BANCO NÃO ACEITA NEGOCIAR
Foi a Assembleia Geral (AG) mais concorrida dos últimos anos, aquela que decorreu na tarde de segunda-feira. O caso não seria para menos, pois está em debate a difícil situação financeira da Adega Cooperativa de Lousada, uma das entidades mais antigas desta localidade. O Banco (Montepio Geral) não aceitou qualquer das propostas apresentadas para adiantar financiamento e a alternativa poderá ser o recurso a um Processo Especial de Revitalização (PER), que tem como finalidade permitir a uma empresa que esteja numa situação economicamente difícil ou em situação de insolvência iminente, mas que ainda seja passível de ser recuperada, negociar com os credores com vista a um acordo que leve a revitalização daquela. Esta solução só não avançou por ter surgido na AG uma sugestão de investimento por parte de alguns cooperantes, que ficaram de amadurecer a possibilidade até ao final deste ano.
A dívida à banca ronda os 80 mil euros e aos produtores de vinho locais ascende a outro tanto ou mais, disse ao nosso jornal o presidente do órgão magno da Adega Cooperativa, Morais Fernandes. Este dirigente reconhece que a situação é complicada, mas está seguro de que “a Adega tem muito mais valor patrimonial que a dívida” e adianta que “só o valor da pedra do edifício é bem capaz de cobrir isso”.
Este engenheiro agrónomo aponta que “a crise no setor é quase geral e muitas adegas colapsaram, como foi o caso de Paredes, de Castelo de Paiva, de Amarante e de outras”. Sublinha que “as monoculturas são uma chatice, porque se uma entidade trabalha com um só produto, como é o caso da adega, e esse produto falha, então a sobrevivência fica complicada”. Mas não deixa de referir que “também já houve adegas que estiveram com a corda na garganta e safaram-se muito bem, como foi o caso em Monção, que era liderada pelo padre local, bateu no fundo e revitalizou-se, ao ponto de ter hoje em dia um dos vinhos mais famosos do mundo”. Segundo Morais Fernandes, “uma das chaves do sucesso está na profissionalização de quem dirige as adegas”.
Embora “esteja confiante” em relação ao futuro, o presidente da AG receia que o perigo venha do banco. Este terá na sua posse uma livrança assinada pelo anterior presidente e que pode ser “uma carta na manga” para executar sobre a Adega Cooperativa.













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