Os lousadenses são pessoas honradas

Manuel Luís Bessa Sousa, um especialista financeiro

É uma pessoa conhecida da generalidade da população local, devido ao destaque que obteve na área financeira. Através da chefia de delegações bancárias, Manuel Luís Bessa Sousa promoveu prosperidade em Lousada e outras localidades por onde passou no exercício dessas funções. Nasceu há 68 anos, em Sousela. Como vários jovens da sua geração naquela freguesia e arredores, foi muito cedo estudar para o seminário de Braga. “Isso foi muito importante para a minha formação”, declara. Hoje está aposentado da banca, mas mantém atividade privada no setor da finança e do imobiliário. Desta atividade de várias décadas destaca uma conclusão: “de um modo geral, as pessoas de Lousada são honradas e valorizam mais a palavra dada que uma assinatura”.

Estamos perante uma pessoa que aprecia as raízes e as tradições da sua terra. De facto, Manuel Bessa é um apaixonado pela cultura e pelas pessoas da região do rio Mesio em particular e de Lousada em geral. Por elas dedica muito do seu tempo na procura de soluções de investimento, mas também no associativismo, “tendo como um dos propósitos ajudar a criar uma sociedade melhor”.

“Envolvi-me no Centro Cultural e Desportivo da Ordem (CCDO), na fase de grande crescimento da coletividade e confesso que fui além das capacidades da terra para aquilo que investi lá”, mas não lamenta isso e diz-se “orgulhoso pelo percurso do CCDO, que em boa hora ganhou a liderança do Jorge Furtado, que está a desenvolver um excelente trabalho”.

Ainda no associativismo, Manuel Bessa fez parte dos impulsionadores do agrupamento Danças e Cantares de Figueiras e Covas, um rancho folclórico que está a dar os primeiros passos. “Infelizmente aconteceu um divisionismo, por causa de certos interesses que se misturaram no projeto inicial e houve quem formasse outro rancho em Covas”, lamenta.

Manuel Bessa

É um desportista. Assim se identifica, mas revela que é muito emotivo também nessa área. O seu entusiasmo pela Associação Desportiva de Lousada (ADL) é conhecido e vem dos tempos de jogador. “Fiz parte dos juniores e quando subi a sénior desentendi-me com o Cabral, que tinha os jogadores que vinham com ele e não dava espaço aos da terra”. No futebol e em tudo o que vive com emoção e paixão “posso exagerar nas reações e discutir, mas não sou pessoa de guardar rancores e tudo passa”.

Confessa-se um homem mais ponderado e sensato, condições que considera importantes para eventualmente dar um contributo ao clube da sua terra como dirigente: “tenho essa disponibilidade de colaboração”, diz o lousadense, que manifesta apoio a Sandro Sousa na liderança da ADL.

Também a política não passa ao lado da vida de Manuel Bessa. “Sempre gostei da política por ser uma forma de melhorar a vida das pessoas e das localidades” e afirma que começou por fazer parte do PCTP/MRPP, “sem ser filiado, mas isso valeu-me o rótulo de comunista”. Nessa altura, em finais da década de 1970, ainda jovem, portanto, cruzou-se nas andanças partidárias com Durão Barroso, que militava naquele partido radical de esquerda.

“Mas a entrada a sério na política foi um descalabro. Aconteceu na minha candidatura à Junta de Figueiras, em 1997, pelo Partido Socialista”, que resultou numa derrota desmotivadora e o fez abandonar a política. “Senti-me traído pela maioria das pessoas que estavam comigo naquela lista”, lamenta. Dessa experiência retirou uma conclusão: “a fome de poder da política é o que estraga tudo”.

FEITOS HISTÓRICOS NA BANCA

Na vida profissional contribuiu para o desenvolvimento local e não tem pejo em afirmar: “fiz muito por Lousada”. Recorda que esteve no lançamento fulgurante da antiga agência bancária Novas Rede (onde é hoje a Confeitaria Colmeia): “comecei a carreira no Banco Espírito Santo, em Lordelo, onde estive um ano, passando depois para o Banco Pinto e Sotto Mayor, o primeiro banco privado que veio para Lousada”.

Após passagens por filiais da Nova Rede, do grupo BCP, em Penafiel e Felgueiras, veio para a agência de Lousada, que teve uma ascensão meteórica: “após um ano da minha gerência, a Nova Rede de Lousada tornou-se a segunda maior agência daquele grupo bancário no Norte”.

Um dos “principais motivos desse sucesso foi não ter clientes com créditos vencidos, ou seja, dívidas, “que é fruto de uma característica que ainda hoje vejo na maioria das pessoas verdadeiramente lousadenses, que é a honra e a seriedade no compromisso nos negócios”. A seu ver, “esse tipo de pessoas que ainda prevalece em Lousada, são «escravos da palavra» e quando se trata de firmar negócios, dão tanto ou mais valor a um aperto de mão e a uma palavra que a uma assinatura, ou seja, na economia de Lousada vejo aquilo que chamo de cultura de cumprimento da palavra”.

Depois passou para o BES – Banco Espírito Santo, também em Lousada “e consegui um feito extraordinário e impensável para muita gente, mas que graças ao bairrismo da Senhora Aparecida isso foi possível”. Refere-se com isso à abertura de um balcão do BES naquela localidade do concelho. “Foi fundamental o impulso dado por Joaquim Rafael e o Arménio Moreira, que preconizavam o espírito empreendedor da Aparecida”, mas houve alguns entraves, que o empenho dos apologistas da iniciativa trataram de superar. “Contra a expectativa de muitos, logo no primeiro mês o balcão do BES na Aparecida teve saldo positivo e sem recorrer a transferências de contas de aparecidenses do BES Lousada”, regozija-se Manuel Bessa.

CORTAR NA ESPECULAÇÃO

A experiência e resultados obtidos na gestão da banca levou-o a socorrer outras delegações regionais. Após uma comissão de serviço em Famalicão aposentou-se e desde então dedica-se ao setor imobiliário, embora o apoio às pequenas e médias empresas continue a ser a área que mais privilegia. “Sou apologista do apoio aos pequenos, pois os grandes têm um risco maior em caso de incumprimento, já que envolvem montantes maiores e além disso, os pequenos e médios empresários são os dinamizadores locais que diversificam a atividade comercial, os serviços e a indústria e disseminam muito mais dinheiro na economia local, enquanto os grandes ficam com o dinheiro mais concentrado em poucas mãos”, esclarece.

Este especialista da atividade económica considera que “Lousada é altamente atrativa pelas condições de localização e acessibilidades, mas também pelos seus valores sociais e culturais”. Mas, Manuel Bessa vê problemas de crescimento na falta de terrenos para construção. “Muitas propriedades estão concentradas em algumas importantes famílias e a Câmara devia ter um papel mais ativo no desbloqueio de certas situações”, aponta o entrevistado.

Apoio municipal é algo que defende também para a indústria “que se quer instalar aqui e acaba por ir para outras localidades, como certos casos que conheço, por obterem noutros concelhos apoios que aqui lhes são negados”.

A construção de zonas industriais como Lustosa e mais recentemente Caíde não parece a Manuel Bessa “a aposta mais acertada” e defende “a construção de um centro de logística, não só por causa da localização geográfica e vias de acesso como também devido à grande quantidade de empresas de transportes aqui existentes”, justifica.

As críticas deste analista do setor económico não se ficam por aqui. A seu ver, “a especulação imobiliária é um travão à expansão imobiliária e os empresários deveriam ter isso em conta”. Depois deste alerta sublinha que “Lousada tem tudo vendido, o que está construído e muito do que ainda aí vem, aliás, o que se construir nos próximos dez anos é seguramente vendido, mas é importante cortar na especulação”, repetiu.

Assim fala Manuel Luís Bessa Sousa, que continua no epicentro da economia lousadense.

Manuel Bessa e esposa

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