por | 25 Mai, 2024 | Sociedade, Uncategorized

Piscinas sobrelotadas: expandir ou construir?

EMPREENDIMENTO AQUÁTICO TEM 27 ANOS

As piscinas de Lousada foram inauguradas em 1997, numa altura em que surgiu como obra emblemática e muito saudada. Como se esperava, foi uma valia social, sanitária e desportiva de grande monta. Os anos foram passando e impõe-se uma reflexão sobre o seu futuro. Há 27 anos, o concelho tinha cerca de 30 mil habitantes e neste momento está a caminho dos 50 mil. A sobrelotação é notória no dia a dia, com várias valências no limite. Aceder à hidroginástica, por exemplo, é quase impossível, tal a dimensão da lista de espera. A piscina exterior também é escassa para tanta procura.

A questão torna-se premente: expandir ou construir? Há muito que algumas freguesias reclamam empreendimentos deste género, que tardam em aparecer. Em S. Fins do Torno (Senhora Aparecida) é uma obra muito desejada e até já apareceu em programas eleitorais. A opção em cima da mesa do Município de Lousada é a expansão do atual edifício para sul, aproximando as piscinas do prédio urbano a Poente, com a construção de um novo “tanque”.

Isso é válido para as piscinas interiores. Quanto à “piscina de verão” ou piscina exterior, a expansão para Nascente está fora de questão, devido ao aparecimento do Skatepark, que barrou essa possibilidade. Resta um eventual crescimento para Sul, ocupando espaço do Parque Urbano.

Fomos ouvir duas figuras importantes destes 27 anos das piscinas lousadenses. Um deles, António de Sousa Ribeiro Pacheco, esteve no conselho de administração da empresa municipal Lousada Século XXI, de 2002 a 2012, onde começou por ser presidente, sucedendo a Domingos Costa, que foi o primeiro no cargo.

O antigo dirigente recorda que no seu tempo “fez-se muito, evoluiu-se, mas não havia certas condições que há hoje, pois ainda não tínhamos uma mais-valia que agora existe, os painéis solares, que em termos de custos energéticos são uma grande vantagem”.

Reporta-se às piscinas com orgulho ao dizer que “é uma obra emblemática de Lousada”, mas juntamente com essa satisfação reconhece que “ao fim de 27 anos é evidente que é preciso mudança, expansão, porque todos sabemos que Lousada cresceu em população e as piscinas estão cada vez mais pequenas para tanta procura”. Sublinha que “quando eu saí, em 2012 já se falava da necessidade de aumentar as piscinas e agora muito mais se fala disso”.

Muita procura obriga a repensar futuro_Piscinas de Lousada

Com o sentido crítico e acutilante que se lhe reconhece, António Pacheco revela que foi “contra a construção do Skatepark naquele sítio e disse-o antes da construção, pois era um espaço necessário para expandir a piscina exterior, onde as pessoas se acotovelam no verão”. Recentemente formulou outra ideia, que não foi acolhida, e diz respeito à “expansão para o lado do parque e aproveitamento dos antigos balneários do campo de treinos da ADL, para balneários e acessos às piscinas exteriores, sem ter que passar pelo edifício central”.

DESPORTOS AQUÁTICOS EM RETOMA

Um dos funcionários mais antigos da Lousada Século XXI é o penafidelense Pedro Mota.  Começou por ser nadador-salvador, passou para monitor e professor de natação. A sua paixão pelos desportos aquáticos deu frutos com a criação de modalidades como a natação desportiva e o polo aquático, da qual já era praticante. “Começamos aos poucos, como em qualquer modalidade que surge, mas crescemos e conseguimos feitos muito importantes, incluindo títulos nacionais”, diz o especialista, que recorda com saudade os eventos desportivos nas piscinas de Lousada, que “juntavam tanta gente nas bancadas que era preciso segurança reforçada pela GNR”.

O desporto na Lousada Século XXI atingiu proporções nacionais, mas vários fatores fizeram regredir esse fenómeno. “A pandemia prejudicou muito a prática desportiva e isso sentiu-se nas modalidades das piscinas”, lamenta Pedro Mota.

Pedro Mota com antigos alunos

Devido a uma licença sabática, está ausente da Lousada Século XXI, onde tem o cargo de Diretor Técnico, que desempenha desde 2001. Mas espera voltar em setembro e está ansioso por esse regresso. “A retoma da prática desportiva está a acontecer e está bem entregue a pessoas que tomaram conta das modalidades e acredito que no próximo ano já se vai ver resultados disso”, diz Pedro Mota, que espera “dar o seu contributo “para relançar a prática desportiva aquática, com ensinamento e treino, que é aquilo que mais me faz feliz”.

A questão da falta de espaço e de horários nas atuais instalações foi abordada na conversa com este aficionado das piscinas. Para Pedro Mota “é inevitável expandir, pois a pressão é muita e sei que está previsto um alargamento para o terreno que está disponível na parte sul do empreendimento”.



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