por | 3 Mai, 2023 | Sociedade

Falhas cardíacas, cancro e doenças respiratórias são as principais causas da mortalidade dos lousadenses

DE QUE MORREM OS LOUZADENSES?

As doenças cardíacas ou patologias do aparelho circulatório são as que mais matam em Lousada. Entre esses, os famigerados e malditos AVC’s (acidente vascular cerebral) são a causa mais apontada para a morte no concelho. Os tumores malignos surgem como segunda principal causa, enquanto os problemas respiratórios aparecem em terceiro lugar. “Mas as estatísticas das causas de mortalidade não parecem ser muito fiáveis”, alertam os agentes funerários.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística disponíveis para Lousada dizem respeito aos anos pré-covid, altura em que as doenças cardíacas eram a principal causa de morte (25%), seguida de perto pelos casos oncológicos e afins (23%) e pelos problemas do trato respiratório (9%).

Comparativamente com os concelhos vizinhos, constata-se no quadro em anexo que Lousada tem mais falecimentos causados por tumores malignos que os concelhos de Penafiel (22%), Paços de Ferreira (21%) e Felgueiras (19%).

Por outro lado, no capítulo dos acidentes de viação, a mortalidade em Lousada é inferior à dos concelhos de Felgueiras, Penafiel e Paredes.

Contudo, nesta abordagem às causas da mortalidade importa salvaguardar vários cuidados, conforme nos dão conta alguns entrevistados para este trabalho. Há muitos casos que escapam às estatísticas. Segundo o agente funerário Gilberto Senra, “regra geral, os falecimentos de causas naturais não são especificados”. Quer dizer que “não sendo provocado por fatores anormais, ditos não-naturais, quase nunca há autópsia e no boletim de óbito surge somente «causa natural», podendo ser de vários tipos”, explica.

Agora é tudo muito impessoal e para tratar da papelada já não é preciso tocar em papéis, pois a certidão de óbito, os pedidos de autópsia ou sua isenção, efetuam-se eletronicamente, por via da aplicação digital do Ministério da Saúde ou do Ministério da Justiça, conforme se trate de “morte natural” ou “morte não natural”. É tudo tratado à distância. Por um lado, isso facilita o trabalho das funerárias e as necessidades dos cidadãos, mas torna as diligências processuais da morte muito impessoais. “Já nem conheço as pessoas com quem trato de serviços no Tribunal ou na Delegação de Saúde”, afirma Carlos Fernandes, da funerária Massas.

O experiente agente funerário afirma que “em relação ao Covid há poucos falecimentos provocados por isso”, mas alerta que “já se nota que está a morrer gente em consequência da falta de acompanhamento médico durante a pandemia”, quando muitas consultas, tratamentos e cirurgias foram canceladas. “Serão precisos quatro ou cinco anos para isto voltar a ficar equilibrado ao nível do diagnóstico e da terapia que cure ou atenue os problemas de saúde das pessoas”, subscreve.

Estes agentes funerários baseiam-se na experiência quotidiana para referir que os problemas cardíacos e respiratórios devem ser neste momento as principais causas de morte em Lousada. Afirmam que os três primeiros anos de pandemia (2020, 2021 e 2022) desvirtuaram esta realidade e ainda há muito por conhecer no que diz respeito às consequências do Coronavírus.  

Esta ideia ganha ainda mais força quando se constata nos dados divulgados pelo INE que em 2022 registaram-se em Portugal 124.755 óbitos, menos 430 (- 0,3%) do que em 2021 e mais 1.035 (0,8%) do que no primeiro ano da pandemia (2020).

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