Para uns, mundo apelativo, cativador, essencial, necessário. Para outros, redutor, nefasto e perturbador. A facilidade com que as crianças deslizam a ponta dos dedos e descobrem, sem medo, novos conteúdos digitais é fascinante e impressionante. Para trás fica o conhecimento dos contextos onde a criança vive e o desconhecimento do mundo que as rodeia. As vacas, as ovelhas, os coelhos e as galinhas já não se encontram no fim do quintal dos familiares. As colheitas e a secagem do milho já não se faz nos campos e eiras. Já não há quinta, nem quintais. O urso polar come erva e as zebras são vacas com riscas. Os meninos deixaram de trepar às árvores e de comer fruta colhida da árvore.
Os conteúdos digitais, das nossas crianças passaram a ser pobres, excessivos, sem conteúdo pedagógico e na sua maioria inapropriados. As crianças cantam e reproduzem ritmos em coro, sem perceberem a mensagem vinculada.
Nos contextos educativos, pretende-se que esta balança seja bem pesada. De um lado, o mundo digital e, do outro, o conhecimento de quem somos e do que nos rodeia. Juntar os dois mundos é fácil quando existe uma intencionalidade pedagógica e educativa. Trazer a selva à sala ou vivenciar a Era dos dinossauros, poderá ser emocionante. Mas proporcionar vivências e tradições, promover costumes, levando a criança a tocar, sentir e cheirar, é criar memórias no subconsciente, que dificilmente se apagam.
Os jardins de infância são contextos educativos ricos na construção de memórias, pois nas rotinas diárias reproduzem-se tradições, costumes, histórias tradicionais, canções de sempre e ditados populares que não se esquecem. Assim, os mundos digitais, são desejados quando esgotamos as experiências em contextos naturais, quando procuramos retratos de vivências que já não existem e quando usados como instrumentos eficazes para a aprendizagem.
No jardim de infância de Casais, as salas de pré-escolar, retrataram uma tradição do Outono: a “Desfolhada”. De lenço às costas a proteger do vento e do frio, chapéu na cabeça a proteger do sol forte e avental à cinta para proteger a roupa da sujidade, em roda, os meninos agarraram as espigas de milho rijas e secas, e retiraram o folhelho e a espiga. Da desfolhada passou-se para os animais que comem milho, para os animais da quinta, para os animais selvagens…. e as curiosidades somaram-se e multiplicaram-se. O digital registou as imagens do momento, permitiu a partilha com a família e comunidade envolvente e saciou curiosidades levantadas.
Prevaleça a pertinência educativa e pedagogia com que fazemos uso do mundo digital!
Professoras Márcia Gonçalves e Carla Santos
Jardim de Infância de Casais
Agrupamento de Escolas Lousada Oeste













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