por | 21 Mar, 2024 | Política, Sociedade

Ânsia de mudança fez virar à Direita

PARTIDOS FALAM DOS RESULTADOS EM LOUSADA E NO PAÍS

O Louzadense convidou os partidos com representação em Lousada para se pronunciarem sobre os resultados das eleições de 10 de março. Nem todos responderam em tempo útil, mas de todos os comentários recebidos destaca-se claramente “a viragem à Direita” a nível nacional, como maior consequência daquele ato eleitoral.

Nota da Redação: o artigo foi redigido quando ainda não se conheciam os resultados definitivos pelos círculos eleitorais da Europa e fora da Europa.

Infografia SIC Notícias

PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA

“Portugueses insatisfeitos decidiram pela mudança”

Segundo Leonel Vieira, presidente da comissão política de Lousada do PSD, “o resultado destas eleições demonstrou que os Portugueses estavam insatisfeitos com o rumo do país e claramente decidiram pela mudança. Penalizaram inequivocamente o partido socialista, que não soube resolver os problemas reais das pessoas, nem quis aproveitar a maioria de que dispunha para implementar as reformas estruturais que Portugal precisa para se desenvolver.” Acrescenta que “ao novo governo liderado pelo PSD exige-se que procure executar o seu programa eleitoral. Da oposição espera-se responsabilidade e sentido de estado para ajudar, até porque o governo da Aliança Democrática não dispõe de maioria absoluta na Assembleia da República.” Quanto ao concelho de Lousada diz “estou certo de que o Governo liderado por Luís Montenegro tudo fará para que alguns problemas estruturais possam ser resolvidos, nomeadamente na área da saúde, educação, ação social e mobilidade.”


CDS-PP

“Resultado desafiante para a direita democrática”

O centrista lousadense Pedro Amaral declara que “confirmou-se o resultado das históricas alianças entre PSD e CDS. Sempre que o centro-direita se juntou com um objetivo comum para Portugal, nunca perdeu eleições e o CDS-PP congratula-se pelo regresso ao Parlamento onde fez muita falta, pela qualidade dos seus quadros e pelos valores da direita tradicional e da democracia-cristã”. Apesar disso, “o resultado é desafiante para a direita democrática, que se vê condicionada por um parlamento hostil à esquerda e à direita”. E assevera que “a quem ganha exige-se a responsabilidade de governar, a quem perde, e, por definição, quem perde são todos aqueles que não ganham, caberá a responsabilidade da eventual instabilidade se por ela optarem. Sendo certo que não é legítimo pedir a quem ganha que governe sob chantagem”.


PARTIDO SOCIALISTA

“Governo deve respeitar acordos com Lousada”

No dizer de Lurdes Castro, presidente da comissão política de Lousada do PS, “esta era uma eleição tremendamente difícil em virtude de uma série de episódios que levaram à demissão do Primeiro Ministro. O PS resistiu, e bem, em não tornar esta eleição num apuramento das razões judiciais da demissão, mas é tempo de haver explicações fora do período eleitoral sobre este tipo de casos”. Quanto ao desempenho de Pedro Nuno Santos, a dirigente socialista diz que “teve muito pouco tempo para se preparar para estas eleições e, ainda assim, conseguiu disputá-las até ao último voto, o que não deixa de ser meritório”. No âmbito local, “Lousada sempre teve um comportamento quase equiparado à realidade do país no que se refere a eleições legislativas, geralmente acompanhando os resultados nacionais, mas desta vez foi diferente com uma vitória do PS, que só nos poderá dar satisfação”. A concluir, Lurdes Castro realça que “dados os resultados, tem de existir uma postura de responsabilidade entre todos e acima de tudo, o novo Governo deve respeitar os entendimentos e projetos firmados com o Município, nomeadamente no âmbito do PRR”.


INICIATIVA LIBERAL

“Parte de uma solução construtiva”

“Se há conclusão que podemos tirar do resultado das eleições de 10 de março, é que efetivamente os portugueses querem mudança”, começou por dizer Hugo Ferreira, representando do Iniciativa Liberal. “Cansaram-se de estarem aquém do crescimento e de todo o potencial que têm, não só enquanto pessoas, mas também enquanto sociedade que se quer evoluída”, acrescentou. No seu entender, “os portugueses querem ser mais e melhor e vemos diariamente países que partiram de bases idênticas ou piores a ultrapassar-nos em todos os rankings e por isso não podemos continuar agarrados às desculpas de um país pobre, periférico ou pouco instruído”. Por fim, Hugo Ferreira enfatiza que “esta viragem vai obrigar a consensos e negociações, mas a Iniciativa Liberal saberá aproveitar esta oportunidade e contribuir para um futuro melhor para todos e uma sociedade mais justa, próspera e inclusiva. A Iniciativa Liberal será sempre parte de uma solução construtiva, sólida e com o potencial de colocar Portugal a crescer”.


BLOCO DE ESQUERDA

“Mais votos em todos os concelhos”

Na opinião do penafidelense Duarte Graça, da Comissão Coordenadora Distrital do Porto do Bloco de Esquerda “há duas notas principais que servem de base à análise das eleições: por um lado, o Bloco aumentou a sua votação, mantendo o mesmo número de pessoas eleitas. Este reforço refletiu-se na região do Tâmega e Sousa, tendo-se conseguido mais votos em todos os concelhos, incluindo Lousada”. Por outro lado, “esse crescimento contrasta com a conquista da maioria parlamentar entre a Direita e uma extrema-direita com peso significativo”. Para este bloquista, “o novo contexto parlamentar coloca vários desafios à Esquerda, sobretudo como garantir que não haja retrocessos em direitos conquistados”. Duarte Graça recorda que “foi dado um primeiro passo, por iniciativa do Bloco: lançar o diálogo entre as forças políticas à Esquerda, mais o PS e o PAN” e explica que “esta comunicação é necessária para afirmar uma alternativa que volte a ser maioritária num futuro próximo”.


Legislativas 2024_Créditos ECO.SAPO.PT

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