Paisagem Protegida Local do Sousa Superior
A Paisagem Protegida Local do Sousa Superior (PPLSS) assume a missão de salvaguarda ambiental nos mais de 1600 hectares no vale do Rio Sousa, que percorre oito freguesias do concelho de Lousada. O projeto, que começou em 2014 com a elaboração da Carta Ambiental do município, mapeou todas as áreas de interesse ambiental.
O Louzadense esteve à conversa com o vereador do ambiente, Manuel Nunes, que nos explicou que o propósito da paisagem protegida “foi criar uma figura de âmbito local, que permitisse sob a alçada de uma figura legal, paisagem protegida, a conservação e a valorização do património. A salvaguarda do património que a todos é uma prioridade naquilo que são as políticas municipais e garante o futuro do território de uma forma mais sustentável”, disse.
O processo de criação da Paisagem Protegida envolveu mais 600 pessoas em várias sessões públicas por todo o concelho, e culminou na aprovação da classificação e publicação do regulamento.
Apesar de ser um processo demorado o edil garante que “tendo em conta o que é habitual na criação de áreas protegidas em Portugal, a concretização do processo foi relativamente curto” e que “já podemos verificar é que o processo se sedimentou e foi apropriado pela comunidade, começamos a ter os primeiros resultados interessantes e significativos desse investimento, que passa por muitas áreas, desde investimentos na melhoria da qualidade ambiental, dos serviços prestados à população, da gestão do espaços ligados às zonas de cheias, do Rio Sousa e com intervenções substanciais na regularização do leito e das margens para evitar problemas, de erosão”, afirmou.
O edil afirmou que na área da Paisagem Protegida, o património histórico e arqueológico tem vindo a ser recuperado, os investimentos irão transformar no futuro da área protegida, e o objetivo é ser uma referência regional na gestão e a salvaguarda do património natural, cultural ou imaterial, como a “vinha do forcado, que para nós e no âmbito daquilo que é a nossa salvaguarda, tem valor cultural bastante significativo e um valor turístico e promocional do território bastante interessante”, disse.

O autarca garante que o futuro da paisagem protegida passa pela integração da área natural na Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP) e que apesar de ser um processo complexo “tendo em conta todo o processo participativo anterior. Foi relativamente simples de elaborar, porque havia muitos contributos. Definimos aquilo que eram as prioridades de intervenção e de investimento e, portanto, vamos submeter agora ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)”.
O vereador garante que “a integração da área PPLSS na RNAP, será obviamente um acréscimo de responsabilidade na gestão, e em termos de investimentos e valias que podem trazer para o território, seja do ponto de vista da promoção, e sobretudo do ponto de vista dos investimentos naquilo que é a qualidade natural e paisagística” garantiu.
Município irá criar Museu da Realidade Invisível na Quinta de Vila Pouca, com foco no impacto da vida microbiana no domínio agroflorestal
O diretor da PPLSS, Ricardo Nogueira Martins disse ao O Louzadense que o município tem vários projetos idealizados para a Quinta de Vila Pouca, para aproveitar o conjunto de edificados existentes no espaço. “No que diz respeito à Casa Solar de Vila Pouca será implementado um projeto de turismo científico, através da instalação do Museu da Realidade Invisível Micro Mirabilis, vai comunicar diretamente a importância da vida microbiana, com foco muito específico no impacto da vida microbiana no domínio agrícola e florestal, estamos a trabalhar com Universidade do Minho, que vai ter aqui um papel fundamental, juntamente com o Município de Lousada, em produzir os conteúdos, criar o roteiro de visitação e construir este projeto connosco”, disse.
O diretor da Paisagem Protegida, disse ainda que o Museu da Realidade Invisível de Lousada será “à escala europeia o segundo museu da realidade invisível, vocacionado para a promoção do papel da vida microbiana, existindo um neste momento em Amesterdão que não tem um foco tão especial no domínio agroflorestal, mas sim que tem um foco e relacionado com o impacto da vida microbiana na saúde humana”, afirmou.
Parque Molinológico e Florestal de Pias será convertido em centro de interpretação
Com cerca de quatro hectares o Parque Molinológico e Florestal de Pias, possui sete moinhos, diversas casas de moleiro, uma serração hidráulica e faz parte da parte da paisagem protegida, juntamente com a Quinta Vila Pouca e a Mata de Vilar, Ricardo Nogueira Martins considera que o ”espaço é rico em elementos molinológicos e tem a particularidade ter uma área florestal adjacente com diversidade florestal”.
Garantiu ainda que a intenção do município passa pela “completa requalificação e refuncionalização do complexo molinológico, queremos criar aqui um centro de interpretação onde será possível ter laboratórios, oficinas do pão, experimentar a moagem e cozinhar o próprio pão”, além de dar a conhecer “qual é o impacto dos moinhos na economia agrária do Vale de Sousa”.
A área florestal perfeita para passeios possui uma bacia de retenção que na visão do diretor é um ponto fundamental para a observação da avifauna.
No projeto o município pretende “unir diversas valências num só projeto, com vista à captação do turista e promoção do turismo sustentável”.
Nos 13 quilómetros que o Rio Sousa percorre no concelho de Lousada, existem 105 moinhos e para o diretor isso “significa que era uma terra fértil, com bastante produção e todas as condições necessárias para termos estes moinhos instalados, porque a existência de moinhos não é só pela existência de água. Diz respeito também ao declive, à altura de queda e de certa forma, a própria geologia do território.

















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