A Casa Nobre No Concelho de Lousada

Tipologias – II

Planta – 1ª parte.

Desconhece-se se a casa nobre obedeceu a um plano previamente definido, tendo-se adaptado a cada momento da vida dos seus proprietários. Não há um padrão comum entre as diferentes casas que estudámos. Todas têm os espaços agregados ao seu funcionamento básico ou à relevância da sua imagem. Há, pois, uma ausência de modelo, sendo todo o conjunto edificado sujeito às necessidades do proprietário.

As plantas a que tivemos acesso foram as das casas da Lama e Tapada. Datam ambas dos anos setenta do século vinte. Não encontrámos documentos desta natureza, nem de épocas mais recuadas, muito menos do séc. XVIII. 

Planta da Casa da Lama. (Escala 1: 100) e Casa da Tapada (Escala – 1: 290. Fonte: A. C. T)
Planta da Casa da Lama. (Escala 1: 100) e Casa da Tapada (Escala – 1: 290. Fonte: A. C. T)

As casas nobres, foram sofrendo sucessivos acrescentos, por imperativos vários: ora pelo crescimento da família ora por mera afirmação e ostentação social.                                                                    

Ao nível da planta, a casa nobre lousadense foi evoluindo conforme o momento, as necessidades e as disponibilidades financeiras. Acontece, por vezes, que ao corpo do primeiro edifício foi acrescentado outro, formando um L: assim a casa do Outeiro, do Cáscere e do Porto, mantendo-se, no entanto, o pátio por onde passava toda a vida da quinta e da casa. A configuração da planta topográfica da casa do Outeiro é muito curiosa: a edificação – do pátio interior – assemelha-se a um trapézio, enquanto a parte restante tem a forma de um L. A fachada Sul da casa, do lado terreiro, foi levantada em pleno século XIX e no alvorecer do século XX, o pai do atual proprietário manda construir a fachada Este, adossando-a à capela. Daí ter surgido uma casa com planta em L e capela adossada ao topo esquerdo da fachada Este, com pátio interior na fachada Norte.

Fonte: C.M.L. Planta Topográfica da Casa do Outeiro Escala: 1/2000 (2005).
Exemplo de Casa em L: Outeiro – Nogueira. Fonte: FREITAS, Eugéneo de Andrea da Cunha e – Carvalhos de Basto.Edição Carvalho de Basto, vol. III, 1982, p. 281.

Ao corpo principal da casa do Cáscere foi-lhe acrescentado um outro corpo, à esquerda, e adossado à capela. Mais tarde, esta viria a perder as funções de culto, tendo outra capela sido construída no prolongamento da fachada principal. Irrompe uma casa com planta do tipo L e capela no topo direito da fachada principal.

Fonte: C. M. L. Planta Topográfica da Casa do Cáscere.
Escala: 1/2 000 (2005).

Ao primitivo corpo da casa do Porto foi-lhe acrescentado um outro, para o lado da capela. Resultou uma casa com planta em L e capela integrada à fachada principal, no topo esquerdo.

Fonte: C.M.L. Planta Topográfica da Casa do Porto.
Escala: 1/2000, (2005).

A planta em U visa a teatralização da fachada, procurando conseguir um enorme efeito cenográfico, com a criação de uma sequência espacial entre o interior e o exterior. Para Carlos de Azevedo «É sobretudo nas casas de planta em U que vamos encontrar uma conceção ordenada e lógica e um rigor até então desconhecidos.»1

Fonte: C. M. L. Planta Topográfica da Casa de Rio de Moinhos.
Escala: 1: 2. 000 (2005).

Este tipo de planta não é muito frequente no concelho de Lousada. Podemos observá-la apenas nas casas de Rio de Moinhos e de Vilela (Casa Grande). A primeira tem um amplo terreiro, fronteiro à fachada principal, fechado por portões. Ao corpo primitivo, foi adicionado, em data e época incertas, outro corpo que se adossou à capela. Evidencia-se, pois, uma casa com planta em U e capela, formando um ângulo reto no topo da fachada Oeste.

Casa Grande de Vilela – Fachada Sul – Casa em U. Fonte: A. C. G. V. 1950.

A casa Grande de Vilela apresenta um tipo de planta em U, como foi documentado. Apesar de todas as alterações introduzidas, mantém o tipo de planta e a mesma relação com a capela: destacada.                                                              

________________________________

1 – AZEVEDO, Carlos de – o. c., p. 81.

Obras consultadas:

– AZEVEDO, Carlos de — Solares Portugueses Introdução ao Estudo da Casa Nobre. Livros Horizonte. Lisboa. (1969).

1 Comment

  1. Vítor

    Apresentação interessante e bem documentada.

    Reply

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