O que é o indivíduo? Em que reside a sua identidade? – Estas serão as questões primordiais que vêm à superfície de um texto. Ler constitui-se como um espaço que alarga o nosso entendimento sobre esta matéria irrespondível. Seguindo o pensamento de Deleuze (filósofo), a literatura é uma aposta na exploração de dimensões possíveis da existência e nessa capacidade única de fazer travessias para um outro tipo de vida, ou seja, de abrir à vida novas possibilidades. A literatura apresenta, porventura, um atalho irrecusável para encurtarmos o tempo paralisado ao serviço do desencanto do homem ou de uma espécie de morte em vida.
Neste espaço, iremos falar sobre livros, leitura, literatura, quer através de propostas de leitura, quer pelas reflexões que partilharemos, sempre com o propósito de acedermos à literatura, esse lugar que Lídia Jorge aponta como «o mais próspero do nosso espírito». E se a melhor forma de mostrarmos aos nossos jovens a importância de mergulhar no livro é através do exemplo, comecemos por aí, por esse diálogo entre passado e futuro. A urgente necessidade de regressar ao humanismo nasce do encontro com os lugares silenciosos da concentração, do pensamento lento, da estimulação da curiosidade que acreditamos acontecer longe da trepidação do mundo acelerado das tecnologias. Para José Tolentino de Mendonça «o que o livro põe em jogo é muito mais do que o livro», já que este aciona todas as literacias, apresentando-se como essencial para a compreensão do mundo, a formação estética, a interpretação da história e o enriquecimento da consciência humana – todos estes, domínios de afirmação do ser, sem os quais se regride até ao vazio interior, aceitando sem espanto a violência e todos os atropelos à dignidade humana.
Este é, por isso, um espaço de regresso ao livro, à literatura. Demonstraremos que ela contém esse pressentimento de um futuro que, na efabulação e na música da palavra, fica em aberto à introspecção promissora do leitor.
Conceição Brandão, professora













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