por | 1 Dez, 2024 | Espaço Cidadania, Sociedade

“Município incorreu num ato ilegal”

Diogo Ferreira (PCP) e a remoção de propaganda

O jovem dirigente comunista queixa-se da eliminação de propaganda colocada pelo seu partido e reafirma a vontade de prosseguir com iniciativas no futuro em Lousada, “para reafirmar o PCP e os seus ideais históricos”. Regressar à Assembleia Municipal de Lousada parece uma miragem, depois de um interregno de quase duas décadas, num órgão onde já tiveram representação muito ativa. Aliás, foi também o primeiro partido a ter duas mulheres naquele órgão.

Desde Xavier Pires, em 2014, o PCP não tem representantes no poder local. Aquele lousadense esteve na Assembleia Municipal de Lousada e então ficou um vazio e um esmorecer do papel do PCP, que parece agora querer reativar-se.

Para Diogo Ferreira, representante local e regional, “o PCP é um partido que divide o seu foco de ação política tanto pela via institucional, como pelo trabalho ativo de militância que fazemos diariamente no terreno, com o intuito de sermos a ponte que aproxima o trabalhador dos espaços de decisão política. Como tal, acreditamos que a representação autárquica deve existir como um meio de levar para o debate político os descontentamentos e ansiedades, das camadas sociais que por norma têm maior dificuldade em se fazer ouvir”.

“Não concordo com a tese que anuncia o fim do partido, enquanto existirem exploradores e explorados há a garantia de que o PCP continuará por cá”, acrescenta o dirigente.

Referindo-se ao evento anual de grande tradição em Portugal “o Avante é um marco cultural e identitário, não organizamos a festa pelo retorno financeiro, até porque já tivemos prejuízo em edições anteriores. O Avante é uma forma de celebrarmos a liberdade, de dançarmos e cantarmos politicamente, e são 3 dias de festa em que se evidencia o nosso espírito e valores comunistas”.

Foi precisamente um cartaz sobre esse evento, que foi pintado no skatepark de Lousada que motivou indignação entre os militantes, pois foi apagado pela autarquia, que alegou vandalismo. “Segundo a Lei, esta indica que o município de Lousada incorreu num acto ilegal”. Diz Diogo Ferreira que “todos os partidos legalizados têm o direito a afixar propaganda em espaços públicos, salvo algumas exceções como edifícios religiosos ou órgãos de soberania. Portanto ou os senhores deputados não estão devidamente informados e assim sendo carecem de competências necessárias para executar o cargo, ou foi um ato de má-fé ideológico, e que nada tem de democrático”.

Entre as iniciativas que esperam fazer em Lousada nos próximos tempos, “para além do que já é usual e característico da nossa militância ativa, de ações que vão desde iniciativas de sensibilização na rua, a contactos com trabalhadores nas empresas, temos algumas propostas também de índole cultural que iremos apresentar atempadamente”. A longo prazo a ação local do do PCP “passará pela auscultação dos problemas e de eventuais carências no município e dos lousadenses, e consecutivamente a intervenção prática com vista a criar alternativas e soluções”.

Diogo Ferreira, PCP

Questionado se sentem que estão a perder terreno para os restantes partidos de Esquerda, o comunista afirma que “as coisas não se medem dessa forma. As oscilações entre as intenções de voto variam no tempo conforme as características materiais e sociológicas de determinado momento. Tal como o tempo não decorre de forma linear, a realidade política também não o é. Temos é que saber interpretar essa realidade, e usá-la como base para determinar a melhor estratégia a adotar. Mas os outros partidos de esquerda não servem aqui de modelo para esse efeito, para além de que temos objectivos, valores, e princípios diferentes”.

Na opinião de Diogo, “os partidos políticos não se devem adaptar às modas da atualidade, o objetivo da sua existência é transformá-la, melhorando-a. É de lamentar que grande parte dos partidos seja motivado por interesses próprios de poder e de sobrevivência, em vez de verdadeiras convicções sociais e moralmente corretas”. Tendo isto em conta, entende que “o PCP é um partido que trabalha motivado por valores morais e que tem princípios éticos por que se rege disciplinadamente”.
A oposição à Nato e a certas políticas internacionais, são bem conhecidas deste partido. Sobre isso Diogo Ferreira diz “que “desde o fim da guerra fria, evento que deveria ter determinado também o fim da NATO, uma vez que esta é na sua génese, alegadamente, uma aliança defensiva, tem se observado no mundo um incremento de conflitos militares.”  E questiona “por que é que uma aliança defensiva provocou desde aí guerras como a do Iraque e a do Afeganistão, resultando daí mais mortes e destruição?”.

Para além das guerras em que a comunicação social “gosta de falaciosamente colocar o PCP do lado dos «maus»”, mas “escolhemos não ser cúmplices de desastres que nos encaminham a todos para uma terceira guerra mundial, e escolhemos não alongar mais a era de violência que nos deveria a todos pesar na consciência, e fazer refletir sobre escolher entre uma economia de guerra, ou uma sociedade de paz”, conclui o jovem militante.

Diogo Ferreira

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