Radiografia aos Serviços de Saúde de Lousada (Parte 3)
Nas últimas edições d’ O Louzadense realizamos um trabalho de auscultação à saúde dos serviços públicos de saúde em Lousada. Do debate daí decorrido e do balanço que importa fazer, conclui-se, por exemplo, que o serviço noturno é uma lacuna que importa debelar.
O sistema de saúde em Lousada reflete uma realidade de contrastes, oscilando entre conquistas relevantes e desafios estruturais persistentes. A ULSTS afirma “que todos os utentes do território estão servidos de médico de família, com uma cobertura de 100%”. Ter um médico de família atribuído a todos os utentes coloca Lousada acima da média nacional, mas demorar na substituição de médicos afastados por licença ou reforma gera problemas, principalmente em unidades como as de Lousada e Caíde de Rei, onde há relatos de utentes que aguardam por consultas há vários meses.
A digitalização dos serviços de saúde traz benefícios claros, mas a acessibilidade ainda é limitada para parte da população. Sandra Silva, médica dentista, alerta que a baixa literacia digital entre idosos compromete o acesso e reforça a necessidade de programas de formação e suporte técnico. “A inclusão digital é indispensável para garantir que todos possam usufruir das inovações no sistema de saúde”, defende.
A promoção da unidade de saúde de Caíde de Rei e Meinedo ao modelo B das Unidades de Saúde Familiar (USF) é um avanço significativo, oferecendo horários mais amplos (8h-20h) e permitindo a intersubstituição entre profissionais. A ULSTS também anunciou a expansão da saúde oral, com planos de triplicar o atendimento através da abertura de dois novos gabinetes.
Além disso, o Plano de Recuperação e Resiliência prevê intervenções fundamentais, como a requalificação dos edifícios de Lousada e Lustosa, o alargamento das instalações de Meinedo e a construção de uma nova unidade no Mesio. Essas iniciativas são essenciais para modernizar a rede local de saúde e responder às crescentes necessidades da população.
O atendimento no período noturno permanece como um dos maiores desafios. Sem um Serviço de Apoio Permanente (SAP), os utentes são obrigados a recorrer ao Hospital Padre Américo, em Penafiel, para cuidados fora do horário de funcionamento das USFs. Sandra Silva e Carlos Santos Costa, dois especialistas lousadenses, defendem a reativação do SAP de Lousada, encerrado unilateralmente pelo Estado.
A expansão dos serviços privados de saúde, com unidades como CUF e Lusíadas, evidencia dificuldades do SNS na resposta à procura. Embora tragam benefícios económicos e ampliem as opções para a população, essas iniciativas levantam preocupações, já que nem todos os utentes conseguem arcar com os custos do setor privado.
Carlos Santos Costa, diretor clínico do Hospital de Lousada, salienta a falta de foco em programas de educação para a saúde e prevenção de doenças. Problemas como obesidade e doenças cardiovasculares poderiam ser reduzidos com mais investimento em literacia em saúde e promoção de estilos de vida saudáveis.
O compromisso com a melhoria contínua é evidente em iniciativas como o programa “Ligue Antes, Salve Vidas”, que redireciona casos não urgentes para os centros de saúde, e no crescente foco na medicina preventiva. No entanto, os especialistas apontam que o sucesso do sistema de saúde em Lousada depende de investimentos robustos em recursos humanos, infraestrutura e uma colaboração equilibrada entre os setores público e privado.













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