por | 18 Jun, 2024 | Finanças, Opinião

GESTÃO DE RISCO E GOVERNAÇÃO DAS SOCIEDADES

Num ambiente cada vez mais incerto e de mudança, a Gestão de Risco assume uma importância acrescida nos processos de Gestão e de Governação, como forma de responder de modo proactivo, preventivo e planeado aos acontecimentos que podem afectar os objectivos das Organizações.

A efectividade de processos e sistemas de Gestão de Risco é considerada uma das práticas fundamentais de um bom Governo das Sociedades.

Dada a importância acrescida da Gestão de Risco, têm sido emitidos e divulgados standards pelas organizações representativas de associações e profissionais.

Muitas organizações em todo o mundo reconhecem a ligação entre o Governo das Sociedades, a Gestão de Risco e o Desempenho das Organizações.

A par da Gestão Ambiental e da Responsabilidade Social, a Gestão de Risco é uma das componentes do desenvolvimento sustentável das empresas, uma vez que contribui para um desenvolvimento contínuo dos negócios, através de um maior conhecimento e de uma gestão mais efectiva dos riscos que podem afectar as Organizações.

Tendo como base a Visão e a Estratégia Corporativas, a Gestão de Risco contribui para um bom Governo e para a criação e realização de Valor das Organizações.

Não existe uma definição padrão de Governo das Sociedades.  A definição mais comum e simples é a seguinte: “Governo das Sociedades é o sistema através do qual os negócios são dirigidos e controlados”.

Os princípios estabelecidos pela OCDE estabelecem que o Governo das Sociedades: envolve um conjunto de relações entre a Gestão, o Conselho de Administração, os accionistas e os outros interesses na Empresa; proporciona uma estrutura através da qual os objectivos da Empresa são estabelecidos, assim como os meios para atingir esses objectivos e para os medir; proporciona os incentivos para o Conselho de Administração e para a Gestão atingirem os objectivos que são do interesse da Empresa, dos seus accionistas e restantes stakeholders.

A existência de vários códigos sobre o Governo das Sociedades não evitou a emergência de escândalos de fraude corporativa que conduziram ao colapso ou crise das seguintes grandes organizações internacionais, entre outras: Worlcom (EUA), Enron (EUA), Arthur Andersen (EUA), Parmalat (Itália), Sumitomo (Japão).

Nos últimos anos, tem havido uma tendência global do Governo das Sociedades no seguinte sentido: aumentar o foco na manutenção dos controlos internos, desenhados para assegurar a fiabilidade da informação financeira e outras divulgações das Empresas para os mercados financeiros; aumentar a responsabilização da gestão, incluindo a responsabilidade pessoal do Presidente Executivo (CEO) e do Administrador Financeiro (CFO) sobre as demonstrações financeiras; melhorar os mecanismos de governação, incluindo responsabilidades acrescidas e independência dos Comités de Auditoria; requisitos de independência estrita para os auditores externos; reforçar os sistemas e processos de Gestão de Risco.

Ricardo Luís *  

Contabilista e Consultor de empresas  

  

  

  

  

* Escreve mediante o antigo acordo ortográfico  

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