por | 21 Abr, 2024 | Espaço Cidadania, Sociedade

ANDRÉ COSTA, “O PILOTO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA”

Ser aviador por cidadania e realização pessoal

Tem 37 anos, é natural de Pias, concelho de Lousada, e tem dois gostos muito vincados: a aviação e a prática desportiva. É piloto aviador da força aérea portuguesa e nessa qualidade é costume pilotar o avião Falcon presidencial, de Marcelo Rebelo de Sousa. Numa dessas viagens, em São Tomé e Príncipe, foi o primeiro piloto-aviador a aterrar de noite no minúsculo e mal iluminado aeroporto local, facto que o presidente da República elogiou numa entrevista.

Desde muito novo, a aviação despertou neste lousadense um grande interesse, mesmo sem ter nenhuma referência familiar direta ou pessoas próximas ligadas à aviação. “Foi algo que simplesmente aconteceu, uma espécie de fascínio inexplicável que me acompanhou ao longo dos anos e que se transformou num sonho a perseguir”, afirma André Costa.

André Costa

Mas o desporto começou por ser a principal paixão. “Até aos 18 anos, fui atleta do Lousada Séc. XXI, na modalidade de Polo Aquático, depois durante os 6 anos que estive na Academia da Força Aérea (AFA), o desporto continuou a ser uma parte integrante da minha rotina, tanto como parte envolvente do curso quanto em competições universitárias, onde integrei a equipa de natação e de andebol da AFA”.

Atualmente, André Costa está focado nas três modalidades que compõem o triatlo: natação, ciclismo e corrida. Revela que tem como objetivo “terminar um Ironman, que consiste em 4 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida, tudo realizado de seguida e no mesmo dia”. Para isso conta com o apoio e companhia de amigos em Lousada e na Força Aérea que também praticam a mesma modalidade, “o que torna a jornada ainda mais gratificante e motivadora. Estou ansioso por completar este desafio e continuar a explorar os limites do meu corpo e da minha mente através do desporto”.

Falando da atividade principal da sua vida, a aviação, André Costa conta como decorreu o percurso: “após concluir o 12º ano, ingressei na Academia da Força Aérea para frequentar o curso de piloto aviador. Durante os seis anos desse curso, realizado em Sintra, vivi experiências inesquecíveis e fiz amigos para a vida. Tive a oportunidade de voar nas aeronaves Chipmunk MK-20 e Epsilon TB30, consolidando conhecimentos e habilidades como piloto”.

Após a conclusão do curso, foi colocado na Esquadra 504 – Linces, “onde tive o privilégio de voar na melhor aeronave da Força Aérea, o Falcon 50” e explica que “a vida como piloto na Esquadra 504 é extremamente gratificante, embora desafiadora e exigente”. Ao longo dos anos, teve a oportunidade de voar para cerca de 100 países diferentes, desempenhando diversas funções, desde co-piloto, piloto comandante e qualificando-se como piloto instrutor.

Olhando para trás, “considero cada etapa da minha carreira como uma conquista única. Os desafios enfrentados, as experiências vividas e as amizades feitas ao longo do caminho moldaram-me não apenas como piloto, mas como pessoa. Se pudesse voltar atrás, repetiria cada momento”, declara.

Especificando a sua atividade como piloto na Esquadra 504 – Linces, diz que “consiste principalmente na execução de operações de mobilidade aérea. Isso engloba uma variedade de missões, como transporte VIP, evacuações médicas, apoio logístico, entre outras. Participei em muitos voos de transporte médico urgente a nível nacional e internacional, incluindo o transporte de doentes e de órgãos para transplante”.

Quanto aos transportes de pessoas importantes, foram diversos e para os quatro cantos do mundo, “mas destaco Bruxelas como um destino frequentemente visitado. No entanto, os destinos mais marcantes são aqueles para onde voamos menos vezes, mas que são mais exigentes em termos de planeamento e psicologicamente intensos”.

“Tive o privilégio de transportar figuras de Estado em várias ocasiões, incluindo o Presidente da República. Uma das que mais se destacou foi a viagem onde transportei o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa para a ilha de Príncipe. Essa viagem tornou-se memorável devido a um marco histórico na aviação mundial”. Esclarece que aterrou na ilha do Príncipe no dia 28 de maio de 2019, numa viagem noturna e essa foi a primeira e única aeronave a nível mundial a aterrar na ilha do Príncipe à noite, por ser uma pista pequena e praticamente sem iluminação.

A aviação é uma carreira aliciante e pode estar no horizonte de muitos jovens. Pedimos a André Costa para deixar aqui uma mensagem para esses jovens: “eu diria que é uma escolha incrível, mas também exigente. Temos a oportunidade de conhecer os mais diversos locais do mundo, enfrentar desafios únicos, trabalhar em equipa e, acima de tudo, experimentar a sensação única de voar. A aviação oferece também uma variedade de percursos profissionais, desde piloto até engenheiro aeronáutico, controlador de tráfego aéreo, entre outros”. Acrescenta que a aviação “é uma indústria dinâmica e em constante evolução, o que significa que há sempre algo novo para aprender e explorar. Além disso, “saliento que a Força Aérea oferece oportunidades únicas de desenvolvimento profissional e pessoal, além de um ambiente de trabalho que valoriza a excelência, a integridade e o espírito de equipe. Escolher servir na Força Aérea não apenas proporciona uma carreira emocionante na aviação, mas também permite contribuir para a segurança e defesa do nosso país, tornando-se uma escolha verdadeiramente gratificante para os jovens que desejam fazer a diferença enquanto seguem a sua paixão pela aviação”, conclui.

André Costa (à direita) e sua equipa, com Marcelo Rebelo de Sousa

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