A crise no Global Media Group, um dos maiores grupos de media a atuar em Portugal, arrastando centenas de trabalhadores para o desespero quanto ao seu futuro profissional e garantia de direitos laborais em atraso; casos recentes de agressão a jornalistas; e a realização do 5.º Congresso dos Jornalistas; são três acontecimentos recentes que colocaram na ordem do dia a discussão em torno dos desafios da imprensa e do jornalismo.
Todos concordamos que a imprensa e o jornalismo são pilares essenciais para a construção e manutenção de um Estado Democrático, fornecendo os alicerces necessários para a participação cidadã, a transparência e a accountability.
A sua importância impacta diretamente o funcionamento do Estado Democrático em diversos aspetos, desde logo pelo papel educativo que cumpre, ao explicar questões complexas e a desconstruir “desinformações”, mas também porque fornece informações essenciais para a capacitação de análise e decisão dos cidadãos; promove a pluralidade de opiniões e diversidade de fontes de informação; atua como fiscalizador dos poderes instalados, sejam políticos, económicos ou sociais; incentiva a inovação e a mudança; contribui e fortalece a construção de uma identidade coletiva; e, quando exercida com ética e independência, garante a liberdade de expressão, atuando como contrapeso para evitar a concentração excessiva de poder e uma espécie de “visão única” da sociedade e do mundo.
A crise da imprensa e do jornalismo não é tema recente, mas a tendência tem agudizado a sua sustentabilidade e eficácia. A evolução tecnológica comporta novas oportunidades, mas trouxe rápidas mudanças ao modelo tradicional das redações. Com isto, surgiu um declínio na receita da publicidade tradicional, a par da mudança no consumo de notícias e dos modelos de negócio associados. A dispersão de fontes de informação, favorecida pela rápida disseminação de informações não verificadas, tem levado à descredibilização do jornalismo e perda de confiança do consumidor. Esta perda de confiança também é, muitas vezes, associada à falta de transparência e/ou de manipulação da informação. Tudo isto, porque a necessidade de recursos financeiros para manter uma imprensa livre, reduz-lhe espaço de manobra para dizer não à censura, pressão ou ameaça à sua liberdade.
A ação coletiva, a resiliência e a capacidade de inovar são cruciais para preservar a vitalidade da imprensa e garantir que ela continue a desempenhar ‘o’ papel fundamental na construção de sociedades informadas, participativas e democráticas.
O Louzadense foi fundado com esse intuito. A linha editorial que tem assumido é o móbil para a construção de uma ‘Lousada’ mais informada, plural e participada. Com orgulho, tem desempenhado um papel apreciável na construção da (nossa) identidade coletiva e, mesmo sem apoios e publicidades institucionais locais, cumpre com ética, rigor, integridade e transparência, o dever de informar e de contribuir para a construção democrática da nossa comunidade.
Bem-haja, porque nos acompanha desse e deste lado!













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