EMPREENDEDOR LOUSADENSE ACUSA MUNICÍPIO
O empreendedorismo é uma aposta de Pedro Mariano para “um futuro mais sustentável a todos os níveis das nossas vidas, enquanto pessoas e sociedade”. Por isso desenvolve tecnologias e ideias que promovem esses fins. Um dos exemplos é o sistema de rega inteligente que o Município de Lousada recusou quando estava a ser implementado de forma gratuita.
Há um ano, a empresa de inovação tecnológica do lousadense Pedro Mariano propôs ao Município de Lousada a colocação gratuita, um “piloto”, na Praça das Pocinhas, de um sistema automatizado de gestão e controlo de rega inteligente de jardins públicos. Durante um ano o Município teria a possibilidade de acompanhar os resultados deste sistema e só depois passaria a pagar pelo mesmo se o adquirisse definitivamente.
“Entretanto, alguns meses depois, mais concretamente em Maio, a Câmara mandou retirar o dito sistema que já estava implantado e que tinha sido testado”, refere o empresário lousadense. A explicação dada pelos responsáveis municipais foi que “resolveram adquirir outro sistema”.
“Recebi essa notícia com imensa tristeza principalmente por se tratar de tecnologia portuguesa que já comprovou a sua eficiência e evidencia a nossa preocupação com a preservação da água”, declara Pedro Mariano, que aponta Lisboa, Oeiras, Aveiro e Pombal como alguns dos municípios que adquiriram esta tecnologia.
O que faz “ainda mais” lamentar o sucedido é, para Pedro Mariano, o facto de “quando lhes propus este sistema ficaram encantados, pois desconheciam a existência de tecnologia deste tipo, portanto dei-lhes a conhecer algo inovador e extremamente eficiente nesta área”. Meses depois, “para meu espanto, vêm dizer que afinal arranjaram outro, privilegiando alguém de fora em detrimento do empreendedorismo local”, acrescenta.
“O que não consigo entender ainda é se fomos preteridos por outro sistema, o mesmo nunca foi colocado na Praça das Pocinhas”, exclama o entrevistado, para o qual “o que mais me custou no ano passado, que foi muito quente, e avizinha-se que este ano será idêntico, foi ver a relva completamente queimada porque não era regada”.

Face a tudo isto, Pedro Mariano solicitou que lhe fossem “dadas explicações sobre esta decisão, por escrito ou por vários telefonemas, que fiz à pessoa do Chefe de Presidência da Câmara Municipal de Lousada, mas até ao momento não obtive qualquer resposta”.
GERIR EM VEZ DE CORTAR NA REGA
O empresário explicou que o sistema recebe imagens de satélite, NVDI, que é um indicador da saúde das plantas e conjuntamente com as sondas virtuais detetam a leitura de humidade no solo, conjugando dados que permitem ao sistema regar a quantidade estritamente necessária para sobrevivência das plantas.
Este sistema de rega não requer a realização de novas instalações, evitando assim elevados custos com obras. Pode ser integrado ao lado do sistema analógico, possibilitando a incorporação de um novo controlador “inteligente”.
A rega inteligente “é um método de irrigação que utiliza tecnologia para otimizar a quantidade de água utilizada na rega, prevenindo o desperdício e assegurando que as plantas recebam a quantidade ideal de água para crescerem saudáveis”.
Este método de irrigação pode ser aplicado em parques, jardins, campos agrícolas, pomares, campos de golfe, entre outros, com custos baixos. “Além destes benefícios, destacamos a redução do consumo de energia, a melhor gestão dos recursos hídricos, a prevenção da propagação de doenças nas áreas verdes devido à distribuição eficiente e controlada da água. As áreas verdes bem regadas tendem a ser mais atrativas e agradáveis para a população, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida”, enfatiza o empreendedor lousadense.
Outros pontos positivos incluem o monitoramento da quantidade de água utilizada durante determinado período, a deteção de ruturas e a identificação de setores entupidos.
“Diariamente um jardineiro da Câmara percorre a Vila ligando ou desligando controladores de rega. Com este sistema, essa tarefa pode ser realizada de forma simples, através de computador, tablet ou smartphone”, o que segundo Pedro Mariano permitiria alocar o funcionário a outras tarefas e ao mesmo tempo previne falhas humanas como por exemplo o esquecimento de desligar o sistema.
“Apregoar que a solução está no corte de abastecimento de água para rega dos jardins, árvores e para agricultura é uma atitude radical e que trará mais consequências ambientais que benefícios”, declara o empresário, que conclui dizendo: “a solução passa na minha opinião por medidas imediatas na utilização de tecnologia para medirmos as reais necessidades de água e a forma como está a ser gerida”.













Comentários