por | 12 Out, 2023 | Editorial, Editorial

Editorial 106 | O Aspone

Quem se lembra da série de humor brasileira Os Aspones, uma comédia de situação (sitcom) exibida pela Rede Globo, em 2004? A comédia retratava um grupo de funcionários públicos, que trabalhavam numa repartição pública – o FMDO (Fichário Ministerial de Documentos Obrigatórios) onde não havia o que fazer e, por isso, criaram o FMDO (Falar Mal Dos Outros), o que fez com que eles se ridicularizassem entre si e aos que ali se dirigissem. Na série, o termo Aspone significava Assessor de Porcaria Nenhuma. Uma espécie de funcionário que faz que faz, dando extrema importância e notoriedade à função, mas na verdade nada faz ou sabe fazer.

No mundo laboral, em especial nas grandes empresas e instituições públicas, existem chefias e trabalhadores e, entre estes, os chamados assessores e adjuntos, consultores e avençados. Os assessores e adjuntos fazem parte do quadro de pessoal da organização. Os consultores e avençados não fazem parte do quadro de pessoal – são remunerados através da prestação de serviços. Em qualquer dos casos, o exercício da função de qualquer um destes reveste-se de suporte à chefia ou à administração, sendo profissionais habilitados para aconselhar e auxiliar um cargo superior no desempenho das suas funções. Quando assim verdadeiramente acontece estamos certos da importância organizacional e funcional que estes profissionais acolhem. Porém, nem sempre assim é, há os desqualificados, amigos, protegidos e afilhados. Aqueles que não acrescentam valor à organização, servem apenas para retirar dividendos dela.

Nas penumbras das grandes organizações, especialmente aquelas de contexto público e político, existem pessoas que pela sua proximidade ao diretor, presidente ou administrador, ostentam cargos ou prestam serviços redundantes e/ou de forma ineficaz, agindo de maneira superficial ou ineficiente. Pessoas pagas acima de qualquer profissional qualificado e competente. Avençados que pouco fazem para aquilo que recebem. Consultores pagos a peso de ouro por trabalho técnico existente dentro da própria organização. Uns verdadeiros Aspones!

A sociedade, em geral, precisa despertar criticamente para abusos de poder, esquemas pouco claros, situações de nepotismo, amiguismo e favorecimento (também político). Condenar cívica e eticamente quem atua, autoriza e se aproveita das relações de proximidade para “sacar uns cobres” às organizações, sem que nada de valor acrescente.

Se vir um na rua, chame-lhe Aspone!

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