E DEPOIS D’ABRIL? [8]
Por se distanciar do “radicalismo reacionário” e aportar uma ideologia conservadora, o CDS diferenciou-se das principais forças políticas, que eram mais revolucionárias e progressistas. De forma notada, as instituições tradicionais, como a Igreja, os pequenos e grandes latifundiários, os capitalistas, eram alguns dos principais apologistas da democracia-cristã, que norteavam este partido. Dirigentes como Ildefonso dos Santos, Armando Queirós, Joaquim Couto dos Reis, Maria da Glória Fernandes e, sobretudo, Fernando Trigo e Vítor da Cunha Magalhães, foram centristas lousadenses que se destacaram na vida pública local nos primeiros dez anos após o 25 de Abril.
Fundado em 19 de Julho de 1974, com o nome Partido do Centro Democrático Social (CDS), por Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Victor Sá Machado, Valentim Xavier Pintado, João Morais Leitão e João Porto, este foi um partido com bastante impacto na cena política portuguesa após o 25 de Abril.
Pelo caráter moderado e conservador, depressa este partido se diferenciou dos demais, que se apresentavam mais progressistas e até reacionários. Ao contrário destes, o CDS não se distanciava muito de certos valores do Antigo Regime, nomeadamente nos valores cristãos. Essa moderação e conservadorismo tiveram um acolhimento significativo em Lousada. Depressa o partido teve delegação local, por ação de vários apaniguados da ideologia centrista, entre os quais se encontrava o professor e diretor escolar Ildefonso dos Santos, último presidente da Câmara aquando da revolução; Armando Queirós, destacado solicitador local; entre outros.
Nas eleições de 18 de dezembro de 1976 para as autarquias locais, o CDS foi a terceira força política mais votada, atrás de PPD e do PS, e à frente do PCP (que concorria na coligação FEPU), com cerca de 1000 votos na corrida à Câmara e outro tanto para a lista concorrente à Assembleia Municipal.
O solicitador Armando Augusto Freire Queirós encabeçou a lista à Assembleia Municipal e para a Câmara foi concorrente o engenheiro Joaquim Couto dos Reis. Outros nomes que na altura do nascimento do partido marcaram essa época dos centristas: José António Melo dos Santos, Manuel Rafael Sousa Ferreira, Joaquim Ferreira Soares, a professora Maria da Glória da Silva Fernandes e seu marido Serafim Carneiro, Manuel Brito e sua esposa Maria Laurinda de Vasconcelos Teixeira Mendes e Brito.
A oficialização da estrutura local do partido só aconteceu em 1979. O Jornal de Lousada de 22 de junho desse ano noticiou que numa “luzida cerimónia realizada no passado dia 9, tomaram posse todos os membros dos corpos diretivos do núcleo concelhio do Partido do Centro Democrático Social, recentemente eleitos. Numerosos filiados e simpatizantes estiveram presentes neste ato que foi presidido pelo Presidente da Comissão Executiva Distrital, Alcino Cardoso, ladeado por Dr. Américo de Sá, Joaquim Rocha, Vice-Presidentes e ainda por Francisco Víctor C. Magalhães, que passou a presidir à Comissão Executiva Concelhia e Alves Barbosa, este em representação do presidente da mesa da Assembleia Geral, Prof. António Ildefonso dos Santos, impossibilitado de estar presente. Lidas as actas das assembleias anteriormente realizadas e que marcam a implantação das estruturas estatutárias do CDS no concelho de Lousada (…)”.
O novo líder local do partido, Francisco Víctor C. Magalhães, viria a ser presidente da Assembleia Municipal, na primeira metade da década de 1980, na sequência da vitória da Aliança Democrática (coligação entre PSD, CDS e PPM).
A influência do CDS em Lousada, ajudou a que, em 1981, fosse atribuído o nome de uma das principais artérias da localidade ao malogrado dirigente e fundador nacional do partido, Adelino Amaro da Costa, que falecera a 4 de dezembro de 1980, em Camarate, então ministro da Defesa Nacional. A morte ocorreu no trágico acidente de aviação, onde também pereceu o primeiro ministro e co-fundador do PSD, Francisco Sá Carneiro.
Naquele ano, o partido reconduziu Francisco Víctor da Cunha Magalhães na liderança da concelhia lousadense, passando a Assembleia Geral a ser presidida pelo docente Fernando Augusto Meneses Trigo. Para as Comissões de Fundo, Admissões e Disciplina foram eleitos, respetivamente, Armando Queirós, Albino de Araújo e Joaquim Couto dos Reis. Foram delegados às Assembleias a professora Maria da Glória Silva Fernandes e o marido Serafim Carneiro. A Comissão Executiva englobava ainda José Vitorino Alves Barbosa, o professor António da Costa Vieira, Reinaldo Magalhães Alves e Avelino de Brito Machado Aguiã.
O professor Fernando Trigo, natural de Moncorvo, destacou-se como dirigente partidário e obteve grande notoriedade na sociedade local. Foi vereador da Educação e Cultura da Câmara de Lousada (1983-1989), na presidência de Amílcar Neto, lançando importantes realizações, como os processos de construção do Pavilhão Municipal, EB 2,3 de Caíde e escolas de Cristelos e Macieira, início do desbloqueamento de terrenos para o Complexo Desportivo e organização da Expolousada – feira de atividades económicas do concelho – e o Festival da Canção do Vale do Sousa.














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