Um caminhante da inovação e do bem comum

PADRE PAULO GODINHO, HÁ 10 ANOS EM LOUSADA

Natural da freguesia de S. Vicente de Pereira (Ovar), Paulo Sérgio Silva Godinho, é um sacerdote de 35 anos. Viveu a infância na terra natal onde estudou até ao início do Ensino Secundário, altura em que se mudou para o Seminário do Bom Pastor em Ermesinde. Terminado o ensino secundário, entrou para a Faculdade de Teologia da Universidade Católica, altura em que passou a frequentar o Seminário Maior do Porto. No seu percurso de vida ainda passou por Matosinhos onde realizou o estágio pastoral antes de ser ordenado sacerdote em 2014 e abraçar esta missão em Lousada.

Uma pergunta parece-nos óbvia, para começar esta Grande Entrevista: como e quando surgiu a sua vocação sacerdotal? O padre Paulo começa por dizer que “como todas as crianças tive os meus sonhos, sonhar aquilo que consideramos ser perfeito para nós. E confesso que sempre tive este sonho de um dia servir o mundo e os outros como sacerdote. Contudo, à medida que fui crescendo, fui percebendo que não basta sonhar, é preciso fazer caminho para alcançar o sonho ou até mesmo para perceber se o sonho traduz o que se quer, o que nos realiza, o que nos torna felizes”. Esclarece que, nesse sentido, fez o seu “caminho de descoberta, na catequese, na paróquia, no caminho que realizei em Seminário (de 2003 a 2007 no Seminário Menor do Bom Pastor em Ermesinde e de 2007 a 2014 no Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição na cidade do Porto)…um caminho com as suas etapas, carregado de perguntas, de dúvidas mas também de clarificação e descoberta de certezas”.

Ordenação de Paulo Godinho a 7 de julho de 2014

“A vontade de ser padre sempre esteve bem forte em mim”, sublinha o reverendo, mas se porventura não tivesse sido esse o caminho? Que outra profissão gostaria de ter seguido? Quando se faz caminho de descoberta as portas da vida vão estando sempre abertas. Se porventura o caminho encontrado de realização e felicidade não passasse pelo sacerdócio (e pensei algumas vezes como é natural…Será que serei feliz como padre? Será que me sentirei realizado?) passaria certamente e disso nunca tive dúvidas por algo que me colocasse ao serviço do bem comum, do bem dos outros…ou pela área da saúde ou pela música”, expõe Paulo Godinho.

No décimo aniversário da sua presença em Lousada, justifica-se mais que nunca fazer um balanço. Diz que “foram dez anos que voaram e passaram a correr mas trouxeram consigo uma riqueza de tesouros humanos fantástica. São dez anos de muitas experiências e tão variadas no que me fizeram ou fazem sentir, mas no fundo acrescentam sempre sabedoria de vida e isso é dos melhores resultados que podemos alcançar”.

Pe. Paulo Godinho

Está ainda presente a imagem da sua chegada a Lousada, sem experiência, mas foi-se afirmando paulatinamente na sociedade local que o acolheu. Sobre esse tempo confessa: “Não vou esconder que iniciar este caminho de vida sacerdotal, como pároco, numa missão a desempenhar em quatro comunidades paroquiais, no centro de um Município, criou em mim alguma apreensão”. Mas desde cedo percebeu que encontrou “muita gente maravilhosa, que me acolheu desde logo que cheguei, muita gente que fui conhecendo e me fez perceber que apesar das possíveis dificuldades em momento algum eu estaria sozinho nesta missão”. Explica que percebeu “desde logo que estando ao lado das pessoas, colocando-me ao serviço, tudo seria mais belo e bonito. E assim me encontro, ao serviço de quem me foi confiado um dia para que como pároco deles pudesse cuidar com ternura e um verdadeiro espírito de amor”.

Certamente nem tudo têm sido facilidades e encontra espinhos no caminho. “Tudo na vida tem o seu grau de dificuldade, até costumo dizer que quem vive a vida a sério, tornando-a um dom partilhado e oferecido por amor, experimenta essa dificuldade, pela dor, pelo sofrimento, pela partilha do que se sente e vive. Procuro fazer da minha vida isto mesmo, e lidando com pessoas e procurando construir com elas uma relação fraterna faz-me experimentar e lidar com a dificuldade própria de quem enfrenta a doença, de quem vive o inesperado negativo, de quem passa pela perda física de quem ama”. E daqui conclui que “ser padre é abrir o coração à prática de um amor que custa, mas embeleza tanto a vida”.

Pe Paulo Godinho na benção das Pasteleiras

As igrejas, construções antigas, necessitam de cuidados nas suas estruturas. Pias, Boim e Cristelos estiveram e estão em obras. A Capela do Senhor dos Aflitos virá a seguir.  É algo que ocupa e preocupa Paulo Godinho:Um desafio no cuidado pastoral das paróquias é também o zelo e o cuidado dos espaços destinados à vida da comunidade, entre eles as nossas igrejas, que são um verdadeiro património da nossa terra. Ao longo dos anos temos vindo a realizar algumas obras de requalificação dadas as necessidades e os problemas. Algumas estão feitas, concluídas outras certamente que serão desafios para um futuro próximo”. Destaca que a “generosidade de grande parte das pessoas tem sido sentida. Afinal de contas, os espaços paroquiais (igrejas, capelas, centros pastorais, etc) são espaços de todos”.

Aos poucos, o pároco foi introduzindo medidas novas, práticas diferentes, exercendo sacerdócio com a sua assinatura. Questionado se alguma vez encontrou resistência às mudanças, responde que “a mudança por si só cria aquela resistência própria de quem pensa «Será que estamos a mudar para melhor?» porque muitas vezes implica mexer naquilo que se faz há muito tempo. Contudo, porventura alguma mudança que se introduza é sempre muito bem pensada e refletida e o critério que preside sempre é vontade de mudar para melhor e que esse melhor signifique mais profundidade no momento, uma maior experiência de comunhão, um desenvolvimento maior da fraternidade, do estar em família”. Sempre certo da exigência do tempo presente “que me pede que seja criativo, que pense em novas formas de fazer chegar às pessoas uma experiência encontro com Jesus e o quanto Ele pode transformar a nossa vida. Mudar sempre a pensar nas pessoas, e no melhor para elas”.

Pe. Paulo Godinho com o Papa Francisco

Um marco inolvidável destes 10 anos foi a vivência da  Jornada Mundial da Juventude. “É sempre um momento marcante todos os anos em que ela se realiza, sobretudo para quem toma a iniciativa de participar dela. No ano 2023 tivemos o privilégio de que acontecesse em Portugal, tendo motivado um grupo considerável de jovens das nossas comunidades a participarem da mesma”. O padre tem a certeza que os jovens “regressaram diferentes, dotados de uma experiência que guardarão para a vida. Que lhe deu a oportunidade de fazer uma experiência única de Ser Igreja que ajudará na vivência em família e em comunidade. Agora todos sabemos que a Pastoral Juvenil é um desafio nos dias de hoje, e procuro juntamente com animadores e catequistas novos métodos e novas expressões que nos permitam levar aos jovens a certeza que eles são também os protagonistas do presente da nossa história, são um belo tesouro do nosso tempo”, exclamou.

Por fim, uma interrogação sobre o que aí vem em termos de planos. “Simplesmente levar por diante (sempre com alguma criatividade e inovação) tudo aquilo que permita estar com as pessoas, continuar a construir história, a fortalecer laços e relações e a crescer juntos na Fé”, disse Paulo Godinho, que terminou com uma frase que lhe é sobejamente conhecida: “fazer tudo o que ajude a ser comunidade, a ser família”.

5 cálices representam as 5 igrejas que tem a seu cargo

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