A Casa Nobre No Concelho de Lousada

Tipologias – VIII | Varanda Alpendrada

Outro elemento arquitetónico que igualmente se destaca na fachada da casa nobre, nobilitando-a, é a varanda alpendrada.1 Plataforma avultando da fachada ao nível dos andares, unida à parede da casa, situa-se, preferencialmente no primeiro andar, embora também possa surgir no rés-do-chão. Estes lugares de abrigo franqueiam a constante relação entre o exterior e o interior que o clima permite. Por outro lado, respondem às exigências do campo: abrigar-se, secar, fiar, …. Passando a casa a estar mais aberta para o exterior, permitindo assim «a contemplação da natureza.» 2

Na casa nobre lousadense a varanda alpendrada ou abre para um pátio de entrada já no interior do edifício ou, se desenvolve para o exterior, adotando proporções cenográficas, tal como acontece com as varandas das casas da Bouça, Vila Verde e de Juste. Ela é, pois, uma espécie de sala de visitas, sobressaindo em alguns casos, como já referimos, em relação ao resto do edifício, e é um elemento primordial, uma marca de singularidade, exibindo uma expressão acolhedora e proporções harmoniosas. Constitui a verdadeira entrada da casa. O seu pavimento é normalmente ladrilhado com tijoleira ou lajeado com granito. Do alpendre entra-se diretamente para a sala ou salas.3

Como elemento portador de decoração, a varanda alpendrada “assume um papel simbólico e funcional.”4 O efeito ornamental é obtido através da colocação de uma voluta no remate da guarda lateral (como ocorre nas casas da Lama, Ronfe, Vila Verde e Bouça), e das colunas de granito, normalmente lisas. A varanda é assim, um elemento que sobressai do restante conjunto edificado.

Varandas alpendradas das casas de Ronfe, Renda e Lama, 2005. Arquivo particular de José Carlos Silva

Existem casas que devem a este simples elemento de circulação o fator inevitável da sua importância. Este espaço de ligação entre o interior e o exterior conferiu-lhe um prestígio acrescido. Assim acontece nas casas da Bouça, Juste, Lama, Real, Renda, Ribeiro, Ronfe, Valteiro, Vila Verde. 

Casa de Juste – varanda alpendrada – Fachada Sul e Este. Arquivo da Casa de Juste.

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1 – Esta «(…) nova solução arquitetónicas, está diretamente ligada ao esforço para abrir a casa para o exterior e para permitir a contemplação da natureza.» AZEVEDO, Carlos de – o. c., p. 72. Cf. COLE, Emily (Editor Geral) – o. c., p. 330.

2 – FAUVRELLE, Natália – o. c., p. 60

3 – OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Fernando – o. c., p. 103.

4 – FAUVRELLE, Natália – o. c., p. 72.

Obras consultadas:

– AZEREDO, Francisco de – Casas Senhoriais Portuguesas. Viagens de Estudo Do IBI. Braga: Oficinas Gráficas da Livraria Cruz, vol. I, 1978.

– AZEVEDO, Carlos de – Solares Portugueses. Introdução Ao Estudo Da Casa Nobre. 2ª Edição, [s/l]: Livros Horizonte, 1988.

– AZEVEDO, José Correia de – Portugal Monumental-Inventário Ilustrado. Lisboa: Edições Nova Gesta, vol. III, 1992.

– GALHANO, Fernando – Casas de Pátio Fechado do Concelho de Paredes. In Separata do Tomo VIII das Publicações do XXIII Congresso Luso-Espanhol. Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências: Coimbra, 1957.

– Natália Fauvrelle, Quintas do Douro. As Arquiteturas do Vinho do Porto. Cadernos da Revista Douro – Estudos Monográficos. Porto: GHEVID, 2001.

José Carlos Silva

Professor / Historiador

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