por | 28 Set, 2024 | Sociedade, Uncategorized

Regresso do Ralicross internacional à Costilha: um desafio milionário

SATISFAZER EXIGÊNCIAS DA FIA OBRIGA A CORRIDA CONTRA O TEMPO

O Campeonato Mundial e Europeu de Ralicross “fugiu” de Lousada para Montalegre, há 17 anos. Agora está de volta à Costilha. Naquela cidade transmontana ouvimos vozes de alívio e de contestação. Há quem fale em “falta de ética” do consórcio austro-alemão (GmbH), que assinou com Lousada antes do atual contrato com Montalegre expirar. Nos dias seguintes ao anúncio exclusivo do nosso jornal, as entidades envolvidas confirmaram a notícia. Depois da euforia inicial quase generalizada, começaram a surgir questões e dúvidas. Entretanto, a GmbH está à venda (por 500 milhões de euros) e um banco americano aparece na linha da frente para comprar a empresa da austríaca Red Bull e da alemã KM25.

A notícia lançada em primeiríssima mão, no dia 10 deste mês, pelo O Louzadense, foi recebida pela generalidade da população com bastante satisfação e euforia. A prova está prevista para daqui a 7 meses (3 e 4 de maio) e embora nem tudo esteja “preto no branco”, é o corolário de tentativas que já decorriam há dois anos.

Uma semana depois do nosso anúncio, o CAL confirmou que “após um longo hiato de 17 anos, Lousada volta a ser palco de competições internacionais do desporto automóvel, com o regresso do World RX e do Euro RX a partir de 2025”. O contrato foi firmado entre o CAL e a GmbH, que é a firma austro-alemã a quem a FIA concessionou este e outros campeonatos europeus e mundiais.

O CAL comunicou que “a aquisição dos terrenos da Pista e parte da Quinta da Costilha, pelo Município de Lousada, foi o passo decisivo para iniciar a requalificação e o aumento do traçado, preparando-o para as exigências de uma homologação internacional”.

São várias as entidades envolvidas neste processo e o CAL anunciou que “já está a trabalhar em conjunto com o Município de Lousada, Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), onde já efetuou o pedido para a homologação internacional do atual circuito de Lousada”. Esta aprovação por parte da FIA é que confirmará a vinda do Ralicross Internacional para a Costilha. Só depois das obras de requalificação do circuito e do paddock é que isso poderá acontecer. Portanto há um contra-relógio a vencer.

É um processo que envolve “vários milhares de euros”, mas ainda é cedo para dizer o valor ao certo. “Dadas as exigências logísticas e financeiras, é um feito que só foi possível graças ao apoio da Câmara Municipal de Lousada”, referiu o CAL. O presidente desta entidade, Luís Marinho, disse que “há muito trabalho pela frente, muitos desafios, e o caminho será duro, mas é precisamente isso que gostamos”.

FPAK RECONHECE DESAFIO EXIGENTE

O presidente da Federação, o antigo piloto de velocidade Ni Amorim, disse ao O Louzadense que “a ida do WRX para Lousada é um desafio exigente”, mas manifesta-se “confiante na capacidade da Câmara e do Clube Automóvel de Lousada”.
Disse que esteve sempre a par das negociações e reconheceu que “nem todos ficaram contentes”. Contudo, Ni Amorim sublinha que “para a FPAK o que interessa é que provas internacionais como esta venham para Portugal, seja qual for a localidade ou o circuito”.

Da parte do Clube Automóvel de Vila Real (CAVR), uma fonte que pediu anonimato, disse que “no mínimo houve falta de ética por parte do promotor (GmbH), que estabeleceu negociações com Lousada sem nada informar a Montalegre, com quem ainda tem contrato até final de 2024”.

Circuito de Montalegre onde se diz que houve falta de ética na mudança do WRX

A mesma fonte insistiu que “não fomos apanhados de surpresa, sabíamos que Lousada estava em negociações com o promotor há dois anos”. Da parte do CAVR existe “uma certeza de dever cumprido, de prémios e elogios pela organização que teve uma longevidade digna de registo”.

Adiantaram ainda que “espera um grande desafio a Lousada, não apenas do ponto de vista financeiro, que é muito elevado, como também no que diz respeito à logística e estruturação, que envolvem meios e recursos avultados”.

CORRIDA CONTRA O TEMPO

O anúncio d’O Louzadense nas redes sociais fez furor e a comunidade automobilística e cidadãos em geral manifestaram a sua satisfação e até euforia, mas também registamos algumas dúvidas e até ceticismo.

Experimentado nestas andanças, Jorge Simão, ex-presidente do CAL, congratulou-se pelo regresso das provas internacionais. Diz que “há 17 anos Montalegre tinha umas condições excecionais, onde o único senão é estar longe de tudo, agora o vir novamente para cá temos o compromisso da Autarquia no que diz respeito à pista”.

Pista da Costilha_Créditos fiaworldrallycross.com

“Estou seguro que o CAL vai estar à altura de preparar esta prova ao mais alto nível, existem pessoas que gostam e que as mesmas irão estar empenhadas para que tudo corra bem, aliás tem-nos dado provas disso, o ser um circuito novo não vai alterar o desempenho do Clube”, diz o antigo dirigente e piloto. E Jorge Simão deixa vincado que “poucas pessoas imaginam o problema que é realizar corridas mesmo do nacional com aquelas condições atuais”.

Um seguidor das nossas redes sociais, Miguel Rodrigues, mostrou-se algo cético: “não vejo as obras a estarem prontas em 2025”. Ao que outro seguidor, José Teixeira comentou que “a vontade existe e o fator monetário é algo que a Câmara sabe melhor que todos, mas tudo tem o seu tempo” e por falar de tempo, este lousadense diz que “para 2025 é muito pouco tempo que têm”.

Aquele aficionado dos desportos motorizados acresceu que a Costilha ainda terá “que receber o Nacional de Ralicross este ano, logo apenas poderão avançar com obras no novo paddock, porque o circuito ainda estará com provas a decorrer”.

Recordou que a intervenção “engloba um novo layout, novo alcatrão, novas condições a nível de segurança e faria sentido, obviamente uma reabilitação dos edifícios e condições das bancadas”.

Segundo Miguel Rodrigues, “tudo isto engloba uma grande logística, e demora sempre o seu tempo, ainda mais se não houver cancelamento de provas como 6H, ou troféus de drift”.

Em resposta, José Teixeira esclarece que “já não haverá resistência este ano, as obras são para arrancar e já ouvi boatos que a prova de Lousada do Nacional (de Ralicross) pode ser noutra pista, até seria bonito ser feita em Baltar, mas foi conversa de bastidor não sei se é verdade”.

Também Ricardo Jorge Oliveira diz que espera para ver. “Com um circuito que se mantém quase intacto a um desenvolvimento técnico desde os anos em que esteve ao rubro, acho que está um pouco obsoleto em relação a outros que foram expandindo”, nota aquele comentador.

SEM LUZ VERDE DO TRIBUNAL DE CONTAS

A propósito destes comentários, importa perguntar quais são as exigências da FIA para validar o contrato celebrado entre Lousada (CAL e Câmara)? Por causa das obras avultadas e urgentes, as corridas na Costilha vão acabar até Maio? Vai ser construída uma nova pista a tempo? A prova ainda vai ter o velho paddock ou haverá um novo? Fala-se em 3 milhões de euros de investimento, mas qual será a conta final?

Paralelamente a tudo isto, há que atender ao projeto de urbanização da Costilha e que está em (acelerado) andamento. Neste momento o processo aguarda parecer do Tribunal de Contas. As decisões do Município de aquisição de terrenos e investimento com obras num terreno que (ainda) não é seu, precisam de validação. Sem isso as obras na pista da Costilha não podem começar e pelo que aqui se explanou é notória a extrema urgência nisto. São avultadas as transformações para o circuito e a sua envolvente.

Mundial de Ralicross está em perigo

O promotor comercial detentor de direitos do Campeonato Mundial de Ralicross está à venda pelos seus proprietários, de acordo com relatos trazidos a público pela agência Reuters.  A WRC Promoter GmbH, com sede em Munique (Alemanha), atualmente de propriedade (conjunta) do conglomerado austríaco de bebidas energéticas Red Bull e da empresa de investimentos alemã KW25, pode ser vendida até o final deste ano.

WRX EM PERIGO-Ralicross da China foi cancelado

Citando fontes familiarizadas com o assunto, que essas duas empresas estão agora a trabalhar com a instituição financeira JP Morgan dos EUA em torno de uma venda da WRC Promoter. Fala-se num valor a rondar os 500 milhões de dólares.

Portanto, parece certo que até final do ano o concessionário do Ralicross internacional vai mudar de propriedade. A WRC Promoter atualmente lida com todos os aspetos comerciais da série de automobilismo, incluindo vendas de direitos de televisão, produção de transmissão e acordos de patrocínio.

Não se sabe o que poderá mudar no Ralicross no que diz respeito à estratégia da nova proprietária. O que se sabe é que a mudança era precisa, pois o atual promotor, que assinou com Lousada, não estava a conseguir manter a modalidade em níveis elevados. É o caso do mundial de Ralicross, que corre o risco (sério) de abortar em 2024. Para que seja considerado campeonato do mundo, a prova tem que ir a pelo menos um continente além da Europa, onde se realizaram 4 provas.

Estava prevista uma prova na China, em outubro, mas os chineses anularam o contrato. Julga-se que a presença de apenas 8 concorrentes não agradou à China. Também a Austrália e o Japão recusaram receber a prova. O promotor GmbH está atualmente a tentar a realização da prova em Istambul, capital da Turquia, para o fim de semana de 9-10 Novembro deste ano.

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