por | 9 Mar, 2024 | Política, Sociedade

Pista da Costilha pode estar em perigo

ASSEMBLEIA MUNICIPAL LEVANTOU VELHAS QUESTÕES

O assunto não estava na ordem de trabalhos, mas a oposição municipal, pela voz de Leonel Vieira, levou à Assembleia Municipal (AM) o caso da urbanização dos terrenos vizinhos da Pista da Costilha. A Câmara, pela voz do seu presidente, disse ter o processo em fase de conclusão e congratula-se por isso, pois diz tratar-se de um problema de urgente resolução. Mas a oposição protestou pela falta de discussão pública sobre o assunto. Leonel Vieira diz mesmo que a Pista pode estar em perigo devido à expansão urbana nos terrenos vizinhos, nomeadamente no atual parque de concorrentes ou paddock.

Ampliar as atuais instalações ou construir uma nova pista noutro local do concelho é uma antiga questão, que voltou a ser falada na AM, por Leonel Vieira, que alertou para a necessidade de um debate público. O executivo socialista entende que isso só iria emperrar o processo e adiar uma decisão que considera urgente e que está prestes a ser consumada. Essa consumação não é bem vista pela oposição, cujo líder voltou à carga. “A melhor solução para a Costilha não pode ser decidida num qualquer gabinete por duas ou três pessoas que provavelmente estão mais interessadas na especulação imobiliária do que no futuro do desporto automóvel em Lousada”, sugeriu Leonel Vieira. Este prosseguiu numa toada crítica ao dizer que “o senhor presidente está a precipitar-se e a prejudicar o município, o concelho e até a hipotecar o futuro do desporto automóvel em Lousada”. E asseverou ainda que “todos os pilotos e dirigentes com quem falei consideram que manter a pista naquele local é um erro e todos defendem uma nova pista noutro local”.

Com o aumento da construção e habitação na zona, “o ruído e a falta de estacionamento para os espetadores das provas serão dois problemas” que segundo Leonel Vieira colocarão em perigo a continuidade da pista naquele local.

Em primeira mão, Pedro Machado revelou que já “há uma perspetiva de acordo, mas ainda não está fechado” e contestou a sugestão de um debate público pois no seu entender “a seguir à discussão pública fazemos um grupo de trabalho ou uma comissão técnica e andamos aqui entretidos e portanto este assunto tarda em ser resolvido, quando é urgentíssimo resolvê-lo”. A esta argumentação acrescentou que “o clube automóvel recebeu uma intimação do proprietário do terreno em que lhe foi dado um prazo para a resolução do problema”.

Do que foi dito depreende-se que o projeto em marcha implica, por exemplo, o desaparecimento do atual paddock onde serão construídas urbanizações e em sua substituição a Câmara pretende adquirir um terreno a norte da pista, que é propriedade da Casa da Costilha, terreno a ser destinado ao futuro parque de concorrentes.

“TRAPALHADAS DO FUTURO CANDIDATO À CÂMARA”

Embora com polémica à mistura, foi aprovado o “Prémio Dr. Mário Fonseca” para premiar a Investigação Académica na área das Ciências da Saúde. O prémio atribui 10 mil euros ao vencedor, mas o regulamento deixou bastantes dúvidas à oposição. Ficou-se a saber que o documento apresentado à votação era a terceira versão do que inicialmente havia sido levado a reunião de câmara e que foi sucessivamente revisto após reparos da oposição. “E ainda assim continua com indefinições”, acusou o representante do CDS-PP Pedro Amaral, que apelidou isso de “teimosia e trapalhadas do pelouro do futuro candidato à Câmara”, referindo-se a Nelson Oliveira, vereador do pelouro da Saúde. O deputado centrista na AM fez ver que “o incentivo que este executivo se propõe atribuir à investigação por um lado elenca uma série de despesas elegíveis e obriga à prestação de relatórios financeiros, o que leva a querer que se trata dum mero mecanismo de ressarcimento de despesas” e não uma forma de premiar o mérito dos investigadores. “E se as despesas não chegarem a 10 mil euros, o vencedor tem que devolver o excedente?”, questionou o deputado municipal.

AMPLIAÇÃO DA ÁREA INDUSTRIAL DE CAÍDE

No ponto relativo à ampliação da zona de acolhimento empresarial de Caíde de Rei, houve unanimidade na respetiva aprovação. Ainda assim, o autarca Carlos Moreira, deputado municipal e tesoureiro da Junta caídense, mostrou-se receoso por saber da expansão das zonas industriais vizinhas, principalmente em Travanca. O autarca de Caíde diz que não chega dotar o empreendimento de áreas de implantação mínimas de 700 metros e máximas de 1155 metros, mas que deviam ser adotadas dimensões mínimas na ordem dos 860 metros e máximas de 3400. Não o fazer numa área bem servida por acessibilidades (autoestradas a escassos  minutos, uma linha de caminho de ferro, uma estrada nacional) “pode limitar-nos indústrias de grandes dimensões, o que não está previsto no regulamento”. Defende Carlos Moreira que não observar essa possibilidade pode deixar fugir grandes indústrias que colhem melhores condições na vizinhança. Deu como exemplo a instalação de uma empresa suíça em Amarante numa área de grandes dimensões “e que emprega 400 colaboradores”. Embora votando a favor do regulamento proposto pela Câmara, Carlos Moreira insistiu que “este regulamento pode prejudicar em certa medida, e há exemplos, não vamos citá-los aqui, de zonas industriais que começaram a fazer pequenos pavilhões” e depois perderam possibilidades de grandes investimentos.

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