por | 22 Fev, 2024 | Editorial, Editorial

Editorial 115 | Silêncio

A 26 de fevereiro de 1954 nascia Mário Fernando Ribeiro Pacheco Fonseca, figura incontornável da nossa história recente, cujo desaparecimento a 3 de setembro de 2012 deixou profundas saudades nos seus amigos e em toda a comunidade. Se fosse vivo, celebraríamos o seu 70º aniversário no próximo dia 26. Não está vivo, mas está presente, até no silêncio. Este escrito e todas as homenagens que lhe possamos, agora, prestar serão sempre secundárias. A sua eternização ficou nos atos que praticou, no altruísmo que emprestou aos outros e no amor que dedicou à sua/nossa Louzada.

Médico de profissão, viajante e político sonhador, Mário Fonseca foi mais do que um médico respeitado; foi um mentor e um guia para a construção de um concelho melhor. A sua personalidade e o seu ideal equilibrado de conservador nos valores e nos costumes e progressista no desenvolvimento da sociedade fez dele uma referência inestimável para Lousada.

Como Presidente da Assembleia Municipal, Mário Fonseca deixou a sua marca, tanto pela intensidade apaixonada com que dirigia os trabalhos e proferia as suas intervenções – não raras as vezes descia da cadeira de Presidente da Assembleia Municipal para ir ao púlpito fazer a defesa da sua bancada –, quanto pelos momentos de fricção e tensão que, muitas vezes, caracterizavam a sua interação com os adversários políticos. Poder-se-á dizer que era uma pessoa que não procurava o consenso, pois era muito dono da sua maneira de estar, de pensar e de agir, o que fez com que a sua relação com os oponentes políticos fosse marcada por divergências ideológicas e combates intensos. No entanto, as divergências políticas existentes sempre foram assumidas com sentido de responsabilidade, pois sabia/sabíamos que havia o objetivo comum de melhorar a qualidade de vida dos lousadenses e que apenas o caminho para lá chegar seria diferente.

O seu amor e a sua dedicação a Lousada são um legado que perdurará para além da nossa existência. A sua morte representou não apenas o fim de uma era na política lousadense, constituída pela dupla Fonseca/Magalhães, mas também pelo desaparecimento de uma referência política humanista e altruísta. Com a sua partida, Lousada perdeu não apenas um líder político, mas também um guardião de valores e de princípios que hoje em dia parecem cada vez mais raros na esfera política.

Silêncio é também o título do livro biográfico que o autor José Carlos Carvalheiras editou em sua memória, cuja inspiração resultou de um poema de Mário Fonseca: “És um poema cantado ao sol da aurora; Num prado de verde límpido; Em que as aves voam livremente; Cantando em sons divinais; Num dia em que os homens não fazem a guerra; Em que as crianças não morrem de fome; Em que o luto é banido; E as lágrimas morreram; E a palavra ódio foi banida do dicionário; E em que o mundo inteiro ecoa; O som da palavra amor; Vindo do fundo do coração; De cada um de nós. Silêncio.”

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