por | 8 Jun, 2024 | Íris Pinto, Opinião

Romper o Ciclo da Violência Doméstica

A violência doméstica é um estigma persistente na sociedade há muito tempo. Recentemente, tornou-se um crime público, o que significa que qualquer pessoa pode denunciar o crime e a vítima não pode retirar a queixa. Isto marca uma nova era na violência doméstica, contrastando com as normas antigas em que as vítimas, movidas pelo medo ou arrependimento, entre outros fatores, frequentemente retiravam as suas queixas, perpetuando um ciclo de abuso. As vítimas encontram-se numa bola de neve, no qual a dinâmica do relacionamento deteriora-se progressivamente, culminando em agressão física ou formas de tormento psicológico, financeiro e/ou diversos. Apesar de desejar libertar-se deste ciclo, tanto vítimas quanto agressores vêem-se presos em um vínculo inquebrável, percebendo a fuga como uma tarefa insuperável, independentemente da gravidade das circunstâncias. Mesmo quando o agressor está preso, ambas as partes manifestam uma inclinação para a comunicação, com a vítima procurando a retratação da queixa e o agressor tentando restabelecer contato, percebendo o relacionamento através de uma lente distorcida. Indivíduos enraizados em tais relacionamentos frequentemente exibem uma propensão para replicar esse padrão prejudicial em relacionamentos subsequentes, assumindo papéis de vítima e agressor, apesar dos esforços concentrados para evitar tal repetição.

Íris Pinto

Psicóloga

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