LILIANA MESQUITA MACHADO
A mais recente autora literária lousadense é da Senhora Aparecida, chama-se Liliana Mesquita Machado e lançou o livro infantil “A avó astronauta”. Foi na escola primária que começou a cultivar o gosto pela escrita e pela leitura. Atribui decisivo papel nisso à professora Albertina. “Foi ela quem me apresentou as palavras e me ensinou a magia que se faz com elas. Sempre adorei livros e o aroma que trazem dentro”, refere. Além da escrita e da leitura, Liliana empreende várias iniciativas sociais e culturais na sua localidade.
Tem 44 anos, nasceu em Paredes e cresceu na Senhora Aparecida (Lousada). Ingressou na Escola Superior de Jornalismo do Porto (ESJ) com o sonho de ser uma narradora de histórias da vida real. Esteve nesta faculdade durante quatro anos, mas acabou por, no último ano e numa época de transição da ESJ, mudar-se para a Universidade Fernando Pessoa (UFP) e foi aí que terminou a licenciatura. Mais tarde, fez também na UFP o mestrado em Ciências da Comunicação – Jornalismo. Nesta universidade encontrou dois mestres: Ricardo Jorge Pinto e Jorge Pedro Sousa, “dois professores incríveis que moldaram o meu carácter profissional. Hoje, dois grandes amigos, por quem tenho uma profunda admiração e um sentimento de gratidão”, refere a nossa entrevistada.
Lembra-se que, desde os seus 12 anos, dizia que queria ser jornalista. “Sempre gostei muito de ler e escrever e cresci a ouvir histórias contadas pela minha mãe. Ela era bordadeira e recordo-me que, sentada no pequenino banco de bordar e enquanto dava cor aos desenhos riscados no pano, dava também vida à minha imaginação, contando-me histórias que ela inventava”.
Portanto, da paixão pela escrita aliada à rotina de ouvir as histórias da mãe, nasceu a paixão pela comunicação.
Confessa que, “após cerca de 10 anos no jornalismo, acabei por desiludir-me com a profissão, que é muito instrumentalizada e a ideia romântica que tinha do jornalismo acabou por morrer”.

Após trabalhar numa revista empresarial que encartava o Jornal de Notícias, “descobri a paixão pela comunicação empresarial e pelo Marketing. O storytelling é uma ferramenta poderosa e ainda muito pouco aproveitada no meio empresarial em Portugal. A comunicação, quando bem feita, destrói muros e barreiras, é capaz de construir novos mundos, trazer oportunidades e mostrar o panorama geral, daí o fascínio”, enfatiza Liliana.
Escrever e editar livros esteve sempre nos seus planos, mas “nunca pensei que a literatura infantil fosse o meu primeiro passo; costumo dizer que Deus escolheu por mim e eu confio na Sua vontade”.
Liliana Machado avança que a obra «A Avó Astronauta» foi escrita “com fragmentos da minha experiência dos vários momentos doces vividos com a minha avó materna e outros pequenos fragmentos de observação da relação da
minha mãe com os netos, os meus sobrinhos” e revela que “fala da jornada de uma avó com Alzheimer. As aventuras são narradas pelo neto Zé que tem uma visão mais leve e até poetizada desta nova condição da avó que, agora, anda sempre com a cabeça na lua”.
A apresentação do livro aconteceu em vários locais e eventos, mas teve especial destaque na Feira do Livro do Porto. “Foi uma boa surpresa que a minha editora Cordel D’Prata orquestrou e estou grata por todo o acompanhamento e por terem confiado que esta seria uma obra digna de ser lançada naquele espaço”.

Do que poderá surgir a seguir, a autora levanta um pouco o véu: “História é um dos meus interesses, adoro documentários relacionados com História, poder viajar no tempo, conhecer o passado e perceber a evolução. Tive o privilégio de integrar, durante algum tempo, a equipa de investigação de Teoria e História do Jornalismo da Universidade Fernando Pessoa e ser membro do Centro de Investigação Média e Jornalismo e como investigadora passei muitos dias na Biblioteca Pública do Porto a estudar jornais do século XIX e ficava fascinada com os relatos da época”.
Falando de autores, destaca Mia Couto e Sophia de Mello Breyner Andresen, que “sem dúvida, são a minha grande inspiração”. Também destaca a riqueza descritiva de José Saramago e a ousadia que coloca na escrita. Gosta de Khalil Gibran, pela sabedoria do pensamento. Agatha Christie, porque adora o romance policial.
Está envolvida na cultura local, nomeadamente no teatro e na Confraria dos Ermitões de Nossa Senhora Aparecida, recentemente criada e onde tem papel relevante. Portanto, é de esperar muito desta cidadã. “Tenho a mente sempre a borbulhar com ideias – alguns até me definem como inquieta. Mas não faço planos. Não tenho qualquer ambição de atividade pública. Faço com sentido de dever cívico e não com ambição pessoal”, afirma.














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