PAULA TELES ENTRE A INTERVENÇÃO SOCIAL E A MÚSICA
Desde 1980 muitas intérpretes marcaram presença em bandas Rock de Lousada. Uma a uma, foram abandonando as carreiras musicais. Até que, na atualidade resta uma: Paula Teles. Esta lousadense destacou-se recentemente na liderança dos Lilith’s Revenge, banda que atingiu bastante notoriedade, mas da qual saiu para se iniciar num projeto a solo, que resultou num disco que sai em Abril.
Desde muito pequena que Paula Teles, de Sousela, se interessou pelo canto. Aos 9 anos participou no Chuva de Estrelas, com Lusitana Paixão, de Dulce Pontes e formou-se em canto clássico, mas depressa percebeu que a sua veia Rocker iria prevalecer. Antes disso, notabilizou-se na juventude em concursos de karaoke, onde ganhou prémios. A versatilidade sonora esteve sempre presente em si e também se dedicou à ópera. Neste estilo interpretou La Cerva Padrona, no Auditório de Lousada, com José Corvelo. Mais tarde, em Vila Nova de Gaia, participou noutros grandes clássicos da ópera como As Bodas de Fígaro e Flauta Mágica.
A estreia na área Pop-Rock aconteceu como vocalista de coros dos Expensive Soul. Seguiu-se a entrada para os Souls of Rock, de Rio Tinto, os Heylel, do Porto e os Waterland de Braga. E por último os já referidos Lilith’s Revenge.
Agora, a vocalista está a apostar numa carreira a solo. Vai lançar um disco, o primeiro de uma mulher lousadense na música rock. Chama-se Desencanto e segundo a autora “é um álbum cantado em português, que procura a junção entre a riqueza melódica do fado e a intensidade do metal”. O disco será lançado no Redbox Studios de Paços de Ferreira, no dia 5 de Abril. Dos sete temas que compõem esta produção, alguns já são conhecidos com pré-lançamentos. O destaque principal parece ir para Jogo do Silêncio pois está a atrair muitas atenções e conta com a presença de um importante músico sueco, Bjorn Strid, com quem Paula Teles já teve um tema em dueto há três anos.
“Desencanto é um disco que resulta de uma aprendizagem que desenvolvi neste campo musical ao longo da vida”, diz Paula Teles que se sente “feliz por realizar um sonho”, pois é assim que considera a produção deste disco.

É uma iniciativa a solo depois de ter pertencido a várias bandas. Diz acerca disso que “hoje em dia ter uma carreira a solo é mais barato para os organizadores e promotores de concertos e eventos do género”, confessa. Além disso, “sozinha é mais prático, com menos logística e menos custos”. Aproveita para referir que “a Cultura em geral está a perder terreno para outras áreas, porque tem custos e não há dinheiro”.
Quanto à perda de domínio do Rock na cena musical, Paula Teles acredita que “as ondas musicais dominantes são como as modas, que vão e voltam, passam e regressam”. Reconhece que neste momento em Lousada, na região e no país a música Pop cresce muito, a par dos estilos latinos e outros. Mas ela não desiste da sua motivação pelo rock.
“Tenho uma equipa que inclui uma grande diversidade de pessoas espetaculares, cada uma na sua área, desde a Catarina Silva, na maquilhagem e imagem; o Jorge Lopes, produtor musical; a Daniela Alves, na fotografia e vídeo; entre outras pessoas”, apresenta a intérprete, que se rodeou de pessoas “que me dão garantia de que fazem tudo bem feito”. Juntar guitarra portuguesa ao rock metálico ou hard rock, é um dos atrativos surpreendentes desta nova etapa musical de Paula Teles, que revela que “isso foi ideia do produtor Jorge Lopes e é a junção de dois estilos opostos que se atraem em Desencanto.
A música como forma de intervenção
Trabalhar a tempo inteiro na música é algo que não está nos planos desta cantora. A Psicologia ocupa-lhe a vertente profissional da sua vida. Estudou na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, onde se licenciou em 2004. Fez mestrado em Psicologia da Educação, em 2009 e 3 anos depois, iniciou uma licenciatura em canto teatral que terminou em 2015.
Entretanto, em 2022 fez na Casa da Música do Porto um curso de Monitora de Música na área de intervenção comunitária. “Gosto muito do trabalho social, ajudando pessoas, sobretudo aquelas que estão incapazes, nomeadamente com demência, com quem utilizo a música para estimular”, declara esta lousadense, que trabalha numa IPSS ligada à intervenção social junto de pessoas debilitadas.
A música é para Paula um veículo de intervenção não apenas a este nível. Voltando ao disco que aí vem, diz que “em vários casos, as letras das minhas músicas falam de personagens reais e irreais do tempo da ditadura, falam de várias realidades locais, falam da pobreza que havia nos meios rurais antes do 25 de Abril”.
Neste contexto, Paula Teles tem-se revelado publicamente na área política e partidária. Em 2021 fez parte da lista do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lousada e nas eleições legislativas que se realizam neste fim de semana. Para este ato foi convidada para integrar a lista do Bloco de Esquerda do círculo eleitoral do Porto, onde figura como candidata suplente. Sobre esta faceta diz que “gosto do ativismo político, mas prefiro fazer intervenção no dia a dia, com as pessoas, e não tanto em larga escala, para as massas”.














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