No coração do vale do Rio Mesio, em plena Rota dos Vinhos Verdes, a Quinta de Lourosa, situada em Sousela, é um exemplo de enoturismo e de produção de vinhos verdes que combina tradição e modernidade.
Imbuída de uma rica história, a propriedade foi revitalizada pelo professor de viticultura Rogério de Castro e a sua família, incluindo a filha Joana de Castro, engenheira agrónoma, transformando-a num local onde o respeito pela natureza e a tradição se unem à inovação técnica e à experimentação.

Método LYS: vinha mais amiga da uva e do ambiente
Abrangendo cerca de 30 hectares, a Quinta de Lourosa produz cerca de 300 mil quilos de uva por ano, mais que suficiente para dar origem a uma série de Vinhos Verdes comercializados em grande parte para o estrangeiro, nomeadamente nos Estados Unidos e vários países do norte da Europa.

A Quinta adotou uma técnica de condução da vinha inovadora, inventada por Rogério Castro, que melhor protege as uvas das doenças e que ainda tem benefícios para o meio ambiente, salienta Joana Castro.
“O método LYS aproveita todo o vigor das videiras desta região, que têm a tendência de crescer, e muito. A planta é conduzida na ascendente e nas laterais, o que permite que o ar circule melhor entre os cachos, promovendo a resistência às doenças”, explica, acrescentando que o processo é mais ecológico, porque evita a aplicação de dois tratamentos fitossanitários ao longo da temporada.
“Por outro lado, vai também ao encontro da realidade das alterações climáticas, promovendo um ambiente mais fresco na vinha e evitando os escaldões da uva, que hoje em dia são uma realidade”, acrescenta.
Desta produção resultam vários vinhos verdes internacionalmente reconhecidos e premiados pela sua qualidade e originalidade. Entre brancos, tintos, rosés e espumantes aqui produzidos, destaca-se o Quinta de Lourosa Alvarinho, um “mono casta” iniciado em 2010 e resultante de um cuidadoso processo de seleção manual de uvas, bem como da recuperação de um antigo processo de maturação.

“É um pouco diferente dos outros Alvarinhos, porque o processo de fermentação e estágio de cerca de metade da produção são realizados em barrica de carvalho, ao longo de seis meses” explica Joana Castro. E acrescenta: “Produzir vinho é, sobretudo, um negócio de emoções. Por um lado, vemos a planta a nascer e a crescer. Ao engarrafar o produto resultante, há ali um caráter emocional associado. Por outro, as emoções também se sentem do lado do consumidor e acho interessante como os vinhos são “sentidos” pelos diferentes clientes: um comprador nórdico e um comprador sul-americano sentem estes vinhos de formas diferentes, e temos que estar conscientes desta realidade. É mesmo um negócio emocional”.
Experiência turística que se destaca pela autenticidade
A Quinta de Lourosa oferece seis quartos com casa de banho privativa e um apartamento com cozinha, sendo ideal para férias em família, escapadas românticas ou encontros empresariais. As comodidades incluem piscina, campo de ténis, área de jogos, sala de reuniões, sala de provas e uma loja de vinhos e produtos regionais. Os visitantes podem desfrutar de visitas guiadas às vinhas e adega, participar em provas de vinhos e explorar pacotes turísticos que destacam a gastronomia tradicional, cozinha criativa, artesanato e excursões a locais históricos e culturais.

Os clientes desta oferta turística são, na maioria, estrangeiros, mas o nacional também tem crescido, em particular depois do período da pandemia da Covid-19, salienta Joana Castro.“Notamos que é, sobretudo, um turismo em família, com filhos, que começou a crescer, após a Covid-19.”, explica. E conclui:
“É uma experiência de turismo muito natural, com autenticidade e que se pauta pela diferença. As pessoas que aqui veem notam isso, sobretudo nos detalhes. Por exemplo, se há falta de água, paciência, não se rega à volta da piscina. E quando se explica isso, o turista, especialmente o estrangeiro, aplaude a atitude e a preocupação pelo meio ambiente”.
Portas abertas nas Quintas ao Sábado
No dia 7 de setembro, a Quinta de Lourosa abriu portas no âmbito do projeto “Quintas ao Sábado”, promovido pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV).
Este projeto visa promover o vinho verde mediante visitas a quintas pertencentes à Rota dos Vinhos Verdes, ao longo de vários fins de semana.
O programa na Quinta de Lourosa incluiu a realização de um workshop e prova vertical de Alvarinhos, em que se pode constatar a evolução deste vinho e comparar com o mais recente.
Os anos em prova foram os de 2011, 2014, 2016, 2019 e 2023. Foram ainda realizadas visitas com provas e concertos nas vinhas.













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