Elementos Iconográficos na construção | Pedras de Armas da Casa Nobre de Lousada V
Pedra de armas da Casa do Porto

Pedra de Armas: Foi mandada esculpir e colocar na Casa do Porto por Manuel Pinto Peixoto de Sousa Vilas-Boas.1 Está colocada na frontaria, no frontão. A época está devidamente datada: 1862.2 É de mármore.
Arranjo Heráldico: O escudo é francês moderno, acompanhado de elementos decorativos (volutas e flores estilizadas), que se estendem pelo frontão. Elmo, com a viseira descida, voltado de perfil para a direita, com virol e timbre.3
Escudo: Composição: esquartelada.
Lição Heráldica: Leitura: I PEIXOTO (moderno) (1); II PINTO (2); III SOUSA, dito de Arronches (3); IV VILAS-BOAS (4). Timbre de PEIXOTO (moderno).

1) PEIXOTO (antigo): Xadrezado de ouro e de vermelho, de cinco peças em faixa e seis em pala; e PEIXOTO (moderno): xadrezado de ouro e de azul, de seis peças em faixa e sete em pala. Na pedra de armas temos um xadrezado de cinco peças em faixa e cinco em pala, com a cor azul indicada nas peças pares.
(2) Cinco crescentes. Cada crescente constituído por dois planos que formam entre si um ângulo diedro convexo, na pedra de armas.
(3) Esquartelado: o I e o IV com cinco escudetes postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes, e bordadura carregada de sete castelos, e um filete posto em contrabanda, brocante sobre tudo; o II e o III com uma quaderna de crescentes. Neste quartel do escudo: no I e no IV faltam a bordadura com os castelos e o filete em contrabanda; no II e no III temos uma flor de quatro pétalas, má interpretação da quaderna de crescentes. Este quartel de SOUSA (de Arronches) devia estar no I do esquartelado do escudo pelo privilégio que compete às Armas do Reino.
(4) Esquartelado: o I e o IV com um castelo tendo a torre do meio rematada por uma palma; o II e o III com um dragão volante. Faltam as palmas e os dragões estão voltados.
(5) Um corvo-marinho com um peixe no bico.4
Manuel Henrique do Valle Peixoto de Souza e Villas-Boas: Ilustre Senhor da Casa do Porto.
Nasceu a 13 de março de 1770, na casa do Porto (Santa Margarida de Lousada), e foi batizado a16 do mesmo mês e ano, na paróquia de Santa Margarida de Lousada.

Filho de Manuel Henrique Peixoto Vilas Boas, que nasceu a 5-5-1721 na casa do Porto, nela sucedeu, bem como nas do Bairro (Alvarenga-Lousada) e de Baceiras (Bustelo-Penafiel), e faleceu a 18- 4-1796). Casou a 5-5-1757, em Cristelos (Lousada), com D. Mariana Luísa da Cruz, Senhora da casa da Ribeira, filha de António Pinto Ribeiro, Senhor da mesma casa, e de sua mulher Clara Ferreira da Cruz, da casa de Real (Ordem-Lousada). Em 08 de junho de 1796, celebrou escritura de dote e casamento, com Joana Rita Cardoso Pereira de Macedo Portugal e Silva, da Casa de Sá, mas o enlace não chegou a consumar-se.5
Casou, a primeira vez, com Mariana Peixoto de Sousa Freire (sem geração), tendo voltado a consorciar-se com Ana de Sousa Freire (a celebração de escritura de casamento deu-se a 31 de julho de 1813, documento que consta no Arquivo da Casa do Porto), irmã da anterior. Estas duas senhoras eram filhas de Manuel José Pinto de Sousa, da Casa da Costilha em Cristelos, Sargento-Mor de Lousada e de sua mulher Custódia Maria de Morais de Sousa Freira da Casa do Carregal/Quinta da Tapada em Lousada.

Manuel Henrique do Valle Peixoto de Souza e Villas-Boas foi homem principal do concelho de Lousada (poderoso e influente), e senhor das casas: do Porto (10º geração), Bairro, Baceiras e Ribeira.
Cargos e Ofícios – Fidalgo da Casa Real (Alvará de 18-5-1840), Cavaleiro e Comendador da Ordem Militar de Cristo (23-3-1838), último Capitão-Mor de Lousada Escrivão da Câmara, Almotaçaria e Direitos Reais de Lousada, Provedor do mesmo concelho, Comandante de uma das Subdivisões da 7ª Brigada e do Batalhão Nacional de Lousada e de Aguiar de Sousa, existindo no Arquivo da Casa do Porto os documentos que comprovam estas mesmas indicações de títulos e ofícios, bem como documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Notável foi a sua ação militar, quando o general Loison (o Maneta) invadiu a província do Minho. Com apenas 500 homens, as suas ordenanças, custeando os necessários mantimentos, contribuiu, de forma memorável, o avanço dos franceses.
Faleceu a 4 de março de 1845, com 74 anos.
Nota: Funções do Provedor – competia-lhe manter a tranquilidade nas ruas e mercados; opor-se a prisões arbitrárias; reprimir a mendicidade; proceder ao recrutamento para o exército e guarda municipal; inspecionar as escolas primárias e lavrar o registo civil, entre outras funções.
Curiosidade – Pedra de armas da Casa do Outeiro
Na torre, encontra-se adossada a pedras de arma de S. Francisco de Assis: As mãos cruzadas, simbolizam a paz e bondade: PAX DE BONUM – e um feto.

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1 – Segundo o proprietário da casa do Porto, João Maria Cabral Peixoto Magalhães.
2 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – o. c., p. 27.
3 – NÓBREGA, Artur-Osório da – o. c., p. 26 – 2 7.
4 – NÓBREGA, Artur-Osório da – o. c., p. 27.
5 – Segundo Carla de Jesus Torres Moreira (O Arquivo da Casa do Porto: o seu estudo e a sua representação – o modelo sistémico), existem Arquivo da Casa do Porto documentos que referem o acontecimento, bem como correspondência entre os mesmos.
Obras Consultadas
1 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – A Heráldica De Família No Concelho De Lousada. Aditamento a “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959). Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1999.
2- MOURA, Augusto Soares de Moura – Lousada Antiga, Das origens à primeira República, Edição de Autor, 2009.
3 – MIGUÉIS, Cristina e MARTINS, José Carlos – Presidentes da Câmara Municipal, Desde 1838 até 1900. Edição do Arquivo Municipal de Lousada, 2003
4 – Jardins com História, Flora e Património dos Solares de Lousada. Edição da Câmara Municipal de Lousada, 2021.
Documentos eletrónicos:
www.geni.com/people/Manuel-Henrique-Pinto-do-Vale-Peixoto-de-Sousa-e-Vilas-Boas/600000002796776866
José Carlos Silva
Professor / Historiador












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