O evento “Miss e Mister Sénior”, realizado no passado dia 1, deveria ter sido uma celebração da vitalidade e do protagonismo da terceira idade. Contudo, o que se viu foi uma gritante falta de sensibilidade da autarquia em relação às necessidades básicas dos idosos que participaram.
O evento decorreu numa tenda gigante instalada na Praça das Pocinhas, uma solução que pode parecer conveniente, mas que rapidamente se revelou num símbolo de improviso e descaso. Durante as cinco horas que os participantes passaram no local, foram ignoradas questões essenciais como o acesso a casas de banho e a oferta de água ou alimentos simples, como fruta e bolachas. São detalhes que podem parecer triviais, mas que fazem toda a diferença para o bem-estar de pessoas idosas, especialmente num evento de longa duração.
Esse descuido reflete um padrão preocupante. Também porque, em várias áreas – seja o auditório, as piscinas ou o parque infantil – tudo parece subdimensionado, como se fosse suficiente fazer e ter “o mínimo necessário”. Não se trata apenas de um problema logístico, mas de uma visão administrativa centrada mais no espetáculo do que no serviço à comunidade. A tenda na Praça das Pocinhas resulta da falta de um equipamento (pavilhão multiusos) dimensionado para acolher eventos de média e grande dimensão. Quem não pensa nisto, também não se preocupa com o facto de avaliar se a Tenda é confortável e funcional para o propósito, parecendo suficiente que esteja visível e sirva o intento de criar uma imagem de sucesso.
Eventos como o Miss e Mister Sénior são importantes, pois promovem a interação social, valorizam os idosos e destacam a sua importância na comunidade. Isto se acontecer sem os expor em demasia. No entanto, quando este tipo de iniciativas não são acompanhadas de um planeamento cuidadoso, transmitem a sensação de que são realizadas apenas para o “show-off”, para marcar presença no calendário, sem consideração genuína pelo público-alvo.
Organizar eventos é muito mais do que instalar uma estrutura grandiosa e reunir um grande número de pessoas. Exige empatia, atenção aos detalhes e capacidade de colocar o bem-estar dos participantes no centro das decisões. É certo que saíram satisfeitos, educados que foram a não reclamar e a agradecer o pouco que lhes dão. Mas, neste caso, os idosos de Lousada mereciam mais atenção e acuidade.
O contributo cívico que prestamos com este editorial é um alerta construtivo para que se reflita sobre este episódio e se adote uma abordagem mais humana e responsável na organização de futuros eventos. Não basta que sejam vistos; é essencial que sejam sentidos como uma experiência positiva e acolhedora. Afinal, cuidar dos nossos idosos não é apenas uma questão de responsabilidade, mas de respeito.













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