A escola como organismo aberto à comunidade

José Carlos Pacheco da Silva, diretor escolar do Agrupamento Lousada Este

No passado dia 30 de agosto de 2024, José Carlos Pacheco da Silva tomou posse como novo Diretor do Agrupamento de Escolas de Lousada Este (Caíde de Rei). Tem 48 anos, é natural de Paços de Ferreira, é professor de Físico-Química e é mestre em Gestão e Administração Educacional. Foi professor em escolas da Maia, Sertã e Penafiel e está em Caíde de Rei desde 2002, onde para além de docente foi orientador de estágio (3 anos) e presidente do Conselho Geral desde 2013 até este ano.

A motivação principal para assumir a direção do Agrupamento “surge do desejo de promover uma educação de qualidade, inclusiva e que prepare os alunos para os desafios do futuro”. Nesse sentido, acredita que como diretor, pode “ajudar a criar um ambiente mais propício à aprendizagem e ao desenvolvimento integral dos alunos melhorando as condições de trabalho de todos”. E acrescenta que “a liderança da escola permitir-me-á implementar alguns aperfeiçoamentos, não só em termos pedagógicos, mas também na gestão administrativa e na articulação com a comunidade”.

Os planos que tem para o Agrupamento visam “a preparação para os desafios do futuro, mantendo sempre a minha missão de oferecer uma educação de qualidade a todos os alunos”. O diretor sublinha que “o nosso foco está em três pilares: melhoria da qualidade do ensino; inclusão e equidade; e reforço da ligação à comunidade escolar”.

Os professores são um grupo socioprofissional há muito em contestação face à Tutela. Sobre isso, diz José Carlos Silva: “as questões que afetam a classe docente são diversas e complexas” uma das quais tem a ver com “excessiva burocracia e atividades/tarefas não letivas, que consomem demasiado tempo aos professores” e defende que “é essencial encontrar formas de desburocratizar e otimizar o tempo de trabalho docente”. Por outro lado, aponta a valorização da profissão como fator importante da contestação docente: “a classe tem enfrentado uma falta de reconhecimento que se reflete tanto no plano financeiro como nas condições de trabalho. Muitos professores sentem que o seu esforço não é devidamente recompensado, e isso afeta o seu bem-estar e motivação”.

A presidente do Conselho Geral Elisabete Carreira dando posse ao novo Diretor do Agrupamento Lousada Este

Os novos desafios educativos estão de igual modo na linha da frente dos protestos. Acerca disso, José Carlos Silva destaca que “os professores têm de lidar com novas exigências pedagógicas, como a integração das tecnologias na sala de aula e o desenvolvimento de competências transversais. A formação contínua é essencial para que possam estar preparados para estas novas realidades e, neste aspeto, estou empenhado em promover oportunidades de desenvolvimento profissional para todos os docentes”.

ESCASSEZ DE ESTACIONAMENTO

Muitas vezes, falar de instalações escolares é também falar de obras e renovações. “As escolas que temos estão em boas condições estruturais e de conforto. A este nível, destaco a Sala de Convívio dos alunos da escola sede, que necessita de melhorias a nível de comodidade, com algum investimento em mobiliário”, revelou o docente.

Um problema “já com bastantes anos, é o parque de estacionamento, que é demasiado exíguo para as necessidades. Penso que o Município está a tratar disso, mas é, de facto, o nosso maior problema a nível de infraestruturas e que é causador de enormes constrangimentos”.

A nível de infraestruturas tecnológicas, “dado o papel crescente da tecnologia no ensino, a modernização dos equipamentos tecnológicos e a melhoria da rede de internet nas nossas escolas são também prioridades. Gostaríamos de reforçar o acesso a tecnologias que apoiem tanto os alunos como os docentes, de forma a facilitar o uso de plataformas educativas e garantir que todos tenham as ferramentas necessárias para o sucesso académico”.

A solução destes desafios faz com que a que a direção escola esteja “comprometida em trabalhar de forma pró-ativa e em diálogo com a comunidade escolar, a autarquia e as entidades responsáveis, para que possamos enfrentar estas questões e, assim, proporcionar um ambiente de aprendizagem mais moderno, acolhedor e adaptado às necessidades atuais”.

Um organismo como é uma escola, não vive sozinho, como qualquer tipo de organismo. Por isso, o referido relacionamento com outras entidades, nomeadamente o pelouro da Educação Municipal é fundamental. Sobre esta questão, José Carlos Silva refere que “um Agrupamento de Escolas não vive isolado; pelo contrário, a colaboração com outras entidades é fundamental para o sucesso do nosso trabalho”. Destaca que o “relacionamento com o Pelouro Municipal da Educação tem um papel crucial no desenvolvimento de projetos e na resolução de desafios que enfrentamos no dia a dia. O que esperamos é uma relação de parceria sólida e eficaz. Queremos trabalhar de forma colaborativa, em sintonia com as estratégias e objetivos do município, para promover uma educação de qualidade para todos os nossos alunos”.

“Temos trabalhado em conjunto no desenvolvimento de projetos educativos que vão além do currículo tradicional, como atividades extracurriculares, programas culturais e desportivos e iniciativas de apoio social”, enaltece este diretor escolar.

Em resumo, “vemos o Pelouro Municipal da Educação não apenas como um parceiro, mas como um aliado estratégico para garantir que o nosso Agrupamento de Escolas possa oferecer um ensino inclusivo, inovador e de qualidade. É através da partilha de responsabilidades e da construção de soluções conjuntas que conseguiremos enfrentar os desafios e criar melhores oportunidades para os nossos alunos”.

APELO À PARTICIPAÇÃO DAS FAMÍLIAS

A relação entre pais eescolas é um fator determinante para o sucesso educativo dos alunos. Como tal, perguntamos o que é de esperar nessa vertente. “Essa relação tem vindo a evoluir, tornando-se mais colaborativa e próxima, mas ainda há espaço para um maior envolvimento e participação ativa por parte das famílias”, esclarece.

É essencial “que os pais se sintam parte integrante da comunidade escolar, não apenas como observadores, mas como parceiros ativos no processo educativo”. Para tal, “uma das nossas ações será promover a maior participação dos encarregados de educação, através da Associação de Pais, para que tenham voz nas decisões que afetam o percurso escolar dos seus filhos e a vida da escola”, esclarece José Carlos Silva.

Tomada de posse agrupamento de escolas Lousada Este_Caíde

O diretor do agrupamento sediado em Caíde revelou que estão a ser planeadas iniciativas para reforçar essa colaboração escola-família. “Pretendemos realizar mais reuniões periódicas com os encarregados de educação para facilitar a participação de todos. Além disso, iremos promover workshops e sessões de esclarecimento sobre temas relevantes, como a orientação vocacional, a educação digital e o apoio emocional aos alunos, de forma a fornecer aos pais ferramentas para apoiarem melhor os seus filhos”, salientou.

Outra ação importante será a “implementação de um modelo de «Escola Aberta», onde os pais podem participar em atividades escolares e extracurriculares, como feiras, exposições e projetos de voluntariado. O objetivo é criar um ambiente de proximidade e confiança, onde os pais se sintam bem-vindos e parte ativa da vida escolar”.

Por último, o entrevistado sublinhou que “uma escola só pode atingir o seu pleno potencial quando os pais e encarregados de educação estão envolvidos de forma ativa e construtiva. As ações que temos planeadas visam precisamente criar mais oportunidades de envolvimento e reforçar essa ligação, para que juntos possamos proporcionar um melhor percurso educativo aos nossos alunos”.

José Carlos Pacheco da Silva

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