por | 14 Ago, 2023 | Desporto

Armando Agostinho Taipa: A paixão que move pedais

Armando Agostinho Rodrigues Taipa, de 46 anos, nasceu em Freamunde mas desde cedo mudou-se para Lousada. O desporto fez sempre parte da sua vida e, hoje, não é exceção através da prática do ciclismo. Supera desafios e quebra barreiras sobre duas rodas que, consequentemente, o encaminham a troféus de grande mérito. Saiba mais sobre o ciclista determinado. 

“O desporto sempre fez parte da minha vida”, principia. No concelho de Lousada, pelo conhecimento dos demais, o hóquei em campo sempre foi uma modalidade única e distinguida. Desta forma, Armando praticou esta a nível federativa e, ademais, andou no karaté e no desporto escolar (andebol). 

A modalidade que perdurou mais tempo foi o hóquei em campo, visto que era a única realizada de maneira competitiva. Contudo, a vida pregou-lhe uma partida e em 2004 viu-se obrigado a abandonar esta, devido a problemas de saúde. Este tinha pouca capacidade respiratória e, naturalmente, fez uma pausa no hóquei em campo durante 3 anos e meio. 

Entretanto, regressou em 2007, mas rapidamente deixou o stick pois não conseguia conciliar com a sua vida pessoal e profissional. E, eis que por mero acaso (ou não), quando residia em Felgueiras começou a dar voltas de bicicleta com um tio da sua esposa e esta prática ajudou-o a melhorar o seu problema de saúde. 

Além do mais, na época, lecionava em Rebordosa – freguesia de Cândido Barbosa – e a mãe deste trabalhava consigo na escola, originando a criação de uma relação mais profunda com a bicicleta. Mais profunda, sim, pois desde tenra idade este “instrumento” acompanhou-o nas idas à Senhora da Graça e não só. “Aos 16 anos pedi ao meu pai uma moto, porém, ele deu-me uma bicicleta”, conta. 

O seu trajeto neste mundo começou em 2009, contudo apenas em 2011 é que se tornou mais sério e competitivo – deixando o lazer. Saiu de Felgueiras aquando do nascimento da sua filha e veio para Lousada (novamente), começando a andar aos domingos com o Lousada BTT. Entretanto, graças à sua disponibilidade horária, iniciou o treino à semana com alguns amigos que faziam competição e apercebeu-se da sua capacidade e prazer. 

Mais tarde, conheceu Célio Sousa – um ilustre ciclista – e começou a criar uma relação mais próxima, tendo adquirido uma bicicleta melhor para competição. A situação estava séria, porém, tornou-se ainda mais séria quando começou a treinar com Valter Sousa. “A partir de então, estreei-me a correr com planeamento, todos os dias, de maneira a chegar ao patamar mais elevado ao entrar na Federação Portuguesa de Ciclismo”, sublinha. 

Armando, ao longo do seu caminho, já venceu inúmeras provas e conquistou os mais variados troféus no mundo do ciclismo. Neste seguimento, abordou a sua última conquista recheada de esforço e suor: “no fim de semana de 8 e 9 de julho cumpri o objetivo traçado para o corrente ano que tratava-se de alcançar o pódio no Wembo Campeonato Europeu de 24 horas que ocorreu em Mação”. 

A prova correu às mil maravilhas e conseguiu alcançar P2 à geral e P1 à categoria, sagrando-se Campeão Europeu em Masters 45/49. Naturalmente, estes resultados foram fruto de uma luta intensa de 6 meses que começou a ser preparada no dia 1 de janeiro por si, pelo treinador e pela sua equipa – Saertex Portugal-Edaetech. 

Muito trabalho, muito tempo perdido em família … para treinar e descansar o máximo possível. Mas, hoje, sabe que tudo valeu a pena. “O prémio é meu, claro, mas também da minha família, treinador, equipa e patrocinadores pessoais”, ressalta toda uma envolvência por detrás que merece reconhecimento, sobretudo, do irmão pela sua preciosa ajuda em todos os momentos.

Segundo o próprio, de 181 dias treinou 163 dias, independentemente da chuva ou do sol. Além desta conquista mais recente, destaca as restantes ganhas porque também foram fruto de muito trabalho. Trabalho? Premissa que aplica desde o começo desta sua curta carreira e que todos os anos se verifica, sobretudo, no ano transato por ter conquistado 4 competições diferentes com registos elevadíssimos. 

Armando poderia olhar para o treino como uma obrigação, porém, não encara dessa forma pois é o seu verdadeiro escape. “Posso, por vezes, só andar 40 min pela vila ou pela serra mas é o suficiente para aliviar a carga de trabalho”, explica. Empenhado, dedicado, persistente … são adjetivos que o caracterizam enquanto ciclista. 

Quanto a este ano, já alcançou o principal objetivo e agora lutará pelos objetivos coletivos e, quanto ao futuro, acredita que não irá competir com tanta envolvência mas essa decisão irá depender da sua vida pessoal – trabalho e filha. Contudo, jamais deixará a bicicleta. 

“Quero agradecer à minha família, ao meu irmão, à minha equipa, ao meu treinador, aos meus patrocinadores pessoais, aos meus amigos … pela ajuda e incentivo constante neste desporto federado, mas amador”, finaliza Armando Agostinho Taipa.

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