciar atrasos na requalificação da E.M. 564-2 e questiona inação do...

O jornal O Louzadense apresenta uma entrevista com o trompetista lousadense Hélder Coelho, que...

Para mim, falar da castanha é falar de memórias do meu passado longínquo, mas também do meu...

Siga-nos nas redes sociais