Tipologias – II
Planta – 1ª parte.
Desconhece-se se a casa nobre obedeceu a um plano previamente definido, tendo-se adaptado a cada momento da vida dos seus proprietários. Não há um padrão comum entre as diferentes casas que estudámos. Todas têm os espaços agregados ao seu funcionamento básico ou à relevância da sua imagem. Há, pois, uma ausência de modelo, sendo todo o conjunto edificado sujeito às necessidades do proprietário.
As plantas a que tivemos acesso foram as das casas da Lama e Tapada. Datam ambas dos anos setenta do século vinte. Não encontrámos documentos desta natureza, nem de épocas mais recuadas, muito menos do séc. XVIII.


As casas nobres, foram sofrendo sucessivos acrescentos, por imperativos vários: ora pelo crescimento da família ora por mera afirmação e ostentação social.
Ao nível da planta, a casa nobre lousadense foi evoluindo conforme o momento, as necessidades e as disponibilidades financeiras. Acontece, por vezes, que ao corpo do primeiro edifício foi acrescentado outro, formando um L: assim a casa do Outeiro, do Cáscere e do Porto, mantendo-se, no entanto, o pátio por onde passava toda a vida da quinta e da casa. A configuração da planta topográfica da casa do Outeiro é muito curiosa: a edificação – do pátio interior – assemelha-se a um trapézio, enquanto a parte restante tem a forma de um L. A fachada Sul da casa, do lado terreiro, foi levantada em pleno século XIX e no alvorecer do século XX, o pai do atual proprietário manda construir a fachada Este, adossando-a à capela. Daí ter surgido uma casa com planta em L e capela adossada ao topo esquerdo da fachada Este, com pátio interior na fachada Norte.


Ao corpo principal da casa do Cáscere foi-lhe acrescentado um outro corpo, à esquerda, e adossado à capela. Mais tarde, esta viria a perder as funções de culto, tendo outra capela sido construída no prolongamento da fachada principal. Irrompe uma casa com planta do tipo L e capela no topo direito da fachada principal.

Escala: 1/2 000 (2005).
Ao primitivo corpo da casa do Porto foi-lhe acrescentado um outro, para o lado da capela. Resultou uma casa com planta em L e capela integrada à fachada principal, no topo esquerdo.

Escala: 1/2000, (2005).
A planta em U visa a teatralização da fachada, procurando conseguir um enorme efeito cenográfico, com a criação de uma sequência espacial entre o interior e o exterior. Para Carlos de Azevedo «É sobretudo nas casas de planta em U que vamos encontrar uma conceção ordenada e lógica e um rigor até então desconhecidos.»1

Escala: 1: 2. 000 (2005).
Este tipo de planta não é muito frequente no concelho de Lousada. Podemos observá-la apenas nas casas de Rio de Moinhos e de Vilela (Casa Grande). A primeira tem um amplo terreiro, fronteiro à fachada principal, fechado por portões. Ao corpo primitivo, foi adicionado, em data e época incertas, outro corpo que se adossou à capela. Evidencia-se, pois, uma casa com planta em U e capela, formando um ângulo reto no topo da fachada Oeste.

A casa Grande de Vilela apresenta um tipo de planta em U, como foi documentado. Apesar de todas as alterações introduzidas, mantém o tipo de planta e a mesma relação com a capela: destacada.
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1 – AZEVEDO, Carlos de – o. c., p. 81.
Obras consultadas:
– AZEVEDO, Carlos de — Solares Portugueses Introdução ao Estudo da Casa Nobre. Livros Horizonte. Lisboa. (1969).












Apresentação interessante e bem documentada.