ACONTECE UM POUCO POR TODO O CONCELHO
As chuvas intensas que caíram neste inverno contribuíram para degradar (ainda mais) muitas estradas da vila e do concelho. Lousada apresenta um panorama preocupante em muitos locais. As rachadelas e declives no pavimento originaram buracos que em alguns sítios são verdadeiras crateras e afetam os automóveis. Aqui e ali já fizeram enchimento do piso betuminoso e remendos no empedrado (por vezes com simples largar de brita, que acaba por ir na enxurrada). Mas a constante fricção dos automóveis e sobretudo veículos pesados fazem, não raras vezes, reaparecer esses buracos.
Condutores de transportes públicos, taxistas e mecânicos são unânimes em afirmar que os automóveis dos lousadenses estão a ser maltratados pelo estado lastimoso de algumas estradas. Também avisam que “o mal não é só daqui”.
O experiente condutor profissional, Joaquim Sousa diz que “a estrada de Lagoas até ao Bairro, em Sampaio de Casais está uma vergonha, assim como a estrada que liga Sequeiros a Ribas; a ligação de Nevogilde, desde a Jusam até Lagoas, é outra miséria de estrada”, assim como a estrada que liga “Boim desde o Peitogueiro até Nespereira”. O conhecido taxista alerta também para o mau estado em Sousela, no lugar da Ranhó e em Aveleda, “a estrada que vai dar à Quinta dos Ingleses está uma miséria”.
O automobilista António Ferreira aponta como casos a ter em atenção “aqui perto, em São Domingos, freguesia de Cristelos; a rua de Lagares, em Silvares, e umas ruas na zona das estufas, em Nespereira e a rua da Vinha, em Boim, também são exemplos de vias em mau estado” e a precisar de rápida intervenção, pois a degradação é galopante.
No centro da vila é flagrante o mau estado do empedrado da Rua Visconde de Alentém e da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, com lombas, declives, buracos e tampas de saneamento desniveladas, só para citar alguns exemplos.



Os centros de inspeção, também conhecidos como centros de Inspeção Periódica Obrigatória (IPO), são instalações especializadas projetadas para realizar inspeções regulares e rigorosas em veículos. O seu objetivo principal é verificar se os veículos estão em conformidade com as normas de segurança e ambientais estabelecidas pelas autoridades. Ninguém melhor que este serviço para informar sobre que tipo de danos causam as más condições das estradas nos veículos automóveis. O inspetor Carlos Oliveira, do IPO de Penafiel alerta que “os buracos são especialmente prejudiciais para os pneus. Os danos mais comuns que um buraco pode causar, dependendo de sua profundidade e de suas arestas, são corte, rebentamento e outros danos na banda de rodagem, que podem exigir a troca do pneu”. Contudo, “o grande problema é que nem sempre o rasgo ou rebentamento acontece depois de passar por um buraco” e acrescenta que “é muito comum isso acontecer dias ou até meses, o que torna difícil fazer uma reclamação”.
Outro dano importante, mas ainda mais difícil de detetar no imediato, ocorre na mecânica do veículo. “As vibrações e impactos violentos ao passar por buracos também podem causar danos no chassis do carro, assim como nos amortecedores. Os braços de suspensão também podem ser danificados e até mesmo os suportes do motor”, salienta aquele especialista.
Mas há mais. Cada carro que passa por um buraco aumenta o tamanho deste. O alcatrão e o cascalho que compõem a superfície da estrada esfarelam e esses restos podem ser projetados. Regra geral são inofensivos, mas nunca se sabe quando podem causar danos a bens, animais e pessoas.


Indemnização por danos dos buracos
O Automóvel Clube de Portugal (ACP) informa que se a passagem por um buraco na estrada causar danos no veículo, o condutor pode pedir à entidade responsável pela manutenção da estrada que lhe pague os gastos que teve com a reparação. Mas para isso, precisa de reunir provas. Além de fotografar os danos no carro e o buraco na estrada que os causou, deve também chamar as autoridades policiais. São elas que vão elaborar um documento participativo: o auto de notícia. Este documento, que é pago pelo condutor, é facultativo. Porém, torna-se fundamental para ser apresentado como prova do sucedido. “Se o requerimento for direcionado a uma autarquia, é quase impossível receber o reembolso sem apresentar o auto de notícia”, refere o ACP. Esse documento deve ser anexado ao requerimento de participação de ocorrência, o qual deve ser apresentado à entidade responsável, que pode ser a Câmara Municipal, entidades privadas concessionárias (no caso das auto-estradas) ou à Infraestruturas de Portugal.
De seguida, a entidade responsável procede a uma peritagem do sinistro ou do dano e o processo segue os termos normais; ou a entidade responsável solicita um orçamento ao sinistrado, responsabilizando-se pelo pagamento do arranjo (diretamente à oficina ou ressarcindo diretamente o proprietário do veículo).














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