“Não pode haver assédio no local de trabalho e ioga à hora de almoço”

Assim foram as palavras de Tiago Pereira, membro da Comissão Nacional da Ordem dos Psicólogos Portugueses em entrevista à CNN Portugal. Este foi o tema central na comemoração de mais um dia Mundial da Saúde Mental – “It is Time to Prioritise Mental Health in the Workplace” e o assunto não podia ser mais proeminente.

Um estudo levado a cabo pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) concluiu que “17,9% dos homens e mulheres empregados disseram ter sido vítimas de violência e assédio psicológicos na sua vida profissional. Outros 8,5% disseram ter enfrentado violência e assédio físicos”. Estamos perante números irrisoriamente grandes e desastrosos. Significa que uma em cada cinco pessoas já foi vítima de algum tipo de abuso no local de trabalho. Chega a ser difícil para o indivíduo reconhecer que está perante estas problemáticas. Neste sentido, a OPP (Ordem dos Psicólogos Portugueses) elaborou recentemente (setembro de 2023) no seu manual de Perguntas e Respostas sobre o assédio nos locais de trabalho, algumas questões que poderão ajudar a clarificar a mente e a não deturpar a realidade:

● O comportamento é incómodo, i.e., deixa-o/a desconfortável?
● O comportamento é repetido? (ou ocorreu um incidente único com gravidade?)
● O comportamento é indesejado?
● O comportamento afeta a sua dignidade ou bem-estar físico ou psicológico?
● O comportamento cria um ambiente de trabalho intimidatório, hostil, humilhante e desestabilizador?

Sofrer de assédio físico e/ou psicológico no trabalho é atroz e causa diversas consequências tanto físicas como psicológicas. Mais atroz ainda será permanecer impotente, sem fazer algo para reverter a situação.

Li algures um testemunho emotivo sobre assédio laboral. A pessoa relatava os acontecimentos enquanto vítima, tanto no passado como no presente (permanecendo os sintomas). Não tendo plano B, C ou D decidiu abandonar o local de trabalho que a fazia tremendamente infeliz. Mesmo sem outra solução, percebeu, no meio da sua ansiedade, stress, mau-estar, perda de produtividade, falta de motivação, que o caminho fazia-se fora daquele local. Nem todos o podemos fazer, mas todos podemos procurar ajuda especializada e todos os apoios disponíveis para reportar a situação.

Contactos úteis para estas e outras situações, nunca serão demais relembrar:

● Linha de Aconselhamento Psicológico SNS 24 – 808 24 24 24
● Linha de Apoio à Vítima da APAV – 116 006
● SOS Voz Amiga – 213 544 545

Escrevo-lhe em breve. Até lá!

Catarina Carvalho
Psicóloga

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