por | 9 Mar, 2024 | Associativismo, Sociedade

ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DE LOUSADA, QUE FUTURO?

Antigos presidentes apelam à mobilização dos sócios lousadenses

A ADL está em modo de «gestão a prazo», pois a atual Direção já terminou o mandato. Como não surgiu quem assumisse o clube, aqueles dirigentes, liderados por Sandro Sousa, decidiram manter-se interinamente e até ponderam avançar para novo mandato. Para isso, apresentaram ao Município os requisitos que entendem necessários. Entre estes está a construção de uma sede e a cedência a longo prazo do Estádio Municipal em exclusivo para o clube. Aqui parece estar o entrave nas conversações, que decorrem entre Câmara e ADL. Enquanto isso, os antigos presidentes tomam posições, uns a favor, outros contra. O futuro do clube está aqui em perspetiva num trabalho de auscultação de diferentes sensibilidades.

No passado dia 1 não aconteceu a assembleia geral que chegou a estar “apalavrada”. A anulação dessa reunião magna do clube deve-se à falta de consumação do entendimento entre ADL e CML, disse-nos fonte da Direção do clube. Da reunião desta com a Câmara Municipal, a 21 de fevereiro, saiu um princípio de entendimento nalguns pontos, mas para os representantes do clube nem tudo está assegurado. Alguns dos requisitos foram atendidos pelo Município, nomeadamente a melhoria da iluminação e de outras comodidades no estádio, para possibilitar a transmissão televisiva de jogos e o funcionamento do sistema de vídeo-árbitro. A colocação de cadeiras na bancada é outro dos pressupostos que parece ter a concordância do município.

Parece que a construção de um edifício-sede para o clube já não constitui um problema (ver caixa de texto com as declarações do presidente Pedro Machado na Assembleia Municipal) e vai mesmo avançar. Falta saber em que regime de exploração.

O projeto de expansão que os atuais dirigentes querem para o clube passa sobretudo pela transformação da Associação Desportiva de Lousada numa Sociedade Anónima Desportiva (SAD), possibilitando a entrada de investidores particulares.

Tal operação implicaria um novo contrato de comodato entre o clube e a Câmara, que contemplasse uma maior liberdade ou exclusividade de utilização do Estádio Municipal.

A indefinição mantém-se num clube que é tido como “o mais representativo do concelho” e que movimenta cerca de 400 atletas, a grande maioria nos escalões de formação. Nesta fase de incertezas e em que estão a ser ponderadas importantes decisões para o futuro do clube, quisemos ouvir antigos presidentes sobre o que pensam da atualidade e do rumo que a coletividade deve tomar.

Joaquim Valinhas

O primeiro presidente campeão pela ADL foi JOAQUIM VALINHAS, o qual nos disse estar “a par do que se passa, pois tenho conversado com o Sandro (Sousa), que me parece um excelente dirigente”. É do seu tempo como presidente da Assembleia Geral a perda da sede do clube e “como tal deve ser restituída”. Relativamente à formação de uma SAD no clube, diz não estar preparado para se pronunciar sobre isso, mas gostava de “participar numa eventual reunião ou debate que envolvesse antigos presidentes”, concluiu Joaquim Valinhas.


Francisco Barbosa

Um dos decanos dos presidentes lousadenses é FRANCISCO BARBOSA, que esteve 16 anos à frente do clube. Está “do lado do Sandro Sousa, nomeadamente na exigência da construção de uma sede para a ADL, pois a sede que o clube teve foi-lhe roubada”. O antigo dirigente lembra que “a sede foi construída pelo clube em terreno cedido pela Câmara presidida por Amílcar Neto e até me recordo que foi no mandato do Dr. Francisco Ferreira que foram pagos os alumínios e a eletrificação do edifício”. A dada altura a propriedade da sede passou para a alçada da Câmara “para evitar que algum eventual credor do clube se apoderasse do edifício ou este fosse vendido em hasta pública”. Além disso, Francisco Barbosa defende que a Câmara “devem ser dadas todas as condições para a ADL utilizar o estádio, sem pedir nada a ninguém”.


José ribeiro Pinto

O antigo árbitro e empresário, JOSÉ RIBEIRO PINTO passou há alguns anos pela liderança da ADL e mantém “um acompanhamento sempre interessado, embora muitas vezes distante, do que se passa no clube”. Julga que “agora não há tanto interesse da população, talvez pela distância que há entre a vila e o estádio”. Da sua experiência tira um conselho: “seria benéfico para o clube que se voltasse à tradição de quem sai indicar ou dar posse à nova direção, para não haver vazios diretivos”.

Querendo fazer parte de uma solução “se assim for entendimento dos antigos presidentes”, José Pinto disponibiliza-se para “integrar um movimento que promova o debate e incentive a massa associativa a aderir mais ao clube”.


José Meireles da Silva

O empresário JOSÉ MEIRELES DA SILVA, também ele antigo presidente, entende que “o lugar do Lousada é nos campeonatos nacionais” e considera Sandro Sousa “um bom elemento, mas consigo compreender que se sinta um bocado abandonado”.

No seu entendimento “o Município dá bastante, tendo em conta os 50 mil euros de subsídio e a manutenção do estádio municipal”, mas sublinha que “falta ao clube autonomia na gestão do estádio, liberdade para dispor das instalações que utiliza”. Para este antigo presidente da ADL, “um dos males do clube foi quase sempre as intrigas e o maldizer da direção que entrava, em relação à direção anterior, mas temos que acabar com essas rivalidades e ver o Lousada acima disso tudo”. Por fim, José Meireles da Silva mostra-se disponível “para integrar um movimento de antigos presidentes que queira manifestar o seu apoio à direção atual, para lhe dar alento para continuar”.


Jorge Fernandes

JORGE FERNANDES é outro antigo presidente a quem pedimos opinião. Diz que o Lousada “não pode só dedicar-se à formação, como está muito em voga”. E expõe que “temos que ter um misto de experiência e alguma juventude da formação; os jovens quando passam à equipa principal, ainda são muito tenros e imaturos… Sei que os jogadores experientes custam dinheiro, mas, sem ovos não se fazem omeletes”.

Falando sobre o edifício-sede, afirma que “o Lousada tinha uma fonte de receita fixa, rendas da sede antiga, até isso nos levaram e deixaram promessas não cumpridas”. Jorge Fernandes recorda que “o presidente da câmara disse em capa de um jornal que «o assunto da ADL tem que ser tratado com pinças», e agora eu gostava que a câmara pegasse nas tais pinças e investisse no clube de forma a torná-lo viável e autónomo”.

Reportando-se à história do clube, este lousadense lembra “homens como Francisco Barbosa, que assumiu a liderança do clube durante uma década, não consecutivas, mas quando havia alguma turbulência ele aparecia, e como ele diz «O clube não pode acabar». O Eugénio Cunha e Joaquim Valinhas, o falecido José Cunha, enfim eram todos presidentes conhecidos”. Diz isto para frisar que “hoje em dia já não acontece isso, aparecem rostos desconhecidos, falta de conhecimento da cultura futebolística local e acima de tudo falta de paixão, de alma lousadense. Isso demora anos e mais anos a se envolverem no futebol e a massa adepta é muito exigente”.

“Se repararmos, nos últimos anos, o clube teve presidentes totalmente desconhecidos da sociedade Lousadense… um de Paços de Ferreira e outro de Penafiel… O problema da ADL foi, é, e vai continuar a ser a falta de massa adepta… O clube é gerido ultimamente por pais dos miúdos da formação, tudo corre bem se os filhinhos jogarem, se os filhos abandonarem ou não tiverem habilidade para a bola, os «pais diretores» acabam por abandonar também”, alerta Jorge Fernandes. A descentralização do estádio e a falta de uma sede social “onde se poderia confraternizar os associados, vai ser o fim do clube”, afirma ao terminar este seu testemunho.


Paulo Rodrigues

PAULO (JOCA) RODRIGUES foi presidente de uma Comissão Administrativa, num clube onde foi jogador durante vários anos. Para ele, “um clube como o Lousada requer um projeto e tempo para o desenvolver e o que eu sinto é que quem está, ou esteve, na direção quer sair (ou não) e não dá margem de manobra para alguém que queira reunir uma equipa e apoios para apresentar uma lista forte e vencedora”.

Bastante cáustico e crítico, Paulo Rodrigues afirma: “penso mesmo que esta atitude de quem lá está é propositada, para poder dizer que não aparece mais ninguém e auto intitularem-se os salvadores do clube”. Revela que já comentou “com o Dr. Jorge Magalhães, presidente da assembleia geral, o ridículo desta situação” e esclarece que “o ideal seria a atual direção (ou comissão administrativa!?) marcarem eleições para o final de época e aí garanto que haveria listas concorrentes…mas isso certamente não interessa”, remata novamente sem explicitar muito mais.


Ricardo Ribeiro

Também na mesma linha bastante crítica e jogando ao ataque, o antigo guarda-redes, que também foi presidente do clube, RICARDO (PIROTA) RIBEIRO:  “sobre o momento atual do clube penso que podia ser melhor, porque o clube está numa (divisão de) Elite, que equivale à antiga divisão de Honra, onde o Lousada nunca esteve, e ainda assim o seu lugar legítimo e adequado seria a Liga 3 ou 3ª Divisão”. Contudo, mostra-se pouco convicto das capacidades pois diz que “o clube já deve mais de 100.000 mil euros e acho que os sócios deixaram de acreditar neste projeto do presidente atual”.

Acerca do futuro, “enquanto jogador, diretor, presidente, sempre disse que o Lousada deveria ser sempre auto sustentável, com rendas, que foi o que eu negociei na altura quando decidi assinar o contrato para passar para o novo estádio”. Ricardo Pirota explica que “essas rendas eram um restaurante, um café e uma loja para o clube para poder vender equipamentos e outros produtos”.

Outra achega que este ex-presidente deixa é “a necessidade de colocar nos estatutos do clube que o presidente que sai não pode deixar dívidas” e sublinha que “no meu caso, fui certamente o presidente que mais dívida anterior pagou”.



“Não há motivo para alarme”, diz Pedro Machado

Na última assembleia municipal o presidente da Câmara, Pedro Machado foi interpelado sobre as negociações que decorrem entre a edilidade e o clube da vila. A iniciativa foi de Leonel Vieira, líder da oposição, a quem o autarca começou por dizer que “não existem negociações, mas sim reuniões” e afirmou também que “não existe motivo para alarme”.
Contudo, Pedro Machado não se mostra disponível para ceder na pretensão da ADL em gerir autonomamente o estádio municipal: “está fora de causa porque o estádio tem por exemplo uma pista de atletismo”, cuja utilização não pode ser exclusiva do clube.

“Mas os problemas existem para serem solucionados”, adiantou, frisando também que “há uma aspiração legítima do clube em ter um espaço seu, que já teve”, referindo-se ao edifício sede. Pedro Machado revelou que remeteu “um projeto (disso) ao clube para se pronunciar e que inclui um espaço de restauração, que faz falta ao complexo desportivo”.

Acerca do eventual surgimento de uma SAD, o presidente da autarquia foi comedido: “não me quero pronunciar” sobre essa pretensão da atual direção da ADL. E disse que “compete aos sócios definir” o rumo a seguir pelo clube. Detendo-se neste tema, adiantou que “a única questão em cima da mesa” acerca de uma SAD “utilizar instalações que são públicas, é a observação do que diz a lei nestes casos”. A renovação do contrato de cedência ou partilha do Estádio parece ser o busílis das conversações entre CML e ADL.

Foto retirada do facebock de Nelson Oliveira

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